PR: Entre o aumento salarial dos burocratas e a repressão às massas

Prefeito reacionário de Curitiba, Rafael Greca aumenta salários de burocratas, enquanto reprime as massas populares. Foto: revista ISTOÉ (Modificada).

No último dia 11 de janeiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – indicador oficial de inflação do país – encerrou 2021 em 10,06%. O medidor em questão, referente à faixa de 1 a 40 salários mínimos, superou em muito o teto da meta de inflação definida pelo Banco Central, que era de 5,25%. Desse modo, 2021 tornou-se o ano mais inflacionário desde 2015 (10,67%) e o 4º maior desde 1994, esse último marcado pela criação do Plano Real.

Variação acumulada no ano durante o Plano Real (dez/1995–dez/2021). Dados referentes ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Imagem: Banco de Dados AND. Fonte: IBGE.

Dentre todas as capitais do Brasil, Curitiba/PR e sua Região Metropolitana (RMC) lideraram os índices de inflação acumulada em 2021: o IPCA bateu 12,73%. Há três grupos de serviço que merecem destaque, visto que são responsáveis por cerca de 79% do IPCA do último ano: em Transportes a inflação saltou de 1,03% (2020) para 21,03% (2021), sobretudo devido à alta de 51,78% no preço da gasolina; em Habitação (energia elétrica, botijão de gás e água) houve inflação de 13,05%; em Alimentação e Bebidas, o IPCA ficou em 7,94%. Além disso, esses três grupos em conjunto são aqueles que mais afetam a vida diária do povo brasileiro. Quanto ao Transporte, é válido ressaltar que o preço da passagem em Curitiba e RMC é cotado para aumentar em 2022, impactando a vida de centenas de milhares de trabalhadores que dependem do sistema de transporte público coletivo.

O valor da tarifa de ônibus deve aumentar em Curitiba e RMC: em São José dos Pinhais já houve reajuste de 20%. Imagem: Luiz Costa/SMCS.

Há também o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referente à faixa de 1 a 5 salários mínimos, sendo, portanto, mais próximo à realidade dos trabalhadores assalariados de nosso país. No Brasil, o INPC fechou o ano em 10,16%, quase o dobro dos 5,45% de 2020. Em Curitiba, o medidor supracitado alcançou 12,84%, muito por conta do aumento do preço da cesta básica (16,3% em dezembro de 2021), que foi o maior dentre todas as capitais. Produtos como café, açúcar e farinha de trigo, por exemplo, tiveram grande alta no último ano.

Observando os dados apresentados pode-se constatar com clareza que o aumento dos índices de inflação tem um impacto maior e mais direto justamente na vida das massas trabalhadoras brasileiras, que assistem diariamente ao aprofundamento de sua miséria com a política da fome e da morte. Corroboram com essa afirmação os dados divulgados em 18 de janeiro pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que mostram que a inflação foi menor para classes de rendas mais altas em 2021. As faixas de renda média-alta (rendimento mensal por domicílio entre R$ 8.956,26 e R$ 17.764,49) e alta (maior que R$ 17.764,49) foram as únicas a registrarem inflação abaixo de 10% no ano passado – 9,66% e 9,54%, respectivamente.

 Faixas de maior renda tiveram menor inflação em 2021, tal como em 2020. Imagem: Banco de Dados AND. Fonte: Ipea.

Salário dos burocratas aumenta mais que o do povo

O povo brasileiro é obrigado a aguentar rotineiramente o aumento do preço de tudo o que compõem suas necessidades diárias basilares: alimentos, energia elétrica, botijão de gás, água, aluguel, transporte público coletivo e muito mais. Todos esses acréscimos no custo de vida são, por sua vez, frequentemente acompanhados pelo recebimento de um salário mísero, que não passa de uma porção de migalhas distribuídas pelos gestores do capitalismo burocrático e do velho Estado burocrático-latifundiário.

Em dezembro de 2021, a Medida Provisória nº 1.091/2021, assinada pelo gestor fascista Jair Bolsonaro, estabeleceu um salário mínimo de R$ 1.212,00 a partir de janeiro de 2022. Segundo o Ministério da Economia (comandado pelo criminoso chicago-boy Paulo Guedes), a fim de “preservar o poder de compra do trabalhador”, foi utilizada uma previsão da inflação medida através do INPC para 2021, que supostamente totalizaria 10,02%. Todavia, os dados do IBGE mostram que o INPC fechou o ano em alta de 10,16% em território nacional. Neste âmbito, o salário mínimo não acompanhou o indicador e foi definido em um valor menor do que deveria, evidenciando o desamparo e o descaso do putrefato aparato estatal brasileiro para com as massas assalariadas.

Concomitantemente, o salário dos burocratas e políticos do velho Estado, que gargalham com a miséria de nosso povo, engorda cada vez mais. Na capital paranaense, no último dia 12 de janeiro, a Câmara Municipal aprovou, com esmagadora maioria dos votos, o aumento de salários para prefeito, vice-prefeito, vereadores, secretários, dentre outros. Em sessão legislativa extraordinária, os 38 vereadores de Curitiba deliberaram sobre os Projetos de Lei Ordinária nº 005.00001.2022 e nº 005.00002.2022, que garantem o reajuste linear para repor os efeitos da inflação. Fato interessante é que desses 38 vereadores, 18 já manifestaram claro interesse em disputar cargos como deputados nas eleições de 2022, o que evidencia o caráter pútrido da farsa eleitoral burguesa.

 Os canalhas Rafael Greca (prefeito) e Eduardo Pimentel (vice-prefeito) terão salários acima de R$ 31 mil e R$ 14 mil, respectivamente. Imagem: Pedro Ribas/SMCS.

Com o aumento salarial, o prefeito facínora Rafael Greca (DEM), que recebia R$ 27.495,23, passará a receber R$ 31.262,30, totalizando um reajuste de 10,25%, porcentagem essa bem maior que a da variação fajuta do salário mínimo (10,02%) e que o próprio IPCA de 2021 (10,06%). O ajuste para os secretários também foi de 10,25%: houve aumento de R$ 18.281,10 para R$ 20.785,61. Quanto aos vereadores, muitos dos quais já não veem a hora de tornarem-se deputados para encherem ainda mais seus bolsos, o ajuste salarial foi ainda maior, atingindo 11,59%: receberão agora R$ 17.401,42 ante os prévios R$ 15.594,73. Para os demais servidores o ajuste foi de 13,71%, e para os servidores da Câmara foi de estrondosos 19,22%.

O impacto anual de todos esses reajustes determinados pelos PLO supracitados será de R$ 386,5 milhões na folha de pagamento do município. Além disso, enquanto o salário mínimo aumenta em pífios R$ 112,00, o de Greca soma um acréscimo de absurdos R$ 3.767,07. 

Novas armas, velha receita: modus operandi do Estado burocrático

Prevendo a revolta das massas com todos os absurdos que lhes são impostos, sobretudo neste ano que se inicia, marcado pela farsa eleitoral e pela agudização da luta de classes, a Prefeitura de Curitiba já fez questão de prover aos seus cães de guarda novos e mais pesados armamentos. No último dia 18 de janeiro, foram entregues à Guarda Municipal (GM) de Curitiba um total de 1.316 pistolas calibre 9 mm, 15 fuzis semiautomáticos e 13 carabinas, a fim de substituir o equipamento padrão até então (revólveres e pistolas calibre 380).

Um fato tragicômico que ocorreu na cerimônia de entrega do novo armamento à GM foi uma vergonhosa “bênção” à qual os equipamentos foram submetidos. Uma foto que mostra um diácono abençoando armas ao lado de Greca havia sido publicada no acervo da Prefeitura. Todavia, foi rapidamente retirada do ar após uma publicação em tom sarcástico realizada pelo democrata Júlio Lancellotti (coordenador da Pastoral do Povo de Rua, em São Paulo/SP) e subsequentes críticas advindas do Paraná e de todo o Brasil.

 Burocratas curitibanos ao lado do diácono condutor da parte cristã da cerimônia de entrega das armas. Imagem: Ricardo Marajó/SMCS.

A entrega em si foi realizada pelo vice-prefeito canalha Eduardo Pimentel (PSD) que, em mensagem publicada em suas redes sociais, enfatizou que a atual gestão tem “o compromisso em fortalecer e equipar (...) [a] Guarda Municipal” a fim de garantir “a estrutura necessária para o grande trabalho de proteger as famílias curitibanas”. Além disso, a Prefeitura afirmou, em seu perfil do Instagram, que a “entrega das novas armas é precedida de uma capacitação específica (...) ministrada por profissionais já treinados”.

Todo esse discurso demagogo, contudo, não passa de um compilado de mentiras que tergiversam da realidade concreta. A afirmação descarada de que os agentes do velho Estado supostamente “protegem” a população curitibana dá-se justamente após cerca de três meses do envolvimento da Guarda Municipal na morte de Mateus Noga, um jovem de 22 anos, durante uma ação no Largo da Ordem, no Centro da capital paranaense. Mateus faleceu após levar um tiro de um agente (supostamente capacitado), e ainda assim foi tratado como autor do crime no Boletim de Ocorrência, apesar de o disparo ter sido confessado. Esse é apenas um dos inúmeros casos de opressão e de assassinato aos quais a GM está intimamente ligada desde a sua fundação, em 1986.

Protesto em Curitiba denunciou a atuação genocida da polícia. Imagem: Banco de Dados AND.

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