Falece o histórico militante comunista Danilo Carneiro: presente na luta! (vídeo)

Danilo Carneiro em Araguaia, Presente!. Foto: Reprodução

Faleceu, no dia 1º de janeiro de 2022, o histórico militante comunista e combatente da Guerrilha do Araguaia, Danilo Carneiro, aos 80 anos. Danilo lutou contra um câncer na região da lombar, provavelmente decorrente das torturas que suportou quando preso na região do Araguaia, onde serviu em um dos destacamentos guerrilheiros.

Danilo iniciou sua aproximação com o comunismo ainda secundarista, quando residia no Rio de Janeiro. Com pai comerciante, teve uma vida confortável e boa educação. Marcou-lhe para sempre o ensinamento de sua mãe, de jamais ser condescendente à injustiça. Ao término dos estudos, mudou-se para Juiz de Fora, em Minas Gerais, quando integrou ativamente a luta do proletariado em greves e marchas; integrou na época o movimento estudantil. 

Apesar de sua atuação na luta de classes junto às massas proletárias ocorrer desde meados de 1956, Danilo só integrou o Partido Comunista do Brasil (reconstruído sob a sigla PCdoB) mais tarde, no final dos anos 1960. 

Apesar de não integrar nenhuma das organizações revolucionárias da época, Danilo foi perseguido após o golpe militar contrarrevolucionário de 1964, foi obrigado a abandonar os estudos universitários na Escola de Engenharia e foi à clandestinidade.

Já no Partido, diante do crescimento do cerco sobre sua atividade revolucionária, se colocou à disposição do Comitê Central para servir no que fosse mais útil ao Partido. Iniciaram-se as discussões e, no início de 1970, transferiu-se para a região do Araguaia. Iniciou ali a vida guerrilheira: os treinamentos militares, a sobrevivência na selva e o trabalho político com a massa de camponeses da região. Apesar das dificuldades que enfrentou para adaptar-se à vida e rotina militares, sempre deu demonstração plena de honestidade e integridade revolucionárias, e disciplina proletária. Conforme ele mesmo disse em seu depoimento à “Comissão da Verdade”, mesmo quando discordava das decisões do comando e da direção do Partido, após manifestá-las no momento de discussão, as cumpria sem reservas.

Preso enquanto reunia-se com uma dezena de camponeses, em abril de 1972 (ainda na primeira campanha de cerco e aniquilamento do Exército reacionário contra a guerrilha), Danilo passa a ser barbaramente torturado. Em seu depoimento à "Comissão da Verdade", relatou o grau de ignomínia a que alcançaram os gorilas e seus canídeos torturadores; relatou ainda a força e a vitalidade que recobrava ao tomar contato com seus camaradas e companheiros, após cada sessão de tortura, permitindo-lhe seguir resistindo e vencendo os carrascos. 

Durante o balanço do Araguaia, Danilo foi partidário da linha vermelha defendida pelo camarada Pedro Pomar, de retificar os erros no Araguaia através de uma profunda autocrítica. No seu balanço, Pedro Pomar defendeu que o erro no Araguaia foi de concepção contrária à teoria da guerra popular e propõe retomar a luta armada por esse caminho, até que o balanço foi interrompido pela chacina da Lapa com a ação conjunta de João Amazonas, que manobrou na luta interna e soterrou a discussão. Danilo relatou, várias vezes, a dor que sentiu ao saber do massacre da Lapa e, particularmente, da morte de Pedro Pomar. Em suas palavras: "Sabíamos que com a morte do Pomar, já era", referindo-se ao balanço e continuidade do Partido na linha vermelha, no depoimento lançado como extra, para o filme Araguaia, presente! Assim manteve firme posição até o último dia de sua vida, em que pese o companheiro Danilo ter identificado incorretamente como "stalinismo" a tradição direitista, dogmática e sectária que prevaleceu na direção sobre como tratar as divergências.

Danilo rompeu com o PCdoB no final dos anos 1970, quando o partido já se encontrava sendo liquidado pelo revisionismo de João Amazonas. De lá em diante, em todas as oportunidades, combateu inflexivelmente a direção deste engendro sob a continuidade da sigla PCdoB. Em suas palavras, "um partido da ordem burguesa, defensor do capitalismo".

Em seus depoimentos à "Comissão da Verdade", o companheiro Danilo  se distinguiu pela combatividade. "A Comissão é uma farsa. A anistia foi uma farsa", disparou, em um dos seus depoimentos. Em outro momento, enquanto os renegados e ex-guerrilheiros arrependidos dizem que optaram pela luta armada para restaurar a "democracia" (burguesa), Danilo asseverou: "A luta não era para derrubar a ditadura. Eu nunca lutei, nem conheço nenhum comunista que tenha lutado. Nós lutamos para enfrentar o capitalismo monopolista nacional e internacional, na perspectiva de construir um projeto socialista, o que é diferente".

Em 2018, no evento organizado pelo AND de lançamento do filme Araguaia, presente!, de André Queiroz e Arthur Moura, o companheiro Danilo teve um lugar de destaque e deu seu importante depoimento sobre as condições da luta guerrilheira e da necessidade de uma Grande Revolução. Asseverou naquela oportunidade: “Não é o sujeito político – ou seja, o Partido – quem faz a revolução: quem a faz são as massas – ou seja, o sujeito social. Mas não tem como o sujeito social fazer a revolução sem o sujeito político, porque é o Partido quem garante o rumo certo". 

Sua trajetória militante, espírito de devoção, firmeza, disciplina e a humildade para ensinar e também para aprender o distinguem, assim como a insubordinação diante da opressão. Gloriosa, sua vida é feita de íntegra entrega, anônima, à causa do Comunismo. 

Companheiro Danilo, presente na luta!

Abaixo, vídeo da intervenção da Danilo na farsesca "Comissão da Verdade".

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