NEMLM: 'Viva os 100 anos da fundação do P.C.B.!'

Retrato do I Congresso do P.C.B., com seus nove fundadores, representando 73 militantes comunistas no Brasil

Há 100 anos uma delegação de nove militantes comunistas (seriam onze, mas dois delegados não conseguiram chegar à reunião), representando 73 militantes comunistas, rompidos com o anarcossindicalismo, protagonizou um fato singelo, mas que mudaria para sempre a fisionomia do Brasil. Em uma modesta casa, em Niterói, no Rio de Janeiro, fundou-se o Partido Comunista do Brasil – P.C.B., inicialmente denominado Partido Comunista – Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC).

Armados com elevado espírito internacionalista proletário, os delegados se encarregaram de ler e aprovar, uma a uma, as 21 condições de admissão de Partidos Comunistas para integrar a Internacional Comunista – Cominter. Ao final, os nove militantes proletários entoaram, emocionados, as estrofes de A Internacional, hino mundial da classe operária.

Ao longo dos seus 54 anos – até ser liquidado pelo bando de João Amazonas –, na direção do Partido prevaleceram as posições revisionistas, pequeno-burguesas e burguesas, mas não sem luta dos mais abnegados, destacados e firmes de seus quadros. Destacam-se entre eles, principalmente, Pedro Pomar – como a mais alta expressão comunista ao definir-se como marxista-leninista, pensamento Mao Tsetung –, Maurício Grabois, Ângelo Arroyo, João Batista Drummond, Carlos Danielli, Calil Chadi, Lincoln Oest, José Duarte, Carlos Marighella, Elza Monnerat, Osvaldo Orlando da Costa (“Osvaldão”), Dinalva Oliveira Teixeira e todos os combatentes caídos em combate ou na tortura na Guerrilha do Araguaia, dentre tantos heróis e heroínas da classe. E há que destacar que Luiz Carlos Prestes, apesar de ter liderado as posições direitistas no partido durante 43 anos, como ele próprio reconhece, ao fazer autocrítica pública por esse erro ao final de sua vida, rompeu com o revisionismo e defendeu a revolução proletária até seus últimos dias.

Em que pese o heroísmo e abnegação de tantos e tantos ativistas das massas, militantes, quadros e dirigentes comunistas, o P.C.B. não pôde consumar aquele objetivo que perseguiam seus pioneiros: conquistar o Poder para o proletariado e massas populares, estabelecendo a república democrática popular e fazer a revolução socialista, pondo fim ao reino da escravidão assalariada do proletariado e dos trabalhos forçados dos camponeses aos latifundiários, varrer a dominação semicolonial imperialista e acabar com a opressão sobre a nação brasileira. Isso, porque em sua história, a esquerda do Partido nunca conseguiu se impor definitivamente, e as direções oportunistas e os desvios de todo tipo prevaleceram e marcaram distintivamente sua história.

Desvios e posições revisionistas que se condensavam em não manejar a linha de massas como método para conhecer a realidade objetiva, descobrir suas leis e atuar de acordo com elas para transformar a realidade mesma, assim como não aplicar o método da luta de duas linhas ao não compreender que o Partido é uma contradição, em que em seu seio manifestam-se as contradições de classe da sociedade e, assim sendo, cabe aos comunistas manejar este método para alcançar a unidade do partido em torno da linha proletária e defendê-la das demais linhas burguesas e pequeno-burguesas que, de tempo em tempo, se insurgem no seio do partido. Luta de duas linhas, isto é, tratar as divergências aplicando o método dialético, de unidade-crítica-transformação, tomando o revisionismo como perigo principal por que esse é a ofensiva da burguesia nas fileiras do proletariado.

Em política, tais problemas de fundo manifestaram-se, em toda a sua história, devido a uma incorreta análise de classes da sociedade brasileira, principalmente em não compreender o que é a burguesia nacional – tomando como tal a grande burguesia local, principalmente a sua fração burocrática, aquela mais vinculada ao capital monopolista estatal – e submeter-se à direção dessa, ao invés de buscar estabelecer a aliança operário-camponesa, construída na luta camponesa pela terra sob direção proletária – garantida através do partido comunista – como núcleo da frente única de classes revolucionárias na qual poderia participar, em determinadas condições de crescimento da Revolução e maior intervenção do imperialismo, a ala esquerda da genuína burguesia nacional (ou média burguesia). Assim como, e como desdobramento disso, não ter clareza em qual o caminho para a Revolução no país, como e qual linha estabelecer para a luta armada revolucionária, que no caso concreto da revolução no país, só poderia ser a guerra camponesa pela conquista da terra e como parte da revolução democrático-burguesa de novo tipo – a Nova Democracia – e na forma de ditadura democrática conjunta das classes revolucionárias. Portanto, ditadura dirigida pelo partido revolucionário do proletariado, mantida pelo Exército Popular e exercida pela frente única das classes revolucionárias, conduzida – a revolução – até o Socialismo ininterruptamente.

Reivindicando a data como sua, pululam agrupamentos revisionistas, dentre os quais se destaca o PCdoB, obra acabada do senhor João Amazonas, calejado revisionista e traidor da causa do Comunismo, com sua podre linha auxiliar da reação, de apoio descarado do latifúndio e da grande burguesia; como o grupo acadêmico que atende pelo nome PCBrasileiro e sua trotskista “teoria marxista da dependência”, de desprezo ao campesinato como justificativa para chafurdar no reformismo, legalismo e pacifismo. Sem mencionar outros, como PCR, PCML etc., todos os grupos trotskistas, como PCO; enfim, todos eleitoreiros, anti-luta armada que não possuem nenhuma identidade com o propósito dos pioneiros de 1922 e nem tampouco com os heróis e heroínas comunistas desse centenário de lutas cruentas pelo Socialismo e o Comunismo.

Assim, e numa breve síntese, a história do P.C.B. pode ser compreendida em Três Etapas, sendo a Terceira Etapa dividida em Duas Fases.

Fundação e infância

A Primeira Etapa, de sua fundação no I Congresso (25 de março de 1922) até o início dos anos de 1930, percorre de 10 a 12 anos, em que são realizados seus três primeiros congressos, período marcado pela infância e ignorância do conjunto dos quadros sobre o marxismo-leninismo, incorrendo em desvios de direita e de “esquerda”. O contexto de profunda crise do sistema de exploração e opressão no país, em que explodiam diariamente levantes de inspirações democráticas contra a oligarquia latifundiária, não pôde ser corretamente aproveitado pelo partido.

Nesse período, em 1925, o P.C.B. celebra seu II Congresso. A escassez e baixa difusão de literatura marxista-leninista, ademais do peso das tradições anarquistas típicas de um movimento operário recém-surgido no país sobre o partido e em particular sobre seus militantes, produziram enorme efeito nas formulações, cujo conteúdo é direitista, expresso nas teses “agrarismo versus industrialismo”. Tal tese – que há alguns anos o PCdoB resgatou como “aplicação original do marxismo-leninismo à realidade brasileira” – se apegava à aparência dos fenômenos, uma vez que identificava no fortalecimento dos grandes industriais (principalmente a fração burocrática da grande burguesia local) o avanço da revolução burguesa. Segundo tal formulação, o crescimento da indústria – inclusive, e principalmente a monopolista – produzia, por saltos, a transformação do “Estado agrário” em “Estado burguês (conclusão da revolução democrático-nacional)”; opunha, arbitrariamente, como se fossem antagônicos, os interesses dos grandes industriais aos interesses dos latifundiários. Ao proletariado, caberia ficar à margem desses acontecimentos e se preparar para desencadear a revolução proletária quando fosse suplantado o “Estado agrário” pelo “progresso capitalista”.

A Cominter fez severas críticas a essa formulação, que em muitos aspectos se identificava com as formulações dos economicistas russos. Jules Humbert Droz, que então dirigia o Birô Sul-americano da Cominter, pontuou, em 1928, que a “burguesia industrial não é senão uma das múltiplas faces do latifúndio”, isto é, “burguesia industrial não se contrapõe aos latifundiários, mas tem seus interesses aos destes imbricados” e que a grande burguesia “se encontra, desde suas origens, ligada ao imperialismo e impossibilitadas de desenvolver um projeto revolucionário burguês anti-imperialista”. Isso, mais tarde, será irrefutavelmente comprovado com a traição de Getúlio Vargas – representante político dessa fração burocrática da grande burguesia – às aspirações democráticas do movimento tenentistas, em 1930, que em seu governo desloca os latifundiários da hegemonia do velho Estado, assentando golpes apenas nas oligarquias mais débeis, enquanto respeita os interesses gerais do latifúndio e logo recompõe-se com os mesmos, inclusive entregando postos-chave de seu governo e mantendo e aprofundando a penetração imperialista no país.

O partido se baterá por assimilar as críticas da Cominter e retificar seus erros. Através de uma maior vinculação com a Internacional, o P.C.B. consegue assumir maior fisionomia de Partido Comunista, produz centenas de quadros e coloca-se seriamente dedicado a trabalhar pela Revolução.

Amadurecimento e crescimento

Assim inaugura-se a Segunda Etapa de sua história, de 1930 até 1960, período em que são realizados o IV e V Congressos, quando o P.C.B. decide pôr em prática a luta pelo Poder e sua esquerda confronta-se com o reformismo e o caminho parlamentar (logo fundamentado ideologicamente pelo XX Congresso kruschovista do PCUS), recobrando maior consciência sobre o revisionismo e a necessidade de o combater.

Dentro dessa Etapa, o partido, ainda jovem, decide audaciosamente assaltar os céus: o Levante Popular Armado de 1935, através da Aliança Nacional Libertadora, como frente única democrática antifeudal, antifascista e anti-imperialista, sob orientação da Cominter e guiada pelo seu grandioso VII Congresso. O P.C.B., assim, integra a Frente Única Mundial Antifascista, dirigida pelo grande Stalin, no contexto dos preparativos de todo o proletariado internacional para a grande guerra patriótica, para defender a União Soviética de Lenin e Stalin e a ditadura do proletariado contra a agressão bestial que a máquina de guerra nazista preparava.

Apesar de feito extraordinário, após conquistar o Poder no Rio Grande do Norte, o Levante fracassa nacionalmente, porque, principalmente, o partido não compreendia o papel do campesinato e não deslocou seus quadros para unir-se com ele na luta pela terra e, nela, construir o Exército revolucionário de operários e camponeses que poderia estabelecer firmemente o Poder da frente única, sob direção do proletariado, como havia orientado a Cominter.

No seu relatório para o VII Congresso da Cominter, o grande dirigente comunista búlgaro, Georgi Dimitrov, assim assinala o desenvolvimento de então da ANL, antes da insurreição: “No Brasil, o Partido Comunista, que construiu uma base correta para o desenvolvimento da frente única anti-imperialista com a fundação da Aliança Nacional Libertadora, deve fazer o máximo de esforços para estender ainda mais esta frente e atrair, antes e acima de tudo, as massas de milhões de camponeses com o propósito de orientá-las na formação de unidades do exército popular revolucionário devotado até o fim ao estabelecimento do poder da Aliança Nacional Libertadora” (grifo nosso). Lição que o partido não assimilou, causando a derrota do Levante.

O P.C.B., ato contínuo, é praticamente desorganizado pela forte repressão que se desata pós-levante, e logo aprofundada com o golpe de Estado de Getúlio Vargas em 1937, que cria o Estado Novo de tipo fascista, alinhando-se com a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini.

O balanço do Levante de 35, só realizado uma década depois, em que se tomou os erros como aspecto principal, serve para fortalecer a direita no partido, que é influenciada pelas teses revisionistas contemporâneas de Earl Browder (secretário do Partido Comunista do USA). No P.C.B., encabeçado por Prestes e no contexto do fim do Estado Novo com a deposição de Vargas pelo Alto Comando do Exército e o “retorno da democracia” ao país sob o governo do americanófilo Gaspar Dutra, prevalece as ensebadas teses de “união nacional na guerra e na paz” e de que, com a legalização do P.C.B. pela justiça eleitoral, “a democracia burguesa voltou-se para a esquerda”. Posições que, em verdade, foram a prédica do caminho eleitoreiro parlamentar (participação na Constituinte), das ilusões constitucionais e do rechaço da via da luta armada.

Não demorou nem três anos para que o imperialismo ianque, fortalecido como a potência imperialista mais poderosa e com alcance mundial pós-guerra, confrontando-se com o crescimento do campo socialista, desatasse no Brasil, através do general Dutra, um novo regime de terror anticomunista. O P.C.B. é duramente golpeado no fim dos anos 1940, demonstrando a falsidade das teses de Prestes e da direita no partido, o que força todo o partido a uma autocrítica que lança maiores bases para a linha revolucionária, principalmente com os Manifestos de Janeiro de 1948 e de Agosto de 1950.

Com tais Manifestos, o partido recoloca a necessidade da luta armada, da construção clandestina e rechaça as ilusões constitucionais, assim como repele a aliança com a grande burguesia representada por Vargas, ainda que prevalecendo desvios direitistas no que se refere à luta armada (não compreensão do campesinato como força principal da revolução brasileira e a revolução agrária como caminho para construir as condições para a revolução democrática armada), e também “esquerdistas”, ao não distinguir a grande burguesia da média burguesia.

A luta de duas linhas, com a esquerda tomando maior consciência da necessidade de lutar contra o reformismo, ganha fôlego. Nesse período ocorrem importantes lutas armadas de camponeses pelo acesso à terra dirigidas por seções regionais ou locais do P.C.B., mesmo durante o segundo governo de Vargas (eleito novamente em 1950, e cujo governo foi marcado por medidas de tipo nacionalistas da fração burocrática, que se bem não rompiam com o imperialismo, eram parte da pugna das frações da grande burguesia local, por isso, confundiram muitos setores populares). Tais lutas armadas camponesas foram muito subestimadas pelo conjunto da direção central do partido e, ao fim, foram todas canalizadas uma vez mais para o oportunismo eleitoreiro e o velho do Estado reacionário.

Após o suicídio de Getúlio Vargas em 1954, como ato para criar comoção diante das investidas do imperialismo ianque e da fração compradora da grande burguesia para depô-lo, o partido que em seu IV Congresso (1954-55) havia mantido o giro à esquerda desde os Manifestos de 1948 e de 1950, dá nova guinada à direita e ao reformismo, voltando outra vez a considerar Vargas como representante da burguesia nacional e a apoiar Juscelino Kubitschek como se fora representante desta, chegando a subir no carro de sua campanha eleitoral.

Toda essa formulação direitista ganha respaldo e reforço internacional ao longo dos anos seguintes, quando ocorrem os XX (1956), XXI (1959) e XXII (1961) Congressos do PCUS, congressos de traição ao socialismo, nos quais Kruschov lança as teses do revisionismo moderno, que foram resumidas pelo Presidente Mao Tsetung como os “Dois Todos e Três Pacíficas”, respectivamente “Estado de Todo o Povo e Partido de Todo o Povo” e “Coexistência Pacífica, Emulação Pacífica e Transição Pacífica”. Em síntese, alcançar o Socialismo pelo caminho parlamentar e pacífico. No Brasil, a direita do partido encabeçada por Prestes, em convergência com Kruschov, fará a sistematização mais completa do revisionismo no país, na Declaração de Março de 1958.

Nessa Declaração, os revisionistas do partido defenderão que a “revolução anti-imperialista e antifeudal” virá “através da acumulação, gradual, mas incessante, de reformas profundas e consequentes na estrutura econômica e nas instituições políticas, chegando até a realização completa das transformações radicais”. Defenderão abertamente a colaboração com as classes dominantes: “Nas condições presentes de nosso país, o desenvolvimento capitalista corresponde aos interesses do proletariado e de todo o povo”, chegando a afirmar que era necessário constituir uma frente única “com setores de latifundiários que possuem contradições com o imperialismo norte-americano”, sem mencionar nada de concreto para a luta camponesa.

Nesse contexto ocorre o V Congresso (1960), dois anos depois da Declaração, onde ocorrem maiores enfrentamentos entre a direita e a esquerda na direção do P.C.B., porém garantindo no fundamental a linha revisionista de Prestes. Um ano depois (1961), aprofunda-se a linha direitista modificando os Estatutos e até o nome do P.C.B. para Partido Comunista Brasileiro, para garantir sua legalização no Tribunal Superior Eleitoral. Tal atitude desperta centenas de quadros para a tarefa de fazer uma clara cisão entre marxistas-leninistas e revisionistas, iniciando com a “Carta dos Cem” a reconstrução de 1962, sendo logo influenciados pela grande luta internacional contra o revisionismo moderno, desencadeada publicamente, em 1963, com a publicação da famosa “Carta Chinesa”, luta chefiada, já a essa altura, pelo Presidente Mao Tsetung.

Constituição do Partido enquanto verdadeiramente marxista-leninista

Assim abre-se a Terceira Etapa, em que se toma a luta contra o revisionismo. Encabeçada por importantes quadros marxistas-leninistas, como Maurício Grabois, Pomar, Carlos Danielli, Lincoln Oest, Calil Chadi e outros, a cisão vai estabelecer pela primeira vez o partido – agora sob a sigla PCdoB – como autêntico partido marxista-leninista, para logo acercar-se do pensamento Mao Tsetung. Esta etapa se subdividirá em duas fases distintas, a Primeira desde a Reconstrução até a liquidação do PCdoB enquanto partido marxista-leninista pensamento Mao Tsetung pela camarilha revisionista de Amazonas com a derrota da Guerrilha do Araguaia. Uma Segunda Fase é a da luta pela reconstituição do P.C.B. a qual segue em curso nos dias atuais.

No PCdoB, nos primeiros anos após romper com o revisionismo de Prestes, por problemas de manejo no tratamento das divergências internas – pela prevalência de heranças do oportunismo em suas fileiras – muitos grupos de comunistas que defendiam posições de esquerda foram isolados, punidos e expulsos, enquanto outros se afastaram devido ao método administrativo no tratamento das divergências. Conformando frações dentro e fora do PCdoB, a correta e necessária luta de duas linhas foi bloqueada pelo Comitê Central, impedindo o grande avanço que a esquerda poderia ter logrado naquele momento, produzindo graves prejuízos para o partido e a revolução brasileira.

Dentre as frações, se destacam o PCR de Amaro Luiz de Carvalho, o Capivara e Manoel Lisboa; o PCdoB-Ala Vermelha etc. Todas essas frações procurarão no pensamento Mao Tsetung e na Grande Revolução Cultural Proletária a tocha para iluminar o caminho da revolução brasileira e avançarão em sua assimilação, defendendo o caminho da Guerra Popular.

Ao mesmo tempo, no PCBrasileiro de Prestes, após o golpe de 1964 e seu completo imobilismo, ocorrem novas cisões de quadros revolucionários contra a direção oportunista, porém que na imensa maioria enveredarão ao caminho do “foquismo” e do “guevarismo”, enfim, do militarismo pequeno-burguês, menosprezando a construção do Partido. São o caso do PCBR, ALN, VPR, MR8, PRT etc. Alguns desses processos farão autocrítica, posteriormente, do caminho foquista e farão esforços para alcançar a linha da revolução brasileira.

Mas, no período, o feito de maior importância na resistência e combate ao regime militar fascista, mesmo com seus problemas de método de direção, é encabeçado pelo PCdoB. Em 12 de abril de 1972, alertado sobre atividades subversivas na região do baixo Araguaia, o Exército reacionário ataca os destacamentos revolucionários e ocorrem os primeiros combates guerrilheiros na região conhecida por Bico do Papagaio, confluência das divisas dos estados do Pará, Goiás (hoje Tocantins) e Maranhão, às margens do Araguaia. Iniciava-se a Guerrilha do Araguaia, grande acontecimento na história da resistência popular de nosso país, não apenas pelo inolvidável heroísmo de seus militantes, mas por ter sido a decisão do partido em abrir o caminho da Guerra Popular no Brasil.

Ainda que derrotada, mais de três anos após seu início e enfrentando três grandes campanhas de cerco e aniquilamento das Forças Armadas reacionárias, a Guerrilha do Araguaia marcou profundamente as massas camponesas da região. A causa de sua derrota está principalmente no que analisou o camarada Pedro Pomar como erro de concepção da teoria da guerra popular e de suas derivações para o partido – sua militarização, como necessidade para dirigi-la – e para os demais instrumentos da revolução. E, mais além disso, a causa de fundo era a adoção formalista do pensamento Mao Tsetung, dada à forte resistência da direita, que insistia em mesclar e combinar a estratégia da guerra popular com táticas oportunistas. Por fim, uma das derivações da adoção formalista, foi a não compreensão do método da luta de duas linhas, que impediu a forja maior da direção do partido na assimilação do pensamento Mao Tsetung (como era entendido, à época, o maoismo), dado o subjetivismo de tipo dogmático no seio da direção.

A esquerda na direção do PCdoB, que já estava profundamente debilitada com a perda de Maurício Grabois e dezenas de quadros no Araguaia e nas cidades, receberá um golpe definitivo com a queda da reunião do Comitê Central, de dezembro de 1976. O episódio conhecido por Chacina da Lapa – na verdade acontecimento resultante da delação por parte de altos dirigentes do partido contrários à linha revolucionária da guerra popular – constituiu-se de uma “Operação Capitulação”. Com a execução dos três quadros restantes da esquerda na direção do partido (Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Baptista Drummond), interrompeu-se o balanço da experiência do Araguaia, o qual a direita amazonista temia levar a fundo.

Pedro Pomar e Ângelo Arroyo foram fuzilados ali mesmo, na casa de segurança onde se reunia o CC; o primeiro com mais de 70 disparos quando se encontrava desarmado. João Baptista Drummond foi assassinado na tortura.

Posteriormente, a luta por um correto balanço da experiência do Araguaia foi sepultada por mil manobras oportunistas de João Amazonas e sua camarilha. Esse, manipulando o Partido e maquinando com alguns quadros para que mudassem de posição, afundou a organização na “política do avestruz”, escondeu-se por detrás do revisionista Enver Hodxa para atacar o Presidente Mao Tsetung como justificativa para o abandono da linha revolucionária da Guerra Popular e chafurdar no caminho eleitoreiro. De todas as frações e dirigentes revisionistas, este senhor João Amazonas, figura minúscula e apenas capaz de provocar intrigas e maquinações, incapaz de qualquer autocrítica, renegou a todos que dissera seguir; ostenta o título de principal traidor da causa do proletariado no país, assim como o novo partido revisionista que criou sob a continuidade da sigla PCdoB.

A luta pela Reconstituição do P.C.B.

Assim segue a história do P.C.B. como Segunda Fase de sua Terceira Etapa, que percorre os anos 1980/1990, ainda em curso, como etapa em que o Partido, dividido em muitas frações e no ambiente de quase completa liquidação do movimento revolucionário, luta por reconstituir-se enquanto autêntico Partido Comunista do Brasil, marxista-leninista-maoista, correspondendo às necessidades da revolução nessa época e nesse país, para lutar pela conquista do Poder, inevitavelmente, como Guerra Popular Prolongada, para o proletariado e as massas populares, na Revolução de Nova Democracia, ininterrupta ao Socialismo, como parte e a serviço da Revolução Proletária Mundial, no rumo do luminoso Comunismo.

Luta que ocorre em contexto de prolongado e complexo período de ofensiva contrarrevolucionária de caráter geral e feita de ataques desesperados contra o marxismo, contra o partido, à violência revolucionária e à ditadura do proletariado; período em que, no mundo, ocorre a erosão do social-imperialismo russo e fim da URSS social-imperialista, restauração capitalista na China, advento do imperialismo ianque como superpotência hegemônica única, das teorias do “fim da história”, “globalização”, “novas tecnologias como motor das transformações sociais”, pós-modernismo em suas múltiplas formas, tudo para embelezar a decomposição sem precedentes do imperialismo.

Nesse contexto, como fogueira de esperança, desatou-se a Guerra Popular no Peru, dirigida pelo Partido Comunista do Peru sob a chefatura do Presidente Gonzalo – quem definiu o maoismo como nova, terceira e superior etapa de desenvolvimento da ideologia do proletariado internacional, iniciando a contraofensiva revolucionária geral marxista-leninista-maoista, aportes de validez universal do Presidente Gonzalo, erguendo alto a bandeira do maoismo e da Guerra Popular. O Presidente Gonzalo e a Guerra Popular no Peru deu aos comunistas do mundo a tarefa de elevar o maoismo como único mando e guia da Revolução Proletária Mundial, através de constituir/reconstituir partidos comunistas militarizados para desencadear guerras populares em mais e mais países, alçando a novas alturas a Nova Grande Onda da revolução mundial que já se iniciou.

Nessa Segunda Fase da Terceira Etapa da história do P.C.B., de acordo com as publicações do Núcleo de Estudos do Marxismo-Leninismo-Maoismo que chegam à redação, foi postaestá em curso a luta pela reconstituição do Partido Comunista do Brasil como autêntico partido marxista-leninista-maoista, principalmente maoista, aportes de validez universal do Presidente Gonzalo, partido militarizado, dirigida há 27 anos por sua Fração Vermelha, em meio à clandestinidade e construindo os três instrumentos fundamentais da Revolução concêntrica e simultaneamente, tudo para culminar a Terceira Etapa da história do P.C.B. e abrir a nova e Quarta Etapa, a da guerra popular prolongada por levar a cabo a Revolução de Nova Democracia, ininterrupta ao Socialismo, como parte e a serviço da Revolução Proletária Mundial como guerra popular mundial, e com sucessivas Revoluções Culturais proletárias entrarem todos os povos do mundo ao luminoso Comunismo.

BOX:

Bandeiras, pichações e cartazes maoistas

Leitores têm enviado à redação registros de bandeiras comunistas hasteadas, cartazes e pichações em todas as regiões do país, a partir do dia 25 de março de 2022 – quando completou-se o centenário da fundação do Partido Comunista do Brasil – P.C.B.

As bandeiras, pichações e cartazes foram avistadas em mais de 15 estados, em dezenas de cidades, nos bairros operários e vilas rurais.

Nas pichações constam a consigna 100 anos: Viva a Reconstituição do Partido Comunista do Brasil – P.C.B.

Já os cartazes estampam Viva a Reconstituição do P.C.B. – Abaixo o revisionismo e todo oportunismo! Viva o marxismo-leninismo-maoismo! 

As ações põem esperançosas as massas empobrecidas que em meio à opressão e miséria aguardam e anseiam por um caminho de verdadeira transformação revolucionária do mundo em que vivem.

Leia também: Bandeiras comunistas são hasteadas em comemoração ao centenário de fundação do Partido Comunista do Brasil (P.C.B.)

Pichações em todo país celebram centenário da fundação do P.C.B.

Cartazes por todo o Brasil estampam: 'Viva a Reconstituição do Partido Comunista do Brasil - P.C.B.!'

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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