Quem são os presos políticos da China?

Errata: Os seis jovens presos em Fujian escreviam e divulgavam seus textos em grupos de mensagens e também em um site, liderados por Yu Yixun. Tendo este escrito uma carta em janeiro de 2022, em que afirma, entre outras coisas, ter interesse, admiração (e que por isso propaga) o "Pensamento Mao Tsetung", e não o maoismo (tal qual a matéria indica ao falar "seis jovens maoistas"). Não há muitas informações disponíveis sobre Yu e os outros 5 jovens.


Por toda a China, milhares de presos políticos revolucionários estão trancafiados nas prisões do Estado fascista chinês. Entre os presos, encontram-se desde operários grevistas e camponeses revoltosos, a jovens entusiastas da China Popular (1949-1976) e do Presidente Mao Tsetung, críticos do golpe revisionista desatado por Teng Siaoping e seu bando.

Jovens publicavam artigos sobre Mao

Seis jovens maoistas da província de Fujian, no sudeste da China, foram condenados em 20 de dezembro de 2021 a cumprir penas que variam de nove meses a dois anos de prisão. Tratam-se de dois homens e quatro mulheres que estão sendo perseguidos por se posicionarem politicamente através de redes sociais.

Yu Yixun publicou mais de dois mil artigos políticos sob diferentes pseudônimos que tratavam de elucidar a restauração capitalista ocorrida em 1976 e as ideias de Mao Tsetung. Yixun foi o fundador de um grupo que reunia jovens simpáticos ao período socialista.

Yixun se reunia com os outros cinco jovens que foram condenados politicamente, como as irmãs Qiu Pingqin e Qiu Pinghui, moradoras da área rural de Zunyi, em Guizhou. Huan Xiaochun é a mais jovem dentre os condenados, com apenas 18 anos. Já Yu Chaoquan é casado com Qiu Pinghui. O casal tem dois filhos que estão agora sob os cuidados dos avós idosos que sofrem com problemas de saúde.

Os seis jovens haviam sido presos em meados de 2021 e se encontravam em uma unidade prisional administrada pelo governo. Os jovens ficaram proibidos de irem para suas casas e eram mantidos sem qualquer contato com seus familiares, amigos ou advogados. Todos os presos políticos estão sem julgamento.

“Pelo menos daqui a alguns anos, alguém saberá que havia jovens em Fujian que amavam Mao Tsetung, que estavam cheios de vitalidade e que ousaram falar a verdade e que, por isso, foram para a prisão com dignidade”, afirmou Yu Yixun em sua carta divulgada em janeiro de 2022.

Outro jovem preso foi Zhang Yunfan, estudante da Universidade de Pequim. Ele foi preso durante uma reunião em 15 de novembro de 2017, acusado pelo Estado chinês de “reunir uma multidão para alterar a ordem pública” depois de expressar sua opinião sobre “certos acontecimentos históricos”, a saber: a piora das condições de vida do proletariado chinês frente ao enriquecimento dos capitalistas chineses.

Zhang Yunfan esteve à frente de um evento em que um grupo de estudantes da sua Universidade visitou o local onde nasceu Mao Tsetung, sendo esta a principal motivação de sua prisão. Ele também se ligava às massas de trabalhadores imigrantes e lecionava voluntariamente às crianças destas áreas. No início de 2018, intelectuais defensores de Mao Tsetung realizaram um abaixo-assinado exigindo a soltura do jovem.

Não só prisões ocorrem, mas também desaparecimentos. Foi o caso de Qiu Zhanxuan, o presidente da Sociedade Marxista da Universidade de Pequim. Ele foi detido em 2018 durante uma celebração do aniversário do Presidente Mao Tsetung, simplesmente por denunciar que o atual regime é revisionista e contraria o maoismo. No ano seguinte, foi preso novamente e torturado. Qiu Zhanxuan está desaparecido desde abril de 2019, quando foi visto pela última vez durante uma visita a um distrito fabril. Não há notícias dele desde então.

Qiu Zhanxuan

Estudante que se ligou às massas

Shen Mengyu. Foto: Reprodução

Shen Mengyu é outra prisioneira política do governo fascista de Xi Jinping que desapareceu após ser presa. Após se graduar na Universidade Sun Yat-sen, conseguiu um emprego em uma fábrica. Destacou-se como defensora dos direitos dos operários e foi eleita como sua representante. Foi demitida em retaliação por sua atividade sindical no verão de 2018, quando tomou conhecimento da enorme luta operária na fábrica Jasic* e mobilizou operários e estudantes chineses em uma manifestação em Pingshan em apoio aos operários.

Em 11 de agosto de 2018, Shen Mengyu foi sequestrada e desapareceu. Desde então, está sob detenção e não há nenhuma informação sobre seu paradeiro, exceto uma mensagem gravada em vídeo, exibida em privado para os ativistas da Universidade de Pequim, no início de 2019.

“Ao contrário dos meus colegas, eu não escolhi um emprego em escritórios de altas posições. Optei por entrar nos distritos fabris e tornei-me uma operária. Minha escolha foi profundamente fundamentada em minha experiência de vida e compreensão da situação atual dos trabalhadores, e minha crença de que esta situação deve mudar”, afirma ela, numa carta divulgada em 2018.

Entidade classista reprimida

A lista de perseguidos do social-fascismo chinês não para. Zhang Zhiru, operário da construção civil e da indústria, residente de Hunan,  fundou em 2007 o Centro de Serviços de Conflitos Trabalhistas de Shenzhen, tendo sido seu diretor por uma década. Em 2011 concorreu como candidato independente (não filiado ao partido revisionista) à Assembleia Popular local. Por conta disso Zhang Zhiru e seus companheiros foram perseguidos por policiais.

Outro operário perseguido é Wu Guijun, que migrou de outra região até Shenzhen para trabalhar em fábrica estrangeira. Lá teve contato com a luta classista após sofrer um acidente de trabalho. Também foi preso por mais de um ano por participar de greves operárias. Em 2013, durante uma de suas prisões, o governo fascista chinês teve que libertá-lo por “falta de provas”.

Por conta da atuação de operários conscientes, o Centro Operário fundado por Zhang Zhiru tornou-se uma verdadeira organização reivindicativa da classe operária chinesa, desmascarando o Estado fascista chinês. Seus membros sofreram ataques sucessivos, o que obrigou a mudança de sede da entidade. Os presos políticos Zhang Zhiru e Wu Guijun foram detidos em janeiro e fevereiro de 2019. Os dois operários que lutavam juntos foram presos e estão até hoje sem julgamento. Também não há notícias sobre o seu paradeiro nas prisões.

China mudou de cor

O ano de 1976 foi o ano em que Teng Siaoping, junto com Huo Kuofeng, desataram seu golpe revisionista e prenderam dezenas de milhares de quadros maoistas, entre eles os dirigentes maoistas Chiang Ching, Chang Chun-chao e outros. Desde então, o Estado social-imperialista chinês adota como método a perseguição a todos que defendem o maoismo e as políticas do período socialista, encerrado com tal golpe. O Presidente Mao Tsetung, que havia travado uma luta contra a linha revisionista do “Kruschov chinês” (Liu Shao-chi) e seu herdeiro Teng Siaoping, já havia fixado que o revisionismo, com suas posições ecléticas em todos os campos, buscava acabar com o socialismo e consumar a restauração capitalista. O Grande Timoneiro advertiu que caso o revisionismo triunfasse, “o Partido se tornaria um partido fascista e toda a China mudaria de cor”.

A China é hoje, 46 anos após os trágicos episódios da restauração capitalista, o segundo país com mais multimilionários do mundo. No entanto, também como consequência disso, é onde se despertam novas gerações de maoistas que retomam ao caminho do Presidente Mao para contrarrestaurar o Socialismo.

Nota:

* A luta na fábrica de componentes eletrônicos Jasic, distrito de Pingshan, Shenzhe, na província de Guangdong, ocorreu em julho de 2018, após cerca de 80 operários lutarem contra as más condições de trabalho. Após protestos e repressões inauditas na China até então, o saldo foram várias ações de sabotagens empreendidas pelos operários contra a empresa. Muitos operários e ativistas que foram presos seguem incomunicáveis ainda hoje.

 

Poema para Chiang Ching

 

Excerto de carta escrita pelo Presidente Mao a Chiang Ching, em maio/junho de 1976

 

Fui enganado.

Estamos nos separando em dois mundos.

Que cada qual encontre sua paz.

Estes poucos caracteres podem ser minha última mensagem a ti…

A vida de um homem tem limites

Mas a revolução não tem

Na luta dos dez anos que passaram intentei alcançar o cume da revolução.

Mas tenho fracassado…

Talvez tu possas alcançar a cimeira

Se fracassar, cairás em um abismo insondável.

Teu corpo se fará em pedaços, teus ossos quebrarão…

Nenhum acordo com os outros é bom…

Se a lâmina se volta, e eu creio que se voltou, contra a revolução,

Uma vez mais será necessária

A guerra de guerrilhas…

De novo Yenán…

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