Argentina: Massas incendeiam Casa do Governo de Chubut e derrubam lei que aprova a ‘mega mineração’

Massas incendeiam a Casa de Governo de Chubut após aprovação de lei a favor da megamineração. Foto: Red43

As massas argentinas da província de Chubut lograram impedir, no imediato, a aplicação de um projeto de lei que permitiria a mineração de prata, cobre e chumbo em diversas partes da província. O retrocesso temporário da lei aconteceu após as massas rebeladas incendiarem a Casa do Governo de Chubut e protestarem em diversas cidades, no dia 15 de dezembro, contra o projeto antipovo e pró-imperialismo.

O povo denuncia que os projetos de mineração imperialistas, que explora a força de trabalho local em troca de salários miseráveis, também seguirá despejando camponeses de suas terras. Além disso, o tipo de mineração previsto para o local, a céu aberto, pode envenenar solos e rios de água doce ou mesmo se utilizar de grande parte da água da bacia do rio Chubut para a mineração. Isso impossibilitaria e destruiria os cultivos dos camponeses, criando ainda mais mão-de-obra barata no campo para os seus projetos ou expulsando os camponeses em direção às cidades.

O projeto de lei foi votado e aprovado em uma “sessão surpresa” pelos deputados da província no dia 14/12.

Diante disso, no dia seguinte, os manifestantes protestaram na Casa do Governo da cidade de Rawson, capital da província. No local, após tentativas violentas de dispersão por parte da polícia com balas de borrachas e bombas de gás lacrimogêneo, as massas derrubaram as cercas de contenção colocadas pela repressão e entraram na passarela que separa a Casa do Governo da residência do governador Mariano Arcioni, incendiando o prédio estatal.

Na Casa do Governo foram pichadas também palavras de ordem contra Arcioni e os 14 deputados que aprovaram a lei. Além da Casa do Governo, os escritórios do Tribunal Superior de Justiça, onde também está localizada a Procuradoria Geral da República, foram atacados pela multidão furiosa.

Nas cidades de Trelew, Trevelin, Comodoro Rivadavia, Esquel e Puerto Madryn foram realizadas manifestações, assim como na Rota Nacional 3. Na Rota Nacional 40 houve bloqueios de estradas.

Casa de Governo incendiada. Foto: Gentileza luan_colectivafotografica

O ‘megaprojeto’ de mineração imperialista

A companhia imperialista canadense Pan American Silver possui 100% do projeto Navidad, que poderá vir a ser um dos maiores depósitos de prata do mundo. O projeto foi adquirido em 2010 através da compra da empresa Aquiline Resources Inc e terá mais de 1 bilhão de dólares em investimento. O projeto prevê a mineração nos departamentos de Telsen e Gastre.

A tentativa da Pan American Silver de expandir-se para Chubut, no sul da Argentina, com o projeto Navidad, foi coberta de denúncias de corrupção por parte da comunidade local, incluindo o caso de um deputado que foi gravado pedindo dinheiro para fazer lobby a favor da Pan American Silver.

A lei aprovada recentemente, e já derrotada temporariamente pelas massas, busca legalizar a mineração a céu aberto e o uso de cianeto, que estão proibidos na província de Chubut desde uma consulta popular na cidade de Esquel, em 2003.

A empresa imperialista já explora e administra minas no México, Peru, Bolívia e Argentina. 

O sujo histórico da Pan American Silver

A empresa canadense de mineração carrega consigo um histórico de violência e abuso contra as massas trabalhadoras em suas explorações na América Latina. No México, a companhia imperialista opera dois projetos, incluindo La Colorada, em Zacatecas, a maior mina da empresa. A mina foi inaugurada em 2004 e uma década depois iniciou sua expansão, despejando ainda mais camponeses.

Após dois anos de ameaças e assédio por parte da empresa, em 13 de janeiro de 2017, seguranças armados da Pan American Silver despejaram 46 famílias das terras que sua comunidade originária ocupava há quase um século. Suas casas foram destruídas e todos foram transferidos para casas de telhas de alumínio que lhes foram impostas, dentro de um complexo habitacional a 200 metros da mina. O complexo é afetado pelo ruído das máquinas e conta com um perímetro que é interligado com mina e iluminado 24 horas por dia, o que dificulta o descanso dos camponeses e operários.

Os moradores afirmam que não podem sequer comemorar um aniversário na área e que qualquer barulho é proibido depois das 23 horas. Eles não podem criar animais para se alimentarem, e há mesmo regulamentos sobre quais animais de estimação eles podem ter. Se os moradores lesam um móvel sequer nas casas impostas pela empresa, são multados em 300 pesos mexicanos (cerca de R$ 80). A água dos moradores já chegou a ser cortada por mais de um mês para ser priorizada na produção da mina.

As famílias denunciam que a empresa planeja desgastá-los para que deixem a terra, incluindo demitiram todos os funcionários da empresa que viviam na comunidade, desmascarando a falácia de que a mina “geraria mais empregos” a nível local. 

Na mina de Dolores Hidalgo, no México, além da mineração a céu aberto, a empresa imperialista contou com oito concessões do velho Estado para poços de extração de água e são utilizados cerca de 87 mil litros de água por hora na mineração.

Na Guatemala, a empresa comprou a já estabelecida mina Escobal, que contava com um histórico de assassinatos e abusos contra camponeses e povos originários locais.

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