RJ: Criança morre e outras duas são baleadas por militares durante operação da PM na Baixada Fluminense

Menino Kevin morreu após ser baleado no peito por PMs dentro de favela em Queimados, na Baixada Fluminense. Foto: Reprodução.

Kevin Lucas dos Santos Silva, de 6 anos, morreu ao ser atingido por um tiro no coração, após agentes da Polícia Militar (PM) adentrarem atirando na localidade conhecida como Morro da Torre, no bairro Inconfidência em Queimados, Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. A operação que resultou na morte de Kevin também deixou outras duas crianças baleadas ocorreu no dia 6 de janeiro.

No dia do ocorrido, moradores protestaram com faixas e cartazes exigindo justiça. Os manifestantes, revoltados com mais uma covardia feita por PMs, incendiaram dois ônibus na avenida Inconfidentes.

Moradores revoltados com mais uma ação genocida da PM realizaram um protesto horas depois de Kevin ser baleado. Foto: Reprodução.

Kevin é a primeira criança vítima de disparos de arma de fogo em 2022 no Rio de Janeiro. As outras duas crianças que foram baleadas conseguiram sobreviver. São elas: Gabriela Aristides dos Santos, de 13 anos, baleada na perna e na barriga e Ludmilla Teles, de 9 anos, atingida na perna. Gabriela passou por cirurgia no Hospital Geral de Nova Iguaçu. Já Ludmilla foi operada no Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias. O estado de saúde dela é grave.

De acordo com familiares, as crianças foram atingidas quando ajudavam um vizinho que fazia uma mudança, na rua Colombo. Nesse momento, policiais que estavam abrigados embaixo de uma lona numa parte mais alta da comunidade fizeram disparos para baixo e atingiram as crianças.

Como de praxe, a PM mentiu e retirou a culpa dos agentes militares. Em nota divulgada, a corporação genocida alega que uma equipe do 24º BPM (de Queimados) realizava um patrulhamento na região e foi atacada por delinquentes. Porém, de acordo com os moradores da localidade, nenhuma operação policial estava acontecendo na comunidade. Ainda segundo os moradores, os policiais já chegaram atirando no local de maneira covarde e indiscriminada, tendo atingido três crianças.

Mãe cobra justiça!

Durante o enterro de Kevin, no dia 07/01, no Cemitério de Austin, em Nova Iguaçu, Ana Cláudia Oliveira dos Santos, 27 anos, mãe do menino, ao mesmo tempo em que chorava pela dor de ter perdido o filho, expressava imensa revolta e indignação diante da covardia da qual Kevin foi vítima. Em entrevista à veículos do monopólio de imprensa, ela cobrou justiça: "Eu não quero dinheiro do governo, nada vai suprir a dor que eu estou sentindo e não vai trazer meu filho de volta. Eu quero justiça, mais nada. O sentimento é de dor, uma revolta, um ódio que ninguém vai trazer meu filho de volta. Isso não vai ficar assim, é uma covardia”, afirmou a mãe do menino de 6 anos. Ana denunciou também que os militares negaram socorro a seu filho.

Ana Cláudia contou também que Kevin implorou para não morrer: "As últimas palavras do meu filho foram ‘mamãe, não vai não. Fica comigo’. Ele falou isso três vezes. Eu tinha ido buscar minhas roupas para vender, eu vendo roupas. Ele nunca fez isso”, contou a mãe, sob forte comoção.

A avó de Kevin, Wanderléa Aparecida de Oliveira, expressou tristeza pela morte do neto: "Eu to morta que nem ele. Eu só não to ali dentro. Eu to morta. Você me olha assim, tá uma Wanderléa. Por dentro, só Deus sabe o que eu to sentindo. Eu queria morrer por ele. Eu dava a minha vida por ele", disse a avó do menino.

As operações policiais em favelas estão proibidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde junho de 2020, quando entrou em vigor a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635. Ainda assim, as operações policiais no Rio de Janeiro seguem sem qualquer restrição. Se trata de verdadeiro terrorismo de Estado onde a decisão de um delegado ou do chefe de polícia impulsiona operações policiais que assassina crianças e trabalhadores das favelas.

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