SP: Em Parelheiros, moradores denunciam a falta de saneamento básico

Moradores do bairro de Parelheiros, no extremo sul de São Paulo, têm se organizado para exigir o seu direito ao saneamento básico. A falta de esgoto é relatada desde a instalação dos primeiros moradores, há mais de uma década. Os moradores também denunciam que o atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), está se omitindo de resolver a situação.

Todos os dejetos produzidos nas residências acabam tendo que ir para locais impróprios. Os moradores são obrigados a construir fossas sépticas como solução. E, para isso, gastam do próprio bolso os custos das obras – como se não bastassem os altos impostos pagos que deveriam ser destinados para obras de saneamento básico. O acesso ao saneamento básico é um direito previsto na própria Constituição Federal de 1989 que todos os políticos reacionários dizem cumprir.

Moradores constroem fossas

Por conta da falta de esgoto, os moradores de Parelheiros constroem fossas nas próprias residências para o escoamento de todo tipo de dejetos. O trabalho de abrir as fossas sépticas é realizado pela própria população que ali mora (trabalhadores proletários ou semi-proletários).

A prefeitura, por sua vez, jamais enviou qualquer tipo de recurso para auxiliar na construção das fossas. De tempos em tempos, todo o trabalho precisa ser refeito por conta da necessidade de diminuir os efeitos da falta de uma rede adequada de esgoto.

Prefeito prometeu… e não cumpriu!

Os moradores da região denunciam que Ricardo Nunes, quando era ainda vereador, prometeu levar uma creche para a Rua Manoel Nóbrega de Albuquerque, uma das mais afetadas pela falta de saneamento. Nunes afirmava que, com a construção da creche, a criação de uma rede de esgoto seria efetivada. 

A obra para implementar o saneamento básico na rua nunca foi feita. Além disso, os moradores denunciam que há um esquema de desvio de verbas em torno da Creche, cuja construção encerrou-se em meados de 2018.

Povo exige solução!

Os moradores relatam que também fizeram um abaixo-assinado no objetivo de levar suas reivindicações até a prefeitura, numa exigência que seu direito seja atendido. A prefeitura, porém, desdenhou da iniciativa.

A administração de Ricardo Nunes (que sempre atende aos grandes empresários do município de São Paulo) afirmou que não poderia atender a reivindicação dos moradores de Parelheiros. A alegação canalha da prefeitura é de que não haviam assinaturas suficientes.

Mais de 20 mil casas não contam com saneamento básico

Em 2000 a região de Parelheiros contava com 25.960 domicílios. Segundo os dados disponíveis no Censo Demográfico deste ano, 81,3% destes domicílios não tinham qualquer ligação com rede de esgoto. Em 2010 o número subiu para cerca de 23.425 residências sem saneamento básico. O Censo Demográfico de 2020 não foi realizado, o que impede o conhecimento do número exato de domicílios sem acesso à esgoto atualmente.

Abrir fossas sépticas é bastante comum em residências que não possuem acesso ao sistema de esgoto. A prática era generalizado na cidade de São Paulo até os anos de 1970, década em que foi criada a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Porém o serviço está longe de chegar a toda população. Como outros aspectos da desigualdade social que assola o país, nos bairros ricos é bem mais presente a coleta de esgoto e oferta de água tratada, enquanto nos bairros pobres o serviço decai.

Em todo país, número de casas sem esgoto passa de 34 milhões

São mais de 34,1 milhão de domicílios brasileiros sem acesso a saneamento básico. O número de brasileiros vivendo sem acesso à coleta de esgoto chega a 100 milhões. Ele equivale a quase metade da quantidade de residências (49,1%). A falta de água tratada é outro problema que assola 35 milhões de brasileiros. As informações são do próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em dados de três anos atrás.

Um dos ministros do governo genocida e anti-povo de Bolsonaro, Rogério Marinho (da pasta de Desenvolvimento Regional) apontou que seria preciso cerca de R$ 700 bilhões para resolver todos os problemas de saneamento básico no país. O mesmo ministro apoiou o projeto de lei aprovado em 2020. Com a sanção da lei, será possível que mais e mais empresas públicas de saneamento sejam entregues nas mãos de empresários.

As residências localizadas na região norte do país são as que menos contam com acesso ao saneamento básico. Nos estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Amapá, Tocantins, Roraima e Pará somente 10% dos domicílios contam com coleta de esgoto. Desde a década de 1970 existem empresas privadas do ramo do saneamento básico atuando nesta região, sem que o serviço tenha melhorado. Ao contrário.

No Rio de Janeiro também ocorreu a privatização do serviço de saneamento básico com a venda da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). Após a venda da Cedae, o serviço de coleta de esgoto não foi ampliado e a cidade contou ainda com surto de água podre, com a presença de uma substância química chamada geosmina que levava cheiro e gosto ruins para a água tratada pela empresa privatizada.


Prefeito de SP deixa população de Parelheiros sem saneamento básico. Foto: Reprodução

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