Espanha: Centenas de moradores de favela exigem energia elétrica

Marcha exige luz para a favela Cañada Real de Madri. Foto: Víctor Honorato

Cerca de 500 pessoas de Cañada Real (uma favela próxima ao centro de Madri) se manifestaram na Porta do Sol, uma importante praça da capital da Espanha, exigindo o direito à eletricidade, no dia 24 de abril. O serviço de energia elétrica, fornecido pela empresa Naturgy, foi cortado para setores de Cañanda Real desde outubro de 2020, deixando em torno de 4,5 mil pessoas lesadas pela falta de eletricidade. 

Além do próprio direito à eletricidade, os moradores reivindicavam a presença de contadores e monitoramentos da energia elétrica, para evitar fraudes e aumentos indevidos das contas de luz por parte da empresa, utilizados para negar a prestação do serviço às famílias.

Para conseguir suprir a falta de serviço pela empresa, os moradores se organizam e revezam os dias em que cada um utiliza a energia, para que todos possam cumprir as tarefas diárias sem uma sobrecarga da pouca  energia disponibilizada.

Corte de energia é proposital 

Favela de Cañada Real. Foto: El Mundo

Os manifestantes denunciam que o corte de energia, que agora perdura por mais de 500 dias, faz parte de um desmonte deliberado por parte da empresa Naturgy e do governo. Segundo a presidente da Associação de Vizinhos de Alshorock, isso tem sido desenvolvido principalmente após a retomada dos “planos de desenvolvimento urbano” para o sudeste da cidade, uma das áreas mais pobres: “trata-se de uma estratégia planificada e executada para nos expulsar de nossas casas”, afirmou a associação em uma entrevista ao jornal El Mundo.

Segundo um Boletim Oficial da Comunidade de Madrid, publicado em fevereiro de 2021, há um projeto para a retirada de postes, transformadores e cabos da área da comunidade. A empresa Naturgy tem dado diversas justificativas para tentar explicar o crime contra o povo. Dentre as falsas justificativas estão o argumento de que, desde 2020, o consumo de energia aumentou muito. Os moradores desmentem a justificativa e afirmam que em 2020, foram instalados religadores em linhas de alta tensão para limitar o consumo. 

Atualmente, o consumo de energia tem somente um terço da potência que tinha em 2018, o que já é por si só um crime contra aquelas massas, uma vez que os ricaços têm acesso à quanta energia queiram.

ataque à saúde do povo 

Como consequência do criminoso corte de energia na favela Cañada Real, diversos moradores têm apelado ao uso de fornos à lenha para suprir suas necessidades básicas. Por sua vez, a queima da lenha  oferece graves riscos à saúde do povo por problemas como queimaduras e intoxicações respiratórias. Segundo um relatório do Centro de Investigações Sociológicas, sete a cada dez pessoas relatam ter tido sua saúde afetada. Quando considerados somente os idosos, os casos sobem para nove a cada dez pessoas. 

Além disso, não há possibilidade de armazenamento de medicamentos que exigem refrigeração e tampouco refrigeração de comida, proliferando bactérias nos alimentos que estragam rapidamente.

Nos períodos de intenso inverno em Madri, onde chega a nevar, as famílias se encontram sem qualquer aquecimento por calefação, congelando durante todo o período do inverno.

Crise geral do imperialismo

Cañada Real. Foto: Europa Press

A situação de calamidade social vivida pelos moradores da favela espanhola de Cañada Real evidencia que a crise geral do imperialismo, ainda mais agravada, não se manifesta somente nos países semi-coloniais, explorados pelas potências imperialistas, mas se manifesta também nos próprios países imperialistas que já não conseguem mais manter o dito “Estado de bem estar social”. Eles precisam cada vez mais atacar seu próprio povo com mais exploração e opressão para manter o superlucro das empresas imperialistas, como o exemplo da empresa de energia elétrica Naturgy que acossa os moradores da favela. 

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