Editorial semanal - A fome que confisca

A fome, a crise geral e a total falta de confiança do povo no sistema político e nos governos de turno atingem hoje o ponto mais elevado das últimas várias décadas. A fome atingiu, em 2021, 55,2% dos lares brasileiros – isto é, 116,8 milhões de brasileiros e brasileiras –, e em 2022 a situação é pior, como se percebe. O aumento foi de 54% em comparação a 2018. Os dados são do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia, da Rede Penssan.

Engana-se quem pensa se tratar de fenômeno pandêmico. Esse, embora tenha piorado a situação, não é sua causa em essência. O movimento de espiral ascendente de miséria e fome iniciou-se em 2015, quando, após anos artificialmente represada, estourou uma nova recessão do capitalismo burocrático, dentro de sua crise geral de decomposição e condicionada pela crise sem precedentes que entrou a decomposição do imperialismo.

Isso demonstra que a situação que vivem as massas não é apenas uma situação de simples calamidade continuada, um eterno repetir do mesmo cenário de padecimentos e desgraças. A lógica das classes dominantes locais, lacaias do imperialismo, principalmente ianque é de compensar os prejuízos das crises com mais arrocho e mais retirada de direitos do povo. Na verdade, é um aprofundamento, é uma sucessão de catástrofes em que a cada salto eleva em um nível superior o agravamento sem precedentes da miséria, que para não estourar rapidamente em explosões sociais vem acompanhado de saltos na opressão política e policial. O reflexo, na mente do povo, é a intensificação da sensação de impotência que vai se apoderando e rapidamente se transforma em ódio incontido.

Daí que vemos resultados de cataclismos sociais, contidos até aqui com um sem número de chacinas. No Rio de Janeiro, no bairro de Inhaúma, centenas de trabalhadores e jovens saquearam um supermercado; as imagens registraram homens e mulheres saindo com sacos e mais sacos de arroz. O fato ocorreu na noite do dia 16 de abril. No Sul da Bahia, em 31 de março, no outro polo do país, centenas confiscaram mais de 25 mil quilos de carne bovina de carro frigorífico tombado. Canalha aquele que levanta a voz para acusar o banditismo como causa desses ocorridos: não, senhores, é pior, são a fome e a miséria. Os que confiscam alimentos, hoje, são os mesmos estratos sociais que cansaram de procurar comida nos lixões, como exaustivamente foi noticiado nos últimos meses. Desde essa tribuna, saudamos efusivamente esses trabalhadores que não se resignam à fome e nem esperam dos políticos a salvação.

Também é evidente – cada vez mais as massas enxergam isto – que a raiz de toda essa carnificina social não é o arbítrio de quem quer que vença eleições prometendo o céu a elas. Esses, mercadores de ilusões miseráveis, são joguetes nas mãos dos ricaços, grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo, principalmente ianque. A prova de que as massas vão percebendo está nas inúmeras pesquisas de opinião, que com todas suas manipulações, não podem esconder ainda que uma parcela do cenário real. Mais de 50% dos brasileiros não confiam na Presidência – repare, não se trata apenas do presidente de turno, o falastrão extremista –, 61% não confiam nos partidos eleitoreiros, 49% não confiam no parlamento, 32% não confiam na imprensa monopolista, 31% não confiam no judiciário e 38% não confiam no STF. Até as Forças Armadas reacionárias, que ostentavam confiança artificial por haverem se trancado nos quartéis após 24 anos de regime militar fascista, tiveram piora de 7% nesse índice nos últimos quatro anos. Os dados foram recolhidos pelo Datafolha. Isso sem falar dos 56 milhões de eleitores que boicotaram as últimas eleições, maior marco da quebra de ilusões.

Que ninguém se engane: tudo isso é sintoma de épocas revolucionárias, pelas quais transitam hoje todos os países, em que se vão esboroando todas as ilusões; se dissolvem como açúcar todos os pactos de classes firmados à base da traição de oportunistas eleitoreiros, revisionistas e renegados. As classes afilam seu pensamento e, logo, suas espadas, para a confrontação. Aos democratas e revolucionários cabe observar atentamente esse cenário, e não para contemplá-lo, mas para lançar-se decisivamente ao combate.

Ouça já o Editorial semanal de 19 de abril de 2022:

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