RR: Em defesa de territórios, indígenas realizam ocupações em Boa Vista

No dia 5 de abril, em meio a luta por direitos e em defesa do território, aproximadamente 400 indígenas ocuparam a sede regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), localizada em Boa Vista, capital do estado de Roraima. Também na capital mais de mil indígenas permaneceram acampados cerca de uma semana na praça do Centro Cívico e realizaram diversas manifestações e denúncias.

Em ocupação da sede da Funai em RR, indígenas reivindicam direitos e lutam por seus territórios. Foto: Nilzete Franco

Ocupação da sede da Funai

A ocupação realizada no dia 05/04, teve início pela manhã. Os indígenas entoaram bravamente palavras de ordem: “Sangue indígena, nem uma gota mais” e denunciaram que a Funai serve de cabide de emprego para políticos.

Os indígenas relataram que ao chegar na sede da Funai, o coordenador regional Osmar Tavares de Melo não os atendeu. Os manifestantes indignados, denunciaram que o coordenador está acostumado a assinar documentos para políticos, mas quando é para indígenas está sempre de porta fechada.

O afinco dos povos nas manifestações forçou o coordenador a atender e assinar uma carta que contém as denúncias e  reivindicações dos direitos e em defesa dos territórios dos povos indígenas.

O Cacique Daniel Alves Wapichana, da região Surumu, Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em entrevista ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) afirmou: “O governo não faz as coisas por que ele quer, mas porque ele é pressionado pelo povo”. O cacique lembrou durante a entrevista que a demarcação das terras indígenas, como a Raposa Serra do Sol, só foi conquistada através do movimento de luta indígena do estado de Roraima. “Sempre foi na base da pressão, sempre foi com o povo na rua, derramando sangue, morrendo para conquistar”, afirmou.

Ocupação do Centro Cívico

No mesmo dia da ocupação da sede da Funai, diversos povos como Yanomami, Patamona, Waiwai, Macuxi, Wapichana, Taurapang e Xirixana ocuparam a Praça do Centro Cívico, região central da capital. Os manifestantes denunciavam os Projetos de Lei (PL) 490/2007 e 191/2020 que dizem respeito ao marco temporal e grilagem em terras indígenas, legislações que, se aprovadas, beneficiarão ainda  mais o latifúndio.

Luta pelo direito à educação

Durante a mesma semana os indígenas também estiveram na Secretaria de Educação de Roraima. A secretária Leila Perussolo não recebeu os indígenas, assim como negou receber qualquer pauta reivindicativa. 

Na 51ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas do Estado de Roraima, que ocorreu entre os dias 11 a 14 de março, os povos relataram que das 167 escolas indígenas de Roraima, mais de 90 não têm uma edificação para abrigar os estudantes, e exigiram construções de escolas indígenas para atender os alunos das comunidades. Os povos denunciaram a entrega de materiais escolares danificados, falta de transporte escolar, merenda estragada e relataram também a falta de condições dignas de trabalho para os profissionais da educação. 

Na assembleia os povos indígenas repudiaram a exoneração do diretor da escola estadual indígena da comunidade Manoá, Região Serra da Lua. A demissão foi feita pelo governo do estado de Roraima, após o professor se recusar a delatar quem havia feito vídeos denunciando a situação precária da escola. Após a mobilização dos indígenas, o diretor foi readmitido.

 

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