1° de maio: Trabalhadores em todo o mundo protestam contra a crise (atualizado 06/05)

Organização democrático-revolucionária Partizan em Istambul no 1° de maio. Foto: https://www.yenidemokrasi23.net/

No 1° de maio de 2022, trabalhadores de todo o mundo protestaram em grandes marchas contra a crise, a alta da inflação e a precarização das condições de vida, assim como rechaçaram a retirada desavergonhada de seus direitos pelos governos de diversos países. A guerra de agressão imperialista da Rússia contra a Ucrânia também foi denunciada pelas massas.

Em todas as marchas as massas resistiram vitoriosamente à repressão policial, que busca impedir a ação consciente e organizada dos operários. A repressão e perseguição aos lutadores foi rechaçada na mesma intensidade em que se amplia cada vez mais diante da crise e da situação explosiva de miséria em que as massas de todo o mundo se encontram.

Áustria: Trabalhadores e revolucionários marcham contra o aumento de preços e pelo internacionalismo proletário

1° de maio na Áustria. Foto: https://www.rotefahne.at/

Na Áustria foi realizado um vigoroso 1° de maio em marchas contra o aumento nos preços dos combustíveis, do gás e dos aluguéis, assim como em solidariedade internacional contra a guerra de agressão imperialista contra a Ucrânia. Elas ocorreram nas cidades de Viena (Capital), Linz, Salzburgo e Graz. Os manifestantes carregavam faixas escritas Abaixo a inflação! e Contra aluguéis abusivos – por moradias populares!. Além disso, palavras de ordem como O preço aumenta, qual é o objetivo? Nem um centavo a mais por eletricidade e gás! e Organizem-se, resistam, lutem! eram entoadas.Em Salzburg a manifestação também se opôs à demolição de um conjunto habitacional, e em Graz foi realizada uma apresentação cultural de música popular.

1° de maio na Áustria. Foto: https://www.rotefahne.at/

Nas manifestações, faixas exclamavam Por um novo movimento pela paz!, contra a guerra de agressão à Ucrânia e a guerra imperialista. Além disso, em ações de internacionalismo proletário, os 50 anos do Partido Comunista da Turquia/Marxista-Leninista (TKP/ML) foram comemorados, assim como os 30 anos da fundação do Partido do Trabalho (Partija Rada) da Sérvia. Também foram destacados os movimentos populares da Bulgária e a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Brasil.

1° de maio na Áustria. Foto: https://www.rotefahne.at/

Noruega e Dinamarca: Revolucionários rechaçam guerra de agressão imperialista!

Na ocasião do dia internacional do proletariado, manifestações contra a guerra imperialista foram realizadas nas cidades de Oslo (Capital), Bergen, Trondheim e Kristiansand, na Noruega. Nelas, a organização revolucionária Comitê de Luta realizou protestos, marchas, e panfletagens sob as palavras de ordem Combater e resistir! e Rússia, OTAN, USA: Fora da Ucrânia!, entre outras. 

Na manifestação foi destacado que o proletariado internacional deve se unir com os povos e nações oprimidas, para lutar e resistir à guerra de agressão imperialista, angústia e miséria. Enfatizou-se que era correto combater a invasão do imperialismo russo e apoiar o povo ucraniano, condenando o imperialismo ianque, a OTAN e o regime de Kiev, que vendem o país a imperialistas estrangeiros.

Marcha do 1° de maio na Noruega. Foto: kampkomiteen.org

Marcha do 1° de maio na Noruega. Foto: kampkomiteen.org

Na Dinamarca, massas e revolucionários se uniram para rechaçar a invasão imperialista da Rússia contra a Ucrânia. Uma manifestação e uma marcha foram realizadas em Copenhagem e contou com o Bloco Internacionalista, composto pelo Coletivo Anti-imperialista e pela Juventude Comunista da Dinamarca.

Após a manifestação, panfletos com o título de Abaixo a guerra imperialista e os aumentos de preços! foram entregues à massa de trabalhadores. Bandeiras comunistas também foram hasteadas em postes e grades.

Marcha do 1° de maio na Dinamarca. Foto: socialistiskrevolution.files.wordpress.com

Três manifestantes baleados no Chile

Manifestação pelo 1° de maio em Santiago do Chile. Foto: Agência Uno

No Chile, durante uma massiva e combativa manifestação de 1° de maio na capital, Santiago, três pessoas foram alvejadas com arma de fogo por reacionários durante o protesto. Uma das pessoas atingidas se encontra em risco de vida. Ela é uma jornalista que trabalhava para um jornal comunitário quando foi baleada na cabeça.

Os reacionários que realizaram os disparos estavam em contato próximo com a polícia durante todo o tempo e foram imediatamente protegidos pelos agentes de repressão após o ocorrido.

Diante da brutal repressão ao protesto, os manifestantes não se intimidaram e construíram barricadas em chamas pelas ruas do centro, resistindo e enfrentando os policiais reacionários dos Carabineros (polícia militarizada chilena). Como forma de defesa aos canhões lança água, espancamentos e outros ataques contra o direito à manifestação, os manifestantes lançaram coquetéis molotov contra a repressão.

A manifestação do 1° de maio no Chile se segue a outras manifestações combativas de trabalhadores, jovens e estudantes desde que se iniciou o governo do oportunista Gabriel Boric, mostrando que as massas chilenas não se deixam iludir pela farsa eleitoral e a “nova” velha constituinte.

Trabalhadores lutam pela aposentadoria na França

Já na França, poucos dias após a reeleição do reacionário Emmanuel Macron, as massas saíram em polvorosa às ruas das cidades de todo o país para protestar contra as reformas impostas pelo governo  imperialista francês para explorar ainda mais seu proletariado. Uma dessas reformas é a que adiará a idade de aposentadoria dos 62 anos para os 64/65 anos.

A alta da inflação, as contrarreformas e o rechaço às eleições confluíram em uma grande rebelião no 1° de maio, em que as massas construíram barricadas em chamas nas ruas de Paris. Muitas faixas e palavras de ordem exigiam, também, o fim da repressão e violência policial contra as massas nos bairros proletários, chamados de banlieues. Diante da revolta da massa, uma loja do Mc Donald’s foi destruída, além de outros grandes comércios de uma das principais avenidas parisienses. 

Outras 250 manifestações foram realizadas em outras cidades na França, contabilizando mais de 210 mil pessoas protestando em todo o país, um aumento em relação ao ano anterior, quando o número total de manifestantes foi de cerca de 170 mil.

Em Lyon, 6 mil pessoas marcharam no 1° de maio. Em Bordeaux foram mais de 4.500. Manifestações multitudinárias também ocorreram em outras cidades. 

Nas cidades de Rennes, Nantes e diversas outras cidades, militantes das organizações revolucionárias de juventude Jovens Revolucionários (JR) e Liga da Juventude Revolucionária (LJR) combateram a repressão policial que tentava impedir os trabalhadores e jovens de se manifestar.

Mais de 160 manifestantes presos na Turquia

Organização democrático-revolucionária Partizan em Istambul no 1° de maio. Foto: https://www.yenidemokrasi23.net/

Em Istambul, na Turquia, milhares de massas marcharam à Praça Taksim, local histórico de tradição de protesto, rechaçando a proibição do governo do ultrarreacionário Recep Tayyip Erdoğan de que as manifestações fossem realizadas lá.

A Praça Taksim é um local sagrado para os trabalhadores na Turquia, que em 2013 viu grandes rebeliões populares contra o velho Estado e no 1° de maio de 1977 dezenas de trabalhadores foram assassinados em um ataque terrorista de reacionários contra a multidão.

Todas as ruas que davam na praça foram cercadas pelos policiais que espancaram e detiveram todos os manifestantes que se dirigiam até o local. Mais de 164 pessoas foram presas.

A organização revolucionária Partizan participou da marcha multitudinária e ergueu alto bandeiras com o rosto de Ibrahim Kaypakkaya, fundador do Partido Comunista da Turquia/Marxista-Leninista (TKP/ML). Quando atacados pela polícia para abaixar as bandeiras com o rosto do chefe revolucionário, os militantes e ativistas resistiram.

Colômbia: Juventude denuncia a farsas eleitoral e a guerra de agressão à Ucrânia 

Marcha do 1° de maio em Medellín. Foto: https://elcomuneroprensa.wordpress.com/

Na Colômbia, milhares de pessoas marcharam em comemoração ao 1° de maio e também ao um ano da grande rebelião popular de 2021, que teve início no dia 28 de abril. Na cidade de Medellín, jovens e trabalhadores do Movimento Estudantil a Serviço do Povo (MESP) e da Liga Juvenil Revolucionária (LJR) que se encontravam em massa na manifestação realizaram uma grande denúncia à farsa eleitoral, que acontecerá a partir do final de maio no país. Eles também denunciaram vigorosamente a guerra de agressão da Rússia à Ucrânia e realizaram inúmeras ações de agitação e propaganda ao longo da marcha.

Na capital, foram realizadas manifestações em diversas ruas, parques e avenidas, como a avenida central El Dorado, na Praça de Bolívar e no Parque Nacional.

Marcha do 1° de maio em Medellín. Foto: https://elcomuneroprensa.wordpress.com/

Alemanha: Um vigoroso 1° de maio massivo, combativo e classista é realizado

Na Alemanha, o 1° de maio foi realizado sob a consigna de um “Primeiro de maio revolucionário!” e rechaçava que fosse o povo alemão a pagar pela crise geral do imperialismo e pelos crescentes gastos de guerra e militarização da Alemanha. Grandes mobilizações aconteceram em Berlim e diversas outras cidades do interior do país, como Bochum, Bremen, Bremerhaven, Düsseldorf, Essen, Frankfurt, Freiburg, Hamburgo, Leipzig e Wuppertal. 

Na Manifestação em Berlim, uma poderosa marcha ocorreu pelos bairros operários de Neukölln e Kreuzberg e resistiu a todo tipo de acossamento policial. Durante a manifestação, a prefeita oportunista de Berlim, Franziska Giffey, tentou fazer um discurso em que saudou a polícia. A política reacionária foi acertada por ovos no rosto e não conseguiu proferir uma só palavra devido às vaias. 

Entre as massas presentes estavam as palestinas, que estavam proibidas pela polícia de se manifestar devido a um protesto que fora reprimido na semana anterior ao 1° de maio. Mais de 6 mil policiais estiveram envolvidos na repressão e contenção da marcha, acossando as massas com espancamentos e sprays de pimenta. Os embates com as massas duraram até a madrugada.

Em Hamburgo, o Comitê Vermelho de Mulheres de Hamburgo fez uma brigada de venda de revistas revolucionárias Rote Post e Klassenstandpunkt.

Em Essen, ativistas de organizações de imigrantes e do sindicato turco Partizan realizaram a marcha do 1° de maio em rechaço à guerra imperialista.

Antes da data internacional do proletariado, por toda a Alemanha, foram hasteadas dezenas de bandeiras com a foice e o martelo.

Marcha pelo 1° de maio em Bremerhaven. Foto: Dem Volke Dienen

Marcha pelo 1° de maio em Fankfurt. Foto: Dem Volke Dienen

Equador

Marcha do 1° de maio no Equador, em Imbabura. Foto: Frente de Defesa dos Trabalhadores de Imbabura (FDDT-I)

No Equador, a Frente de Defesa dos Trabalhadores de Imbabura (FDDT-I) realizou uma marcha massiva, classista e combativa na província de Imbabura, cidade de Ibarra, junto de outros sindicatos de diversos municípios, como o sindicato da saúde de Imbabura, de carpinteiros e movimentos estudantis, entre outras entidades democráticas. A marcha ocorreu contra a implementação de reformas anti-povo pelo governo reacionário de Guillermo Lasso e percorreu diversas avenidas, como a avenida Mariano Acosta.

A FDDT-I afirmou que a marcha não seria realizada junto de nenhum partido ou organização eleitoreira, pois a frente mantém o princípio de não ser utilizada por nenhum interesse político reacionário e de manter a independência e autonomia.

Marcha do 1° de maio no Equador, em Imbabura. Foto: Frente de Defesa dos Trabalhadores de Imbabura (FDDT-I)

México

Marcha pelo 1° de maio no México. Foto: http://solrojista.blogspot.com/

No México, a comemoração do 1° de maio levada a cabo pelo movimento revolucionário e democrático no país levantou a consigna Reconstituir o Partido Comunista! Um manifesto sobre o dia do internacionalismo proletário também foi publicado pelo jornal popular e democrático Periodico Mural em que explica sobre a atual situação das massas no México e no mundo e propõe um caminho revolucionário para o país através da reconstituição do Partido Comunista do México.

Marcha pelo 1° de maio no México. Foto: http://solrojista.blogspot.com/

Finlândia: massas rechaçam militarização dos países nórdicos 

Marcha do 1° de maio em Tampere. Foto: https://punalippu.noblogs.org/

Marchas massivas do 1° de maio na Finlândia ocorreram nas cidades de Tampere e Helsinque (capital). Nela, revolucionários distribuíram panfletos e colaram cartazes contra a OTAN e contra a militarização crescente nos países nórdicos. Os militantes carregavam uma faixa escrita Revolução socialista contra o imperialismo!. Na manifestação palavras de ordem como Nenhuma OTAN para a Finlândia!, Abaixo a guerra imperialista! Viva a invencível guerra popular! Solidariedade internacional! Revolução socialista! foram entoadas.

Cartazes são colados contra as relações entre a Finlândia e a Otan. Foto: https://punalippu.noblogs.org/

USA: Trabalhadores exigem sindicatos e direitos para os imigrantes

Multidões de ativistas marcharam por Manhattan, em Nova Iorque, exigindo a organização dos trabalhadores em sindicatos para garantir a manutenção e conquistas de seus direitos. No Estados Unidos (USA), os sindicatos são organizados por local de trabalho e há um grande assédio feito pelos patrões para que os trabalhadores não se organizem.

Dessa forma, no 1° de maio centenas de trabalhadores das empresas monopolistas Amazon e Starbucks reivindicaram o direito de se organizarem através de sindicatos e exigiram que eles fossem formados nacionalmente nos locais de trabalho dessas empresas.

Além disso, as massas de trabalhadores exigiam o fim da repressão e perseguição aos imigrantes no país, a legalização de seus documentos e o fim do acossamento de imigrantes principalmente nas áreas de fronteira.

Trabalhadores realizam greve na Grécia

Marcha pelo 1° de Maio em Atenas. Foto: Costas Baltas

Na Grécia, em Atenas, mais de 10 mil pessoas marcharam no centro da cidade rumo ao parlamento grego para protestar contra o aumento do custo dos alimentos, dos combustíveis e da energia. Ao mesmo tempo, trabalhadores dos trens, metrôs e portos da capital fizeram uma grande greve por 24 horas.

"É muito difícil, e a cada dia fica mais difícil para os trabalhadores. Vamos lutar, porque a classe trabalhadora não consegue mais sobreviver", disse Katerina Dekaristou, uma professora que protestava em frente ao parlamento.

Trabalhadores exigem salários dignos no Haiti

Marcha pelo 1° de maio no Haiti. Foto: Haiti Liberte

No Haiti, milhares de trabalhadores, principalmente operários da indústria, saíram às ruas de Porto Príncipe com cartazes e faixas para protestar contra os salários de fome no país. O Haiti é um dos países mais pobres do mundo e foi palco de uma operação de guerra chefiada por tropas imperialistas da ONU durante mais de 13 anos. A previsão para o desemprego em 2022 é de cerca de 14,6% da população apta a trabalhar.

Os manifestantes marcharam durante o 1º de maio exigindo um salário mínimo de 1.500 gourdes (cerca de 100 reais) por dia. O salário médio é atualmente de 500 gourdes (cerca de 34 reais) por dia para nove horas de trabalho.

Massas protestam na Argentina, Itália, Espanha e Venezuela

Manifestantes em Torino enfrentam a violência policial. Foto: Reprodução

No centro de Bueno Aires, Argentina, centenas de massas protestaram contra o novo acordo com o FMI que foi aprovado pelo governo de Alberto Fernández. Já na Itália, centenas de trabalhadores enfrentaram a polícia em Torino após serem encurralados e cerceados de chegarem até a Piazza San Carlo. Na Espanha, cerca de 10 mil pessoas participaram de uma manifestação em Madri. Em uma marcha em Caracas, capital da Venezuela, trabalhadores da saúde e outras categorias protestaram exigindo salários dignos.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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