Editorial semanal - Eleições e baionetas

Os últimos pronunciamentos de generais-oficiais lotados em ministérios ou ex-ministros indicam que o grau de divisão no seio das tropas cresce. Nos quartéis, desde 2018, a politização é um fato consolidado, impulsionado quando Eduardo Pazuello não foi punido por discursar em ato golpista de Bolsonaro como general da ativa. O Alto Comando das Forças Armadas (ACFA) está crescentemente sendo arrastado para o epicentro da crise de decomposição do velho Estado.

Nesse contexto é que crescem pronunciamentos, inclusive do Ministério da Defesa em cuja cabeça está lotado um general, pondo em dúvida a segurança das urnas eletrônicas. Após levantar 88 dúvidas sobre a segurança da mesma ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e fazer sete sugestões (todas injustificadas), tal general instou que o tribunal tornasse tais questões públicas. Ora, se são dúvidas, por que razão torná-las públicas? Para que se torne pública a desconfiança no processo eleitoral, por certo. Ato contínuo, quem sabe, se for necessário, questionar o resultado.

A coisa está sendo desenhada de tal maneira que o general Heber Garcia Portella, até então representante das FA para atuar junto ao TSE na Comissão de Transparência das Eleições, cobrou do tribunal que defina imediatamente o que será feito caso se verifique irregularidade nas eleições. Dias depois, o mesmo general foi “demitido” pelo ministro da Defesa, que exigiu que o TSE ponha-o diretamente na comissão, passando por cima do próprio tribunal, o único que pode nomear integrantes.

Como se vê, os generais golpistas estão à vontade. Donos da republiqueta, ditam as regras, e que se cumpram! Aliançam-se no fato de esta velha democracia, já morta, mas insepulta, não comover as massas populares quando em apuros, uma vez que foi nos últimos 34 anos o veículo da ditadura sanguinária e impiedosa da grande burguesia e do latifúndio, serviçais do imperialismo, principalmente ianque, contra a imensa maioria da Nação.

Algo deve substituir essa velha democracia e, sentindo-se dono dela, o ACFA prossegue com a sua ofensiva contrarrevolucionária, agora com três possíveis linhas de atuação: primeira, com eleição de Bolsonaro, tutelá-lo o quanto for possível através do vice, Braga Netto; segunda, se Luiz Inácio for eleito e as condições externas possibilitarem sua posse, tutelá-lo e, em última instância, quando a crise devorar seu governo oportunista, empossar o vice, Geraldo Alckmin, homem de confiança do establishment e do ACFA; terceira, se o grau de divisão nas forças for tal que uma vitória de Luiz Inácio e incremento da situação revolucionária torne impossível manter a hierarquia da tropa sedenta por um regime de força, o ACFA pode passar a questionar o resultado eleitoral e impor o culminar do golpe militar com algum arranjo de saída constitucional.

É evidente que os generais golpistas estão preparando condições para todas as possíveis linhas de atuação. As condições para as duas primeiras estão prontas. Agora estão a preparar o terreno para, se necessário, terem como desatar a terceira linha, de culminar o golpe através de questionar a farsa eleitoral. Bolsonaro, em todas as suas ações, busca precipitar essa terceira linha. Ele mesmo é o principal agitador para dividir as tropas, sabedor que é de que isto significará arrastar o ACFA, necessariamente, para a sua terceira linha de atuação, que os próprios generais veem como o pior cenário.

O grau de profundidade é tamanho que até mesmo a CIA veio ao seu quintal dar seu recado. O encontro do diretor de espionagem ianque com Bolsonaro e alguns generais no governo ocorreu em 2021, mas, diante dos movimentos do ACFA de questionar a segurança das eleições, tornou público somente agora qual foi o recado dado: “não brinquem com as eleições”. Ato contínuo, o Departamento de Estado ianque disse que “os brasileiros precisam confiar muito nas suas instituições democráticas” e que “as eleições no Brasil são seguras”. Como se vê, o fato da farsa eleitoral e dessa velha democracia ter apoio, respaldo e reconhecimento da CIA é um claro sinal, primeiro, de que as eleições podem realmente não acontecer e, segundo, que a velha democracia, suas carcomidas instituições reacionárias e a farsa eleitoral têm sido mesmo joguetes, instrumentos nefastos na mão dos ianques para atingir seus objetivos contrarrevolucionários.

O grau de exploração e opressão que está pesando sobre as massas populares, juntamente ao avanço do seu nível de consciência espontânea e principalmente de sua consciência revolucionária em seus setores mais ativos, as empurram a lutas cada vez mais radicalizadas, especialmente no campo. É isto o que tem impedido a reação de atingir seus objetivos.

As últimas semanas demonstram que o pacto de classes de 1988 ruiu, e com ele morreu a velha democracia sem que nada tenha a substituído.

Ouça já o Editorial semanal de 10 de maio de 2022:

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin