Auschwitz Versão Brasileira: Agentes da PRF matam homem asfixiado com gás dentro de porta-malas de viatura em Sergipe

Policiais trancaram Genivaldo dentro de porta-malas da viatura e jogam gás lacrimogêneo. Foto: Reprodução

Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mataram asfixiado com gás e fumaça um trabalhador portador de transtornos mentais, no dia 24 de maio, em um trecho da BR-101, em Umbaúba, Centro-Sul do estado de Sergipe. O crime aconteceu dentro de uma viatura da própria corporação.

Genivaldo de Jesus Santos, 38 anos, aposentado por ser esquizofrênico, foi abordado por cerca de três agentes da PRF quando trafegava com sua moto. Imagens gravadas por Wallison de Jesus, sobrinho da vítima, mostram os policiais sendo truculentos desde o início da abordagem. Mesmo não encontrando nada de irregular com Genivaldo, os agentes colocaram o homem de costas e com as mãos para cima e começaram a revistá-lo ao mesmo tempo que o xingavam.

Com tamanho abuso e falta de respeito, Genivaldo perguntou o que tinha feito para que os policiais o tratassem daquele jeito. Nesse momento, os policiais o jogaram no chão, com um dos agentes amarrando suas mãos e pés e o outro usando seu joelho para pressionar o pescoço do trabalhador, em cena que relembrou o assassinato do trabalhador estadunidense George Floyd, em 2020.

“Eu estava próximo e vi tudo. Informei aos agentes que o meu tio tinha transtorno mental. Eles pediram para que ele levantasse as mãos e encontraram no bolso dele cartelas de medicamentos. Meu tio ficou nervoso e perguntou o que tinha feito. Eu pedi que ele se acalmasse e que me ouvisse”, contou Wallison.

Policial imobiliza Genivaldo colocando joelho em seu pescoço. Foto: Reprodução

Não satisfeitos com a imobilização violenta da vítima, os policiais ainda decidiram torturá-lo, mesmo na frente de dezenas de trabalhadores e crianças que passavam pelo local. Genivaldo foi colocado dentro do porta-malas da viatura com somente seus pés para fora. Em seguida, os agentes dispararam spray de pimenta contra a vítima e lançaram gás lacrimogêneo dentro do carro fechado, com o homem dentro. Nas imagens, é possível ouvir Genivaldo se debatendo e gritando dentro do carro enquanto os policiais pressionam o porta-malas para mantê-lo trancado em meio à fumaça.

A sessão de tortura somente terminou quando Genivaldo desmaiou. “Eles jogaram um tipo de gás dentro da mala, foram para delegacia, mas meu tio estava desacordado. Diante disso, os policiais levaram ele para o hospital, mas já era tarde”, denunciou Walisson.

Genivaldo chegou morto ao hospital José Nailson Moura. Segundo o sobrinho, o período entre a abordagem e morte do tio durou ao todo uma hora.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) constatou que Genivaldo morreu de asfixia mecânica e insuficiência respiratória aguda. Na nota divulgada pela PRF sobre o ocorrido, é relatado que o homem "resistiu ativamente a uma abordagem" e que "foram empregados técnicas de imobilização e instrumentos” que a corporação assassina qualificou como de “menor potencial ofensivo”.

No entanto, Wallison contesta a versão de que Genivaldo resistiu à abordagem: “Em nenhum momento ele exibiu força. Inclusive, na hora que foi abordado, ele levantou as mãos e a camisa, e mostrou que não tava com arma nenhuma”, contou.

Segundo a família, a vítima tinha esquizofrenia e tomava remédios controlados há cerca de 20 anos. A esposa de Genivaldo, Maria Fabiana dos Santos, denunciou o assassinato brutal do marido: “Eu não chamo nem de fatalidade. Isso aí foi um crime mesmo, eles agiram com crueldade, para matar ele mesmo", afirmou a viúva. Genivaldo deixou um filho de 8 anos.

Milhares de trabalhadores comparecem ao enterro de Genivaldo. Foto: Reprodução

A PRF até o momento não divulgou a identidade dos agentes envolvidos no caso. Vale ressaltar que a o entidade federal também esteve envolvida no massacre genocida ocorrido no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, no dia 23 de maio, um dia antes do assassinato de Genivaldo. O massacre da Penha deixou 25 pessoas mortas. 

Recentemente, a PRF foi beneficiada diretamente pelo genocida Bolsonaro com aumento salarial de mais de 5%. Questionado sobre o assassinato de Genivaldo, Bolsonaro respondeu cinicamente que não estava sabendo do ocorrido, porém logo em seguida tentou justificar a ação dos policiais citando o caso em que dois policiais da PRF foram assassinados por um morador de rua durante uma abordagem no Ceará, há algumas semanas atrás e sem nenhuma relação com a execução covarde contra Genivaldo. 

Moradores protestam e erguem barricadas após brutal execução

Moradores protestam contra brutal execução. Foto: Anderson Barbosa

Na manhã do dia 26 de maio, centenas de moradores realizaram um combativo protesto na BR-101, próximo ao trecho onde Genivaldo foi morto. Os manifestantes ergueram barricadas em chamas e fecharam as pistas nos dois sentidos. 

Eles ainda levaram faixas e cartazes exigindo justiça e punição exemplar aos assassinos de Genivaldo e denunciaram a violência policial em Sergipe e em todo o País. Alguns dos cartazes diziam:"PRF, vocês são assassinos! Bando de animais" e "Umbaúba clama por Justiça!".

Barricadas incendiadas foram montadas na BR-101. Foto: Daniel Rezende 

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