MG: Moradores fazem protesto contra a Vale após terem suas casas tomadas pela lama em Betim

Moradores da Colônia Santa Izabel fizeram uma marcha no dia 27 de janeiro para denunciar os crimes da Vale e a suspensão nos pagamentos das indenizações. Foto: Marcela Nicolas.

Moradores da Colônia Santa Izabel, no bairro Citrolândia, na cidade de Betim (Minas Gerais), fizeram um protesto contra a mineradora Vale no dia 27 de janeiro. Eles denunciam a Vale por não realizar reparos e obras de manutenção nas represas. Os moradores tiveram suas casas invadidas pela lama após as chuvas do início do ano e o transbordamento do rio Paraopeba. 

O leito do rio está contaminado desde 2018, por conta do crime da Vale em Brumadinho: o rompimento de uma barragem na região. Os moradores dizem que estão passando por diversos transtornos como a perda de eletrodomésticos, mau-cheiro, doenças e perda de plantações e animais. Para agravar a situação, a lama que invadiu a casa dos moradores está contaminada com rejeitos de alumínio, ferro e manganês.

Lama tóxica invadiu ruas e residências da Colônia, prejudicando a saúde dos moradores e causando danos materiais. Foto: Ailton do Vale.

O ato começou por volta de 8h e foi da praça matriz da Colônia até a beira do rio. Os moradores carregaram cartazes e gritaram exigindo justiça. Pessoas usaram peças de roupas marrom para simbolizar a lama que atingiu a comunidade. Participaram do ato membros da associação de moradores do bairro, militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e do Centro Franciscano de Defesa dos Direitos (Cefad).

De acordo com o Coordenador Nacional do MAB, Jocelino Andreoli, o ato é de extrema importância para denunciar os crimes contra o povo cometidos pela mineradora Vale. “Tinha um assoreamento feito pela mineração, feito pelo crime que a Vale cometeu em Brumadinho, e agora essa lama contaminada chega dentro das casas das pessoas, assim como também em Juatuba, São Joaquim de Bicas, lá em Brumadinho mesmo e várias outras cidades da Calha do Paraopeba. A Vale tem que ser punida por isso e tem que fazer a reparação necessária”, denuncia o coordenador.

E continua: "A empresa tinha que ter tirado a lama da barragem de Brumadinho antes, teve três anos para isso. Vão colocar a culpa na chuva, mas a chuva só conduziu a lama para um lugar que ela ainda não tinha chegado com força. E alertamos aos moradores: esse barro está contaminado. Agora, com ele secando, fica uma situação ainda pior, que é a poeira, que também traz riscos à saúde", ressaltou Jocelino.

Leia também: Manifestantes bloqueiam rodovias em Minas Gerais e denunciam: Vale assassina!

Uma situação extremamente preocupante para os moradores, é o fato que a lama que chegou no bairro está completamente poluída com metais pesados tóxicos. É o que explica a coordenadora da Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), Ísis Táboas: “Atualmente, são encontrados índices acima do permitido para alguns metais pesados, como alumínio, ferro e manganês. Esses metais, na concentração que encontramos hoje no rio Paraopeba, provocam doenças neurológicas e de pele, que se expressam nas coceiras, vermelhidão da pele, dores de cabeça das pessoas que têm contato direto com a água. A aedas tem uma consultoria especializada na análise da água que já realizou mais de 200 coletas ao longo de 2021”, contou Ísis.

Moradores denunciam Vale assassina e terrorista!

A doméstica Maria Luiza da Silva, moradora da Colônia Santa Isabel e participante do protesto, também denunciou a situação: “Sinto como se a lama estivesse dentro de mim”.Ela relatou que sua casa foi bastante atingida pela lama tóxica. "Minha casa ficou em estado precário. A lama invadiu tudo, é um mau-cheiro insuportável. Precisei voltar para a casa com minha irmã, que vive deitada, nessa situação. A plantação de frutas acabou. O pessoal vinha à beira do rio para pescar, fazer um churrasco, meu marido tinha umas canoas, tudo acabou de uma hora para outra", desabafou a trabalhadora.

Outra que teve a casa atingida pela lama foi a auxiliar de serviços gerais, Aparecida Sobrinho: “Meu marido perdeu a oficina, que funcionava em uma área de comércio. E perdemos tudo de casa também. Trouxemos o meu sogro para aqui para a gente cuidar dele, mas tivemos que sair correndo. Não imaginava que a água e a lama iam subir tanto. Agora, é a poeira que fica. Eu tenho asma, faço uso de bombinha e tomo remédios e tenho que conviver com essa poeira", contou Aparecida.

O profissional liberal Joel Amançaeiro, outro morador atingido pela lama, ressaltou o caminho da luta: "Eu nunca vi uma lama dessas antes. Na minha casa, perdi tudo. A enchente chegou ao telhado. Por isso vim hoje aqui, temos que lutar contra o que aconteceu. A Vale precisa resolver isso", afirmou o morador.

Os moradores também protestaram porque algumas famílias tiveram o auxílio que estava sendo pago desde o rompimento da barragem de Brumadinho bloqueados. "Nesses três anos, 30 mil pessoas tiveram bloqueios do auxílio. Estamos acionando as instituições para que consigamos o retorno desse pagamento", acrescentou Jocelino Andreoli.

Mineradoras e a exploração do povo do campo por toda América Latina

Durante o fim do ano de 2021 ocorreram manifestações contundentes contra a exploração das mineradoras em toda América Latina. No Chile, Peru e Equador, dezenas de milhares de camponeses realizaram ações de protestos contra empresas que exploram as riquezas naturais. Os protestos também denunciavam a carestia, o desemprego e o aumento dos combustíveis. 

Em todos estes países que tiveram protestos, a atividade mineradora é uma das principais atividades econômicas que saqueiam as riquezas naturais (minérios e demais substâncias encontradas no solo), destinando-a para controle dos monopólios imperialistas.

Leia também: América Latina é sacudida por novas rebeliões camponesas!

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