Angola: Centenas de operários em greve contra empresa imperialista chinesa

Pesca em Benguela. Foto: AFP

Cerca de 400 trabalhadores da empresa chinesa de pesca Guanda, em Benguela, iniciaram uma greve contra as condições de escravidão às quais estão submetidos desde a instalação da empresa imperialista em 2018. Os trabalhadores denunciam que eles não são permitidos a sair do local de trabalho e que a comida, precária, é descontada dos seus salários. 

Além disso, relatam que a empresa explora sexualmente as mulheres angolanas da região através da prostituição e mantém cerca de 200 delas em cárcere privado nas instalações da fábrica. Todas essas informações foram investigadas e confirmadas pelo Sindicato dos Trabalhadores das Pescas e Derivados.

Os trabalhadores afirmam que as condições são análogas à escravidão desde 2018, quando a empresa foi instalada com um investimento de 65 milhões de dólares (cerca de R$ 300 milhões), mas que, com o advento da pandemia da Covid-19, elas foram aprofundados, pois a empresa tinha então, aparentemente, motivos para impedir que eles tivessem contato com suas famílias e com o mundo exterior.

Em 2020, eles relatam: “Fez três meses a 23 de junho, eles não nos deixam sair, dizem que só no próximo ano. Aqui é só trabalhar, dormir, acordar e voltar a trabalhar, é muito duro. A alimentação às vezes chega a ser péssima, e somos obrigados a fazer horas extras aos domingos, recebemos 200 kwanzas por hora’’. O valor de 200 kwanzas é o equivalente à R$ 2,14 por hora.

O sindicato da pesca na região, em 2018, seis meses após a instalação da fábrica, já denunciava que os trabalhadores permaneciam "todos os dias de segunda a segunda com beliches de tábuas sem colchão”. A denúncia prossegue apontando o seguinte: “Os trabalhadores não podem se deslocar junto das suas famílias porque têm que trabalhar 24h sobre 24h e nem têm grupos de turno constituído, para além de terem uma má dieta alimentar: sardinha grelhada, frita com arroz, e no fim do mês são descontados 7 mil de alimentação [R$ 75] dos 27 mil kwanzas [R$ 288] que ganham".

O sindicato ainda questiona: "não se compreende como é que o angolano na sua terra ainda sofre, submetido a uma escravatura, como se estivéssemos pior que no tempo colonial", acrescentando que "quando se deslocam para casa ir ver a família, dão-lhes algumas horas, e quando ultrapassam essas horas, se voltarem tarde, são despedidos do trabalho", frisou.

As empresas chinesas na Angola, na sua maioria, estão envolvidas em obras de infra-estruturas do velho Estado e indústrias privadas em parceria com grandes empresários angolanos. Isso demonstra o peso das três montanhas de exploração e opressão que se abate sobre o povo angolano: o capitalismo burocrático, a semifeudalidade e a semicolonialidade. Assim como o papel do social-imperialismo chinês em se apoiar nas relações de trabalho pré-capitalistas como condição para exercer seu domínio ao longo do continente africano.

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