PA: Indígenas Tembé travam luta contra a BBF, monopólio latifundiário burocrático

Há ao menos dois meses, dezenas de indígenas Tembé realizam ações em defesa do seu território. Eles travam uma incessante luta contra a apropriação de suas terras pelo monopólio latifundiário burocrático Brasil Bio Fuels Reflorestamento, Indústria e Comércio S/A (BBF RIC) chefiada por Milton Steagall

Durante protesto em defesa do território indígenas incendeiam ônibus da BBF. Foto: Reprodução

As mais contundentes ações dos indígenas Tembé se iniciaram em março, com bloqueios, incêndios de ônibus de um pólo da BBF, Vera Cruz, e ocupações tanto da sede da empresa como também dos latifúndios do empreendimento. De acordo com as denúncias realizadas pelos Tembé, os pólos industriais e as plantações do monopólio estão inseridos sobre território indígena no município de Acará, nordeste do estado do Pará, cerca de 100 km da capital Belém. 

As incessantes lutas e resistência

No dia 10 de março, reivindicando território, dezenas de indígenas do povo Tembé munidos de foices, facões, terçados e outras ferramentas usadas como armas, bloquearam o acesso ao latifúndio nomeado fazenda Ipitinga e ocuparam a Estrada do Linhão que ligam a um dos pólos da Vera Cruz, local de produção da empresa BBF. 

No dia 24/03, um funcionário com trator invadiu o território indígena. Em resposta, cerca de 10 indígenas se armaram, com facões e paus, retiraram o funcionário e o trator de suas terras. E em um ato de muita valentia tombaram o maquinário.

No dia 5 de abril, cerca de 30 indígenas Tembé ocuparam o escritório e os alojamentos da empresa, onde permaneceram por dois dias. Segundo a comunidade indígena, essa manifestação ocorreu após dois membros da comunidade serem humilhados por paramilitares. Os indígenas denunciam que os paramilitares andam armados e tentam intimidar a comunidade. Denunciam também que a empresa, na tentativa de criminalizar membros da comunidade indígena, realiza falsas alegações em boletins de ocorrência.

No dia 21/04, o monopólio latifundiário burocrático acionou a polícia militar que se deslocou até o território indígena e aprendeu vários caminhões carregados de dendê pertencentes à comunidade. Ainda pela manhã daquele dia, o povo Tembé de forma vigorosa partiu até o polo industrial da BBF. Durante o caminho encontraram três ônibus que circulavam com trabalhadores. Após a retirada dos trabalhadores, os indígenas incendiaram os ônibus.

Cerca de 50 indígenas participaram da manifestação. Mesmo sob disparos de balas de arma de fogo efetuadas pelos seguranças da empresa contra os indígenas, eles permaneceram destemidos e adentraram a sede.

A BBF alega possuir 68 mil hectares de “área de proteção ambiental”, detendo quatro polos no estado do Pará. Porém, a Associação Indígena Tembé de Tomé-Açu denuncia que este latifúndio ocupa parte do território indígena e que já foram derrubados florestas e plantados milhares de hectares de dendê.

A guerra na Amazônia

Ismael Moraes, advogado da comunidade Tembé, denunciou que “policiais da PM de Abaetetuba estão em Tomé-Açu a ‘serviço miliciano’ para executar a liderança Paretê Tembé”.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Amazônia responde por 97% das áreas de conflito por terras no Brasil, no local ocorreram 80% dos assassinatos no ano de 2021.

A CPT aponta que os principais executores da violência nos conflitos por terra são os latifundiários, paramilitares e pistoleiros que atuam sob encomenda em territórios indígenas, unidades de conservação, terras quilombolas e áreas destinadas à "reforma agrária”.

Leia também: PA: Indígenas Tembé bloqueiam estradas reivindicando território invadido pelo latifúndio

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