Guedes cria ‘bolsa privatização’ para venda da Eletrobrás

No dia 18 de maio, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a privatização da Eletrobrás, atendendo a pedidos do governo vende-pátria de Bolsonaro e generais. Por essa razão, divulgamos matéria da edição nº 247 denunciando a criação de um "bolsa privatização" para altos diretores da empresa estatal.


O Ministério da Economia do governo vende-pátria de Bolsonaro e generais criou o “bolsa privatização” para altos diretores da Eletrobrás. O Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) denunciou em boletim, divulgado no dia 30 de março, que em um ano estes altos diretores bolsonaristas podem ganhar até 12 honorários, cujos valores chegariam a mais de meio milhão de reais no total por diretor.

A premiação chamada de “Indicador de Demandas da Capitalização” cumpre o papel de incentivar a que estes altos diretores da Eletrobrás acelerem o processo de venda da estatal. De acordo com a denúncia, Guedes, através da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), subordinada ao Ministério da Economia, colocou a proposta no documento “Proposta de Administração para a Assembleia Geral Ordinária da Eletrobrás”. 

O tópico dedicado a absurda proposta prevê o pagamento de até 12 honorários no valor R$ 52.355,71 para o presidente da empresa e no valor de R$ 49.862,59 para os diretores, com uma parte paga em 2022 e a outra nos próximos anos. Somados, cada um dos 12 honorários totalizam  R$ 628.268,52 e R$ 598.351,28, respectivamente. A assembleia será realizada no dia 22 de abril.

O artifício é mais uma manobra do governo militar genocida de Bolsonaro e generais com vista a cumprir o objetivo de vender o maior número possível de estatais, para entregar o País de vez, nas mãos do capital financeiro imperialista e destituir a Nação de suas riquezas e autossuficiência.

Eletricitários em luta

Contra o avanço das privatizações, a luta dos trabalhadores vêm impedindo que os anseios de entreguistas culminem. No caso da Eletrobrás, por exemplo, os trabalhadores deflagraram uma grande greve nacional em janeiro. Cerca de 80% dos funcionários da estatal aderiram à greve em todo Brasil. Os eletricitários lutam para defender seus direitos e contra os abusos e arbitrariedades cometidos pela direção da empresa a mando do governo militar antipovo e vende-pátria de Bolsonaro e generais.

Os eletricitários denunciam que a empresa vem rebaixando as condições de trabalho, promovendo demissões e sucateamento para impor a privatização. Os trabalhadores denunciam que a empresa, ao ser privatizada, oferecerá um serviço à população ainda mais caro e de baixíssima qualidade, pois os lucros dos acionistas seriam maximizados para cobrir os dividendos e enriquecê-los, tal como acontece com a Petrobrás no caso da adoção do Preço Paritário Internacional (PPI).

Congresso corrupto aprova a privatização

O texto-base da medida provisória que autorizou a privatização da Eletrobrás foi aprovado em meados de 2021 pelo Congresso Nacional. A aprovação se deu após negociações entre os deputados corruptos e o governo militar reacionário, por meio do método chamado “toma lá, dá cá”.

Esse sistema de troca de favores foi amplamente criticado por Bolsonaro antes de assumir a presidência. Em entrevista ao Canal Livre na Band em 29/11/2017, o reacionário declarou demagogicamente: “Toda a imprensa pergunta pra mim: 'Como você vai governar sem o ‘toma lá, dá cá’?' Eu devolveria a pergunta à vocês: existe outra forma de governar, ou é só essa? Se é só essa, eu tô fora! Se é para aceitar indicações políticas, a raiz da ineficiência do Estado e da corrupção, aí fica difícil você apresentar uma proposta que possa realmente proporcionar dias melhores para a nossa população.”.

Agora, ao lado de Valdemar Costa Neto e Ciro Nogueira, o capitão fascista entregou partes importantes do seu governo aos setores que antes criticava.

País não é soberano

Mesmo com um gigantesco território e abundantes recursos naturais, o Brasil não é soberano em matéria de energia e necessita importar eletricidade de outros países. As classes dominantes do país entravam o desenvolvimento do modelo energético nacional, fazendo com que o trabalhador brasileiro pague caro por péssimos serviços de abastecimento elétrico.

Um dos fatores que causa tal situação é a baixa integração entre a rede de transmissão de energia em todo território nacional. Isto gera como consequência a falta de energia em determinadas regiões, enquanto outras produzem em abundância, energia de sobra que acaba por ser descartada devido à falta de capacidade para fazer a transmissão para a outra parte do território nacional.

Ao contrário de resolver o problema, o governo militar de Bolsonaro e seu sabujo Paulo Guedes buscam aprofundar essa dependência. Logo que for vendida, a Eletrobrás cairá nas mãos de grandes empresas monopolistas estrangeiras, atendendo aos interesses desses grupos em detrimento dos interesses do povo brasileiro.

O próprio imperialismo ianque (Estados Unidos, USA), superpotência imperialista hegemônica única, e grande propagandista do “livre mercado”, tem o seu setor energético interno controlado por órgãos ligados ao Exército. Enquanto que, no Brasil, a produção e distribuição de energia já possui a participação significativa de empresas de países imperialistas, como França e China.

O caso da venda da Eletrobrás é tão controverso e absurdo que até mesmo setores da grande burguesia fizeram ressalvas quanto à questão. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) emitiu uma declaração em seu portal assinada pelo diretor de seu Departamento de Infraestrutura, Carlos Cavalcanti, em que afirma: “Bem pior que ter uma estatal com esse poder de fogo no mercado é ter uma empresa privada controlando toda essa geração de energia”. A entidade estima em R$ 460 bilhões o aumento nas contas de luz nos próximos 30 anos, em decorrência da venda da empresa.

Povo é quem sofre as consequências

No final das contas, quem sofre com todo esse entreguismo e subjugação é o povo pobre e trabalhador que é obrigado a pagar uma conta de luz cada vez mais cara e com a bandeira tarifária quase sempre vermelha.

Essa situação, somada ao aumento da carestia de vida, prevê um cenário desolador, mas também de grande revolta popular, à medida em que o povo é obrigado a tirar dinheiro da alimentação para pagar contas por serviços básicos e que não funcionam, o sentimento de revolta toma conta das massas populares.

Guedes cria ‘bolsa privatização’ para venda da Eletrobrás. Foto: Banco de Dados AND

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin