Ação da CIA em meio à crise política brasileira é revelada por monopólio de imprensa britânico

William Burns, chefe da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), ordenou a Bolsonaro que parasse de pôr em dúvidas o sistema de votação a ocorrer em outubro deste ano. O encontro, que foi noticiado pelo AND, ocorreu em 1º de julho de 2021 e foi realizado em sigilo, ou seja, não foi previamente informado e não constava na agenda oficial dos participantes. O conteúdo da conversa só foi divulgado pelo monopólio de imprensa britânico Reuters em 5 de maio, quando Bolsonaro aprofunda suas maquinações em função de precipitar um golpe militar. 

Naquele encontro, além de Bolsonaro, estiveram presentes Augusto Heleno, do GSI, e o então ministro da Defesa, Braga Neto (agora fora da pasta por ser cotado a vice na chapa de Bolsonaro). 

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Tempestade e turbulência

A declaração do ianque escora-se na defesa da velha democracia no nosso país não em benefício do povo brasileiro, mas sim em ser o atual regime a melhor forma de garantir os interesses imperialistas da superpotência hegemônica única, Estados Unidos (USA), que domina nosso país. Ela também se junta aos clamores vindos de setores da direita liberal que, desde as últimas semanas, lançam sua gritaria para entidades internacionais a uma organização da sociedade civil à nível internacional sobre o risco de ruptura institucional pela extrema-direita. Ao que tudo indica, a agitação bolsonarista pode desaguar em turbulências no país assim que findar o processo de votação da farsa eleitoral em 2 de outubro próximo.

Tudo isto se dá em contexto que Bolsonaro sugeriu, a 27 de abril, que os generais realizassem uma contagem paralela de votos ao lado do tribunal. Dias depois, em 3 de maio, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, reuniu-se com o presidente do STF, Luiz Fux, para tratar da eleição. O encontro foi sugestão do general. Sugestões de outro general, Heber Portella, também foram acatadas, em 25/04, por uma comissão montada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar de tamanha celeridade em atender aquilo que os generais golpistas querem, a rusga entre Bolsonaro e o STF não cessa, pois que este primeiro busca aprofundá-la como aguda crise institucional que precipite uma ruptura.

O ministro do STF, Luís Roberto Barroso, que afirmou em 24/04 que as reacionárias Forças Armadas “estão sendo orientadas para atacar o processo eleitoral e tentar desacreditá-lo”, é o mesmo que teceu elogios à essas mesmas Forças Armadas reacionárias. Ele afirma que desde o fim do regime militar, em 1988, “se teve uma instituição de onde não veio notícia ruim e que teve comportamento exemplar foram as Forças Armadas”. Após a má digestão da fala pelos generais, da ativa e da reserva, Barroso se comprometeu a não falar mais no assunto.

Em sua coluna “A crise tem data marcada” no jornal do monopólio de imprensa O Globo de 01/05, o escritor Elio Gaspari afirma que “o Brasil corre o risco de viver a sua maior crise institucional desde o dia 13 de dezembro de 1968”. Ele também defendeu que deixar para tratar da questão em outubro é “uma forma de botar veneno na crise”. No mesmo dia, o antigo cônsul-geral dos USA no Rio de Janeiro entre 2018 e 2021 e diplomata aposentado do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Scott Hamilton, publicou no mesmo jornalão o artigo “EUA deveriam alertar Bolsonaro que interferência em eleição pode gerar sanções”. O colunista do Uol e da Folha de São Paulo, Reinaldo Azevedo, apontou caminho semelhante, com seu artigo “As eleições estão, sim, sob ameaça no país, que fique claro!”.

Não é de hoje, contudo, que o imperialismo ianque toca na tecla de respeito às instituições e “sugere” ao governo de Bolsonaro que não persistam os ataques às eleições.

Quem é William Burns?

William Burns é o mais alto funcionário do USA nomeado extra-oficialmente por Joe Biden para ser o “porta-voz discreto” do governo imperialista. Basta dizer que Burns esteve escalado para uma viagem à Rússia para conversar com Putin sobre as preocupações dos ianques com as consequências da guerra de invasão contra a Ucrânia. 

A agência Reuters informou que o conteúdo foi repassado a partir de “duas pessoas familiarizadas com o assunto” sob a condição de anonimato.

Não é o único

Um mês após a visita de Burns, outro ianque também reuniu-se com o ultrarreacionário Bolsonaro para tratar da segurança regional e, em especial, da eleição de 2022. Jake Sullivan, conselheiro de segurança nacional do USA, reuniu-se em 5 de agosto de 2021 com Bolsonaro, e trouxe consigo uma mensagem diretamente da cabeça do governo ianque: “Não brinque com as eleições”. Sullivan também reuniu-se com o então ministro da Defesa, Braga Neto, e Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Foram também discutidas questões sensíveis ao imperialismo ianque, como a Amazônia e as redes de internet 5G (tecnologia que a China foi a primeira a desenvolver tendo, inclusive, impulsionado redes de telecomunicações por todo Brasil com tecnologia vinda do país asiático).

Análises corretas

Estes desenvolvimentos da situação política nacional confirmam o já afirmado pelo AND. No Editorial semanal de 26 de abril de 2022, O indulto da crise, apontava-se o seguinte:

“Como temos analisado desde o princípio do governo de turno de Bolsonaro e generais, o capitão falastrão é um obstinado. Seu intento sempre foi de arrastar as Forças Armadas reacionárias para uma aventura golpista, no seu sonho de impor o regime militar fascista (fechamento completo do regime político, com a rapina desenfreada no plano econômico, em síntese). Por outro lado, o ACFA, embora dispute e divirja com Bolsonaro sobre a imposição de um golpe à moda antiga, tem um sério problema na relação com o Judiciário e o Congresso, pois que, para seu projeto de golpe militar branco preventivo parte por parte, precisa destas instituições com seu poder reduzido a meros eunucos do poder Executivo (e, no longo prazo, tendente a seu fechamento mesmo), ou seja, de um modelo de absolutismo presidencialista, para o cumprimento das três tarefas reacionárias. Temos nos referido às três tarefas reacionárias: 1) reestruturação do velho Estado em um regime de centralização máxima do poder no Executivo 2) Re-impulsionar o capitalismo burocrático em crise geral de decomposição 3) impedir o levante das massas, conjurar o perigo de revolução”.

E o mesmo Editorial prossegue: “Há, ainda, nos cálculos militares, o fator eleitoral. Uma vez que fracassada a malfadada ‘terceira via’ (aposta inicial feita em Sérgio Moro, que se provando sem o mínimo de estofo para a sórdida tarefa de disputar a farsa eleitoral, fora cristianizado), depositaram os generais suas esperanças de terceira via em três possibilidades: uma delas nas candidaturas a vice, impondo Braga Netto a Bolsonaro e recebendo de bom grado Alckmin na chapa do oportunismo com Luiz Inácio à cabeça; na segunda frente, a negociação de não aderir ao golpismo ao preço de manter a tutela sobre o próximo presidente ou, a terceira, apostando numa instabilidade e comoção tal que justificasse interferência no processo eleitoral e não aceitação do seu resultado.”

Leia também: Editorial semanal – O indulto da crise

E, também sobre o mesmo assunto, a página 3 da edição nº 247, cujo título é Farsa eleitoral e crise geral, apontava para que:

“Nesse contexto, os generais golpistas do Alto Comando das Forças Armadas (ACFA) estão atentamente medindo a temperatura do país. Preferindo uma candidatura da direita liberal, sobre a qual possam impor sua vontade mais facilmente e sem maiores abalos institucionais, o ACFA joga também com outros cenários (diante da tendência desse não se efetivar). Para tanto puseram Braga Neto à cola de Bolsonaro, para tutelá-lo caso esse vença (o que é do total interesse de Bolsonaro, pois quanto mais vinculado às FA, mais essas estarão no vórtice da crise para seus planos golpistas); ao mesmo tempo, os generais não se pronunciam mais com discursos que possam produzir indisposição com Luiz Inácio, abertamente. Os generais cogitam também intervir militarmente, em caso extremo, determinado pelo nível de agitação extremista nos quartéis e pelo nível de descontrole que tome a luta das massas populares, o que denominam por “crise social”. (...)”

Leia também: Farsa eleitoral e crise geral

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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