Mais de 800 camponeses bloqueiam porto de Maceió exigindo regularização de suas terras

Nesta segunda-feira, 31 de janeiro, centenas de camponeses de mais de 19 cidades de Alagoas ocuparam o porto de Maceió, principal ponto de escoamento da produção do latifúndio no estado. Os camponeses, organizados pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP), Movimento de Luta pela Terra (MLT), Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) entre outras organizações, exigiam uma reunião com o governador Renan Filho (MDB), que no momento da manifestação encontrava-se em reunião com Luiz Inácio (PT). A manifestação exigia que o governador cumpra sua promessa de campanha da “reforma agrária estadual”.

Na ocasião, Renan Filho havia prometido desapropriar as terras da antiga Fazenda Laginha (12 mil hectares). As terras pertenciam ao Grupo João Lyra, cujo dono morreu no ano passado, deixando bilhões em dívidas ao Estado, credores e ex-funcionários.

Diante de dois mandatos do governador do estado de Alagoas sem cumprir sua promessa, as famílias camponesas resolveram pressioná-lo para que desaproprie a fazenda Laginha e entregue a terra aos camponeses.

Além disso, os camponeses organizados pela LCP também reivindicam a regularização da posse das terras do antigo Lageiro, após mais de 10 anos de posse pelos trabalhadores e reiteradas comprovações de que a Usina Utinga Leão não é dona dessas terras – os autoproclamados donos nunca apresentaram documento que comprove seu direito sobre a terra. A LCP também participou dessa jornada de lutas para pressionar o governo do estado e o Instituto de Terras (Iteral) a regularizar as terras em favor dos camponeses.

Sob as palavras de ordem Contra a crise: Tomar todas as terras do latifúndio! centenas de camponeses marcham exigindo regulamentação de suas terras. Foto: Banco de dados AND

O mar virou sertão!

Foram três dias de grande mobilização dos camponeses do estado de Alagoas.

Desde o domingo (30/01), os camponeses realizam manifestações pela cidade. Os trabalhadores acamparam em uma praça na Sinimbu e saíram em ato pelas ruas da cidade em direção ao porto. Cerca de 800 camponeses ocuparam o porto durante quase toda manhã até as 13h de segunda-feira (31/01). 

Após negociação com o presidente do Iteral e administração do porto ficou acordada uma reunião no dia seguinte com o desembargador presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas Klever Rêgo Loureiro, que estava de férias e teve de viajar para se reunir com os movimentos.

Na terça-feira (01/02) mais uma vez houve uma marcha pela cidade durante a manhã, antes da reunião com o Tribunal de Justiça. A manifestação demonstrou grande combatividade e organização dos camponeses, que também receberam apoio de transeuntes que passavam buzinando. 

Erguendo uma faixa com os dizeres "O povo quer terra! Despejo não!" Centenas de camponeses ocupam as ruas de Maceió. Foto: Banco de dados AND

Camponeses marcham em vias perto do Porto onde produção do latifúndio é escoada. Foto: Banco de dados AND

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