França: 75% dos professores realizam greve contra ineficácia do governo no combate ao coronavírus nas escolas

Professores carregam faixa com as exigências Emprego, condições de trabalho e salários! escritas em uma manifestação em Bayonne. Foto: Copyright  AP Photo/Bob Edme

No dia 13 de janeiro ocorreu uma das maiores greves e protestos de professores em décadas na França. Cerca de 75% dos professores do ensino fundamental e 62% do ensino médio não compareceram às escolas, ao mesmo tempo que milhares de professores protestavam em todo o país, de acordo com os sindicatos. 

Apenas em Paris, 58% dos professores estavam em greve, e quase 200 escolas foram fechadas na quinta-feira, de acordo com o levantamento da prefeitura. Durante a marcha em Paris, os professores foram reprimidos pela polícia com bombas de gás lacrimogêneo, mas continuaram firmes a manifestação.

Governo é obrigado a aceitar demandas!

A mais importante reivindicação dos docentes franceses é em torno de garantir as condições para o retorno às aulas presenciais. O governo reacionário de Emmanuel Macron somente emitiu uma série de medidas para garantir esse retorno. Os docentes denunciam que suas demandas não foram atendidas e que o governo têm, ademais, criado dificuldades para a categoria.

Na véspera do retorno às aulas, após o feriado de Natal na França, o ministro da Educação Nacional Jean-Michel Blanquer modificou por três vezes as regras para evitar a contaminação nas escolas. Segundo os professores, isso gerou um verdadeiro caos, com escolas se mobilizando de noite para atender todas as regras. Na grande maioria das escolas, os protocolos não foram atendidos e os trabalhadores da educação ficaram completamente sobrecarregados.

Além disso, os professores exigiram que o governo contratasse mais profissionais, de modo a sanar a falta de docentes que já existe e que é reforçada por casos de ausência em decorrência da infecção por Covid-19.

Essas e outras reivindicações, como a testagem de alunos na escola e não em casa, foram levantadas por toda França na greve do dia 13 de janeiro.

As reivindicações dos professores franceses

A mobilização massiva abarcou a maioria da categoria e paralisou milhares de escolas. Algo que revoltou ainda mais os docentes foi o fato de que desde o início de janeiro os protocolos sanitários nas escolas já haviam sido alterados três vezes. As instruções do primeiro protocolo implementado foram anunciadas apenas um dia antes da volta às aulas e os professores denunciam que, desde o primeiro deles, foram informados apenas através do que foi divulgado pela imprensa.

Além disso, os primeiros protocolos especificavam que, no caso de suspeita de Covid-19 de algum aluno, o professor deveria interromper a aula imediatamente e ligar para os pais do jovem. Se um caso Covid-19 positivo fosse detectado, todos os outros alunos teriam que fazer três testes em quatro dias para permanecer na escola. Eles devem primeiro fazer um PCR ou teste de antígeno, com dois testes auto-administrados (cuja responsabilidade recai sobre os pais) a serem feitos em casa nos 2° e 4° dias.

Os testes, por sua vez, estavam disponíveis de graça nas farmácias mediante apresentação de documento da escola, mas os pais relatam que desde o início do ano escolar há escassez e que eles enfrentam longas filas para adquiri-los.

Já os professores infectados por Covid-19 não tinham sequer como serem substituídos, devido à falta de profissionais contratados pelo governo (uma situação há muito tempo criticada pelos professores e pais).

O governo do reacionário Emmanuel Macron e seu ministro da educação Jean-Michel Blanquer só anunciaram a distribuição de máscaras PFF2 e cirúrgicas aos professores e a contratação de mais de 3 mil profissionais da área da educação e profissionais não docentes e administrativos adicionais depois da greve dos professores e das manifestações. A outra exigência dos professores, de que os alunos fossem testados na escola e não em casa, ainda não foi atendida.

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