Atualizado: MEPR e Alvorada do Povo lançam boletim pela abertura das universidade e volta às aulas presenciais

Repercutimos em nosso portal o Boletim do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e Alvorada do Povo (AP) intitulado "Pela abertura imediata das universidades e retorno das aulas presenciais!". O Boletim foi publicado no dia 3 de fevereiro no portal do MEPR.

O Boletim pode ser acessado no formato PDF clicando aqui.


Pela abertura imediata das universidades
e retorno das aulas presenciais!


Defender com unhas e dentes o ensino público e gratuito dos ataques do governo militar genocida do fascista Bolsonaro!

1. A criminosa manutenção das universidades fechadas e a vergonhosa capitulação dos oportunistas e da burocracia universitária

Está prestes a completar dois anos (dois anos!) do fechamento das universidades públicas brasileiras. Tal medida, junto à implementação da EaD, desempenhou papel significativo para aprofundar os planos de sucateamento e privatização do ensino superior público em nosso país. Nesse sentido devemos nos perguntar: onde nos trouxe esse caminho burocrático de funcionamento da universidade na pandemia, defendido pelo governo militar, pela burocracia universitária com o concurso dos oportunistas?

Estamos vendo o desmoronamento da universidade diante de nossos olhos. A evasão corrói as universidades públicas brasileiras e será a antessala de justificativas de fechamento de cursos e estruturas, ou sua transformação em EaD. Para pegar um exemplo, só na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), 2000 estudantes “desistiram” (foram expulsos na verdade) da universidade durante a pandemia. Essa situação é geral nas universidades públicas brasileiras. Silenciosamente, muitos estão abandonando a universidade sem que sua direção e órgãos gestores sequer se incomodem minimamente com isso, ainda menos o MEC e sua corja de fascistas e obscurantistas, assim como o oportunismo imobilista encastelado nos departamentos de curso, sindicatos docentes, DCE’s e Centros Acadêmicos. A cada semana que passa mais e mais estudantes são expulsos por falta de condições de se manterem, grande parte em busca de emprego, empurrados pela grave situação de miséria e carestia que assola nosso povo. Situação essa que se torna mais drástica com os acachapantes cortes de bolsas, pesquisas e projetos que não param de ocorrer, além do sucateamento da assistência estudantil, quase inexistente após os criminosos cortes de verbas.

Tal política imposta em todo esse período de pandemia foi, na verdade, uma verdadeira máquina de moer estudantes e professores, esgotando-os física e psicologicamente. O que se propôs foi o pacto da mediocridade, onde o professor fingia que ensinava e os estudantes deveriam fingir que aprendiam. É a aplicação no ensino superior da famigerada lógica da “aprovação automática”, vigente no ensino básico há décadas com graves consequências para a aprendizagem de nossas crianças. Muitos professores cumpriram o papel nefasto de colocar o “protocolo” acima da aprendizagem e bem-estar de seus alunos, como se tudo continuasse normal. Enquanto alguns se acomodaram no pacto da mediocridade, houve professores comprometidos com o ensino e aprendizagem que se desdobraram em jornadas alucinantes de trabalho, resultando em um inevitável adoecimento da categoria. A palavra de ordem que predominou na universidade é “se virem”, tanto estudantes como professores. Não importando que existam muitos estudantes sem internet, ou com problemas de acesso, sem estrutura em suas casas, que tenham acumulado outros afazeres durante a pandemia, como o trabalho ou cuidar da casa, filhos ou parentes enfermos.

Dessa forma, a universidade pública e gratuita vai se igualando à maioria do ensino privado, sendo transformada em mera distribuidora de diplomas, reduzindo drasticamente o processo de ensino e aprendizagem e mais ainda a produção científica nacional. O que obtivemos nesse período? Nada, ou quase nada. A que custo? Ao custo da evasão gigantesca de estudantes, avanço da privatização, implementação da EaD, desmobilização estudantil e retirada de direitos, um custo alto que está cobrando seu preço.

Hoje temos uma enorme parcela dos estudantes que passou quase metade de seu curso na EaD, inclusive sem nunca ter pisado no campus universitário. Isso trará uma enorme defasagem na formação desses estudantes e futuros profissionais, ainda veremos as consequências no futuro.

A manutenção das universidades fechadas, mesmo com o avanço da vacinação, com todas as escolas do ensino básico funcionando, até mesmo shows sendo autorizados, estádios lotados, bares funcionando, corrobora com o corte de verbas e, logo, com seu sucateamento e privatização. Afinal, se as universidades estão paradas e sem funcionamento, por que precisam de verbas? Outro ponto é que, se por um lado o fechamento foi justificativa para a implementação da EaD, a manutenção desse fechamento junto aos cortes de verbas e a posição covarde dos imobilistas, serve para a continuação da EaD e a substituição permanente das aulas presenciais por essa modalidade precarizada e tecnicista, mais barata ao governo e que converge com seus planos de domínio ideológico das universidades, colocando-as dentro de uma lógica privatista e alheia aos interesses do povo e da nação.

Por mais que seja gravíssima a situação da universidade pública, sua burocracia, juntamente com os imobilistas, oportunistas e acomodados, seguem defendendo a atual política de fechamento das universidades e EaD!

Esses oportunistas são cúmplices conscientes dessa destruição levada a termo pelo governo militar genocida do fascista Bolsonaro. Defenderam desde o princípio o caminho burocrático de trancar as universidades com um cadeado, impor a EaD para todos os estudantes dizendo que era a única forma possível de funcionamento do ensino durante a pandemia. Essa foi a posição de capitulação dos oportunistas fazendo coro com o terrorismo psicológico encabeçado pela rede Globo do “fique em casa a qualquer custo, e deixe o povo se virar” (política que vai no mesmo sentido da de Bolsonaro de “morra quem tem que morrer”). Atacaram ferozmente o movimento combativo e revolucionário que se colocou a lutar presencialmente pelo direito dos estudantes e do nosso povo, taxando-o de “espalhador de vírus”. De dentro do conforto de suas casas, não só não fazem nada como tentam impedir os que se atrevem a lutar. Esses hipócritas (tendo muitos deles saído de casa nas eleições para distribuir panfletos e fazer campanhas para seus candidatos durante a pandemia) compartilhavam nas redes sociais saudações às rebeliões na Colômbia, Chile, EUA, mas criticavam quem queria fazer o mesmo aqui.

De outro modo atuou o movimento estudantil combativo, que se lançou convocando os estudantes a lutarem e se mobilizarem presencialmente, defendendo que era sim possível fazer isso com proteção, que isso era científico, mas mais que tudo necessário de ser feito e se comprovava pelas lutas ao redor do país e do mundo. Quem não via e segue sem ver essa realidade (ou propositalmente não queria e nem quer ver) era de fato tão obscurantista e anticientíficos quanto os bolsonaristas com suas cloroquinas. Os grandes protestos em 2021 só vieram comprovar nossa posição, tendo inclusive os oportunistas saído de suas “férias” para tentar desviar as manifestações para seus projetos eleitoreiros. Além disso, defendíamos outro caminho para a universidade: que ela se abrisse a serviço do povo! Que usasse de sua estrutura, capacidade técnica e científica, professores e estudantes, para ajudar o povo a prevenir o contágio e combater a situação de miséria, fruto dos ataques do governo militar genocida de Bolsonaro.

Aqui também fazemos a distinção das pessoas que, durante a pandemia, não se sentiram seguras para atividades presenciais, mas que, no entanto, não condenaram aqueles que lutavam, pelo contrário, os apoiavam e ajudavam na medida do possível; estes em nada têm relação com os imobilistas que apontaram os canhões, chegando ao delírio de tachar de genocidas os que lutavam defendendo a universidade pública e os direitos do povo.

O imobilismo cada mês arranja uma nova desculpa para adiar a volta às aulas presenciais. Falaram que voltariam depois que os professores fossem vacinados, depois destes já imunizados, somente se depois que a maioria da população também fosse, mas depois que se vacinou grande parte da população, a justificativa era o receio pela variante delta, agora falam do impacto das festas do fim de ano… e ainda relativizam a volta com seu discurso “tem que ver pois o vírus ainda está circulando…”. Daqui a pouco só vão querer voltar quando o vírus desaparecer da face da Terra! Jogam assim para adiar ao máximo a volta às aulas presenciais. Desculpas não faltam… a paciência sim!

Esses imobilistas no fundo são anticientíficos. Não confiam na ciência, não confiam na vacinação, nem nas medidas protetivas, muito menos na capacidade de organização das massas para enfrentar os problemas. Então para que servem as medidas? Para que serve a vacina? A máscara, o álcool gel? O que fazem é inclusive colocar em dúvida sua eficácia. Em seu subjetivismo alarmista, relativizam tudo e toda desculpa é valida. Mera demagogia para encobrir sua posição capituladora e imobilista. O vírus continuará circulando e isso é algo natural, assim como ocorre com outras doenças, porém, também sabemos que não estamos na Idade Média e temos sim medidas hoje desenvolvidas pela ciência para combatê-lo de forma eficaz e evitar sua proliferação. Esses charlatões, quando usam dessas desculpas esfarrapadas, vão contra a própria universidade pública que dizem defender. Pois muitos desses estudos sobre o vírus e o combate a ele, protocolos, medidas e mesmo o próprio desenvolvimento de vacinas estão sendo feitos nas universidades públicas.

Na verdade são descarados cínicos e hipócritas. Quantos desses imobilistas que defendem ferozmente a manutenção do fechamento das universidades e a EaD, não os vemos viajando, saindo, indo em bares lotados, festas, inclusive com enorme descuido das medidas protetivas. Sua posição “pela vida” na verdade é unicamente da sua e de seus familiares. Não da vida do povo que estava sofrendo e precisava da universidade, não dos estudantes que passam dificuldades, com bandejões, bibliotecas e espaços das universidades trancados e que até mesmo adoecem. Lembraremos inclusive dos que aprovaram a obrigatoriedade da EaD e sua vinculação com as bolsas, o que fez com que muitos estudantes que não conseguiram acompanhar a EaD fossem expulsos da universidade. Para essas vidas a universidade não moveu um dedo. O nosso povo não parou um dia de trabalhar, enfrentando ônibus lotados e todos os horrores no pior período da pandemia enquanto a universidade lavava suas mãos.

Inclusive muitos desses foram incluídos na prioridade de vacinação, passando na frente de muitos outros trabalhadores. Os professores da rede básica se vacinaram e logo voltaram as aulas presenciais nas escolas, primeiro gradativamente, e depois em muitos estados já 100% presencial, com medidas protetivas, sem grandes picos de contaminação, mostrando a eficiência da vacina e organização dentro da sala de aula. Agora, por que não ocorreu o mesmo com as universidades públicas? Defendíamos sim a vacinação de todos os trabalhadores do ensino, mas inclusive como medida para que se voltasse o quanto antes as aulas presenciais nas escolas e universidades, entendendo a importância disso para os estudantes e o povo. O que ocorreu foi que a parcela de professores universitários acomodados, encastelados em seus departamentos e na burocracia sindical, puderam se manter muito bem protegidos e vacinados em suas casas trabalhando na frente de seus computadores pela EaD, contentando-se em resmungar em lives e tuitaços.

Não há hoje nenhum motivo para não voltar as aulas presencialmente. As escolas voltaram e não houve nenhum pico de contaminação por conta disso. A experiência nas escolas nos mostra que é possível organizar a aula e os espaços de forma a seguir medidas protetivas e se prevenir contra o vírus, ainda mais com a crescente cobertura vacinal de hoje. A própria experiência das universidades também o mostra, várias atividades, práticas e mesmo aulas presenciais foram realizadas durante a pandemia e mais ainda no período recente. Sem falar nas próprias faculdades privadas, que há meses voltaram presencialmente e onde também não se viu crises de contaminação.

Podemos inclusive nos perguntar: porque não há nenhum estudo realizado sobre a disseminação do vírus nessas atividades universitárias? Não existe porque não há interesse. Não há interesse em demonstrar que é possível a universidade funcionar presencialmente hoje, que a organização e medidas protetivas são efetivas e que nessas atividades não houve crise de contaminação. As pesquisas feitas nas escolas sobre a volta às aulas presenciais mostram exatamente isso. Na verdade, o que observamos foi as crianças em grande parte tomando mais cuidados e ficando mais protegidas do que quando estavam fora da escola. Se escolas de periferia e mesmo as escolas em geral conseguiram voltar presencialmente, por que um lugar com muito mais estrutura e recursos, inclusive onde se produz ciência e pesquisas de alto nível, não conseguiria planificar uma volta às aulas presencial? Não ver isso é amesquinhar a ciência e a própria universidade, seus estudantes e trabalhadores do ensino, é não acreditar na capacidade de organização das massas e, por parte dos mais conscientes é, no fundo, defensivismo. Existem essas condições e temos que demonstrar isso!

Todas essas desculpas esfarrapadas escondem o verdadeiro motivo de manter as universidades fechadas e a continuação do EaD. Por um lado, ao governo interessa a desmobilização dos estudantes e professores e a economia de recursos, enquanto destrói a universidade e aproveita para avançar suas medidas privatistas. Por outro, uma parcela importante dos professores se paralisa, se conformando com a atual situação de descalabro. Ao fazerem isso, trocam a universidade pública por algumas comodidades, além do que, no fundo, tal posição é política eleitoreira dos oportunistas que, de olho na farsa eleitoral de 2022, usam da destruição da universidade pública como desgaste do governo atual, para poderem denunciá-lo, não agora que urge fazê-lo, mas na próxima eleição fazendo campanha para seu candidato como o salvador da pátria. Escondendo também sua omissão covarde diante desses graves ataques. A luta pela reabertura das universidades e volta às aulas presenciais é uma luta política em defesa da educação pública gratuita, científica e a serviço do povo e progresso da Nação.

Nossas universidades públicas foram sequestradas pelos oportunistas e o governo militar genocida que a está demolindo e privatizando. Esses canalhas colocaram cadeados e a fecharam criminosamente. Substituíram nossa universidade por frias telas de computador. Os oportunistas e a casta deles que se encontra em seus pequenos feudos, encastelados na burocracia universitária e sindical, agem como se a universidade fosse deles, como se pudessem decidir sobre quando voltar e o que fazer, tudo a revelia dos estudantes e do povo. Assim como impuseram de forma antidemocrática o fechamento e a EaD, também da mesma forma decidem sobre sua continuidade.

A voz dos estudantes é muito clara, queremos a volta presencial e queremos já! Queremos nossas universidades de volta! Não aguentamos mais a EaD! Não aguentamos mais ficar em casa enquanto as universidades estão fechadas e juntando poeira!

2. Voltar às aulas presenciais é chave para avançar a mobilização estudantil e barrar os ataques do governo militar genocida do fascista Bolsonaro!

Diante de todos esses ataques e problemas, a EaD, junto ao fechamento das universidades, corroborou enormemente na desmobilização da luta estudantil, afetando-a como nunca antes na história, e conseguindo, com isso, dificultar a resistência aos ataques ao ensino público e aos direitos do nosso povo. Não tenhamos dúvidas que os cortes de 1 bilhão no orçamento da educação e agora a retirada de 92% do orçamento da CAPES e 600 mil bolsas dos programas de PIBID e Residência Pedagógica, além de outros ataques, certamente teriam uma resistência enormemente maior se as universidades estivessem abertas e as aulas houvessem voltado presencialmente.

A volta às aulas presenciais na situação de hoje não só é possível, como extremamente necessária. Inclusive só conseguiremos barrar a evasão e outros problemas com a volta às aulas presenciais. O estudante, para combater todas as dificuldades inerentes a vida acadêmica e ainda mais as que estão fora desse âmbito, só o consegue se tem vínculo com a universidade, vínculo esse que foi debilitado enormemente pela pandemia, isolamento e EaD. Que vínculo pode se estabelecer pelas aulas online, atrás de computadores e celulares? E é nas aulas presenciais onde podemos ter contato com nossos colegas, tirar dúvidas das matérias, ter apoio tanto no plano acadêmico como pessoal, além do próprio aprendizado.

Voltar as aulas presencialmente também é fundamental para defendermos a democracia na universidade, e impedir que a burocracia universitária tome decisões contra os estudantes e a própria universidade pública, como corte de bolsas, projetos, reformulação de curso, mudanças de currículos, avançando medidas privatistas sem resistência ou às escondidas. É muito mais fácil restringir a democracia, já débil, em reuniões online. Para isso é chave que estejamos dentro das universidades, cobrando diretamente as direções, coordenações de curso e reitorias.

Além disso, enfrentamos dificuldades na mobilização estudantil no segundo semestre de 2021, mesmo com progressiva taxa de vacinação. A volta das aulas presenciais está intimamente ligada à luta presencial. Faz parte da luta presencial dos estudantes. Nosso princípio é trabalhar, viver, e lutar com as massas. Isso de modo inseparável. No caso dos estudantes, trabalhar é estudar. Se uma dessas partes é debilitada, a outra também estará. Só conseguiremos dar um salto na mobilização estudantil quando estivermos estudando e vivendo junto com os estudantes e isso só pode ser feito dentro das universidades e nas salas de aula, presencialmente. É exatamente isso que a EaD e o fechamento das universidades nos retira. Com isso cumpre importante papel na dispersão e desmobilização de um dos contingentes de massas mais sensível nos momentos de crise. É por isso que se trata de verdadeira medida contrainsurgente por parte do governo militar genocida de ataque brutal à mobilização estudantil. Atacam a organização da juventude, impedindo que esta enfrente com mais contundência o maior ataque as universidades públicas em décadas!

Em toda história do nosso país, estudantes e professores se levantaram contra as medidas antipovo dos mais variados governos de turno. Nunca se calaram, nunca ficaram sentados, ajoelhados, assistindo ataques contra o povo. O fechamento da universidade também é um grave ataque ao povo, sendo que sua abertura é importantíssima para a luta popular em geral. Além disso, as universidades são caixas de ressonância da luta de classes. São tribunas aos quais os estudantes sempre usaram para denúncia e defesa dos direitos do povo, como os que tem ocorrido contra os camponeses, indígenas e quilombolas na luta pela terra. Nos retiraram também esse importante espaço e devemos retomá-lo!

3. Lutar pela reabertura imediata das escolas e universidades é a principal tarefa dos estudantes hoje!

A situação que temos hoje nas instituições públicas de ensino superior é que grande parte delas não voltaram ao funcionamento presencial. Algumas jogaram a volta para daqui a três, quatro meses, e outras nem apresentaram uma data ainda. Grande parte não possui um plano concreto de volta e está enrolando. Quanto mais demorar, mais evasão haverá, mais problemas, mais cortes. Por acaso a situação será melhor daqui a alguns meses? Tudo indica que será pior. Algumas reitorias de universidades já anunciam descaradamente à comunidade acadêmica que não há verbas para voltar presencialmente neste ano. O que é tal declaração se não a comprovação do que falamos? Quem tenha ouvidos que ouça. A situação é grave e não podemos ser passivos nesse momento, muito menos confiar cegamente nas meias palavras das reitorias e direções das universidades sobre a volta às aulas presenciais.

Quanto mais tempo passar, mais ameaçada ela estará. Quem sabe o que ocorrerá nos próximos meses? Nada impede que por conta das festas de fim de ano, carnaval, falta de verbas, entre outros, se arranjem desculpas para manter o fechamento e a EaD, ou seja, qualquer motivo pode ser usado para colocar a volta às aulas presenciais em risco. Inclusive a própria posição canalha dos oportunistas, como foi o caso da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, onde a reitoria havia deliberado pela volta presencial, mas o sindicato dos professores entrou na justiça contra a decisão, ganhando e adiando-a para 7 meses depois! Sem a pressão dos estudantes, unindo-se aos professores e demais trabalhadores verdadeiramente democráticos, qualquer desculpa pode ser usada para adiar esta volta e manter o fechamento e a EaD indefinidamente.

Recentemente, o CNE elaborou um documento para a adequação das universidades para a manutenção do ensino híbrido, após a pandemia na educação básica e superior, pretendendo aprovar neste início de ano como um documento orientador para a “adequação das instituições de ensino superior para as demandas do século 21”. Esta é mais uma prova que, quanto mais demorar a volta presencial, mais medidas serão implementadas para dificultar ou restringir a volta presencial e atacar as universidades públicas. Há o risco concreto das aulas presenciais ainda não voltarem, por isso se faz urgente levantar imediatamente a bandeira da “reabertura imediata das escolas e universidades!”.

Há ainda os que apontam inúmeros problemas como impeditivos para a volta presencial, tais como: que há falta de ônibus, que os estudantes estão longe na casa de familiares, que a universidade não têm verbas, etc. etc. Problemas sempre houve, a questão é, primeiro, eles não podem ser um impeditivo para a volta e, segundo, só serão resolvidos se bradarmos por ela concretamente. Além disso, não podemos cair no idealismo de pensar num retorno perfeito. A universidade pública sempre teve problemas, e ainda mais depois de quase 2 anos de fechamento e cortes.

Colocar o centro das atenções e da luta somente nesses problemas é desviar o foco. Devemos sim brigar por melhores condições de volta, mas estas são parte da luta pela volta às aulas presenciais que devem estar junto em nossa propaganda. E não basta abrirmos a biblioteca, melhorar os transportes, ter álcool em gel, testes, abir o RU se não voltarmos com as aulas presenciais. Nesse sentido, devemos cuidar para não abrir brechas que façam com que o oportunismo, invertendo os papéis, faça uma lista de requisitos e jogue a volta presencial para as calendas! Até porque com os cortes de verbas, tais condições vão ficar cada vez mais difíceis, por isso não podemos colocar uma coisa condicionando a outra, senão nunca as aulas presenciais voltarão. A luta pela volta às aulas presenciais faz parte da luta contra o corte de verbas, e claro, dentro disso, elevarmos a luta pela volta presencial brigando por melhores condições sanitárias e participação estudantil no planejamento do retorno.

Existe uma grande massa de estudantes e professores que anseia pela volta às aulas presenciais, mas que pela dispersão e coerção dos imobilistas, ainda não tem a iniciativa para se lançar a essa luta e é preciso confiar nela. É papel dos estudantes, ainda mais de sua vanguarda, unidos aos professores verdadeiramente democráticos e à própria comunidade, levantar bem alto essa bandeira. E tenhamos a certeza de que centenas e milhares nos seguirão, pois esse é o interesse da maioria, comprovado cada vez mais! Assim, o que nos demanda hoje é ter postura ativa e audácia! Se apoiar nas massas e na luta presencial e combativa para retomar nossas universidades e barrar todos os ataques privatistas contra o ensino público e gratuito e o direito de ensinar, estudar e aprender!

Pela reabertura imediata das universidades e retorno das aulas presenciais já!
Abaixo os cortes de verbas no ensino público!

Desencadear greves de ocupação e implementar o co-governo estudantil
contra os cortes de verbas e a privatização do ensino público!

Defender a autonomia e democracia universitárias!

Pelo direito de ensinar, estudar e aprender!

MEPR – Movimento Estudantil Popular Revolucionário

AP – Alvorada do Povo

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