Argentina: Mais de 300 mil protestam rechaçando a crise e o FMI

Marcha contra a crise e o FMI contou com 100 mil pessoas em Buenos Aires. Foto: Juano Tesone

Mais de 300 mil pessoas se mobilizaram em protestos na Argentina para exigir a criação de empregos de qualidade e renda digna e em rechaço ao recente acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Dessas, cerca de 100 mil pessoas vindas de todas as partes do país participaram de uma marcha que confluiu em grande marcha até o centro de Buenos Aires. Os protestos duraram três dias, a partir do dia 12 de maio.

Por dias as massas vindas de 23 cidades do país, do sul ao norte, acamparam nas principais estações ferroviárias e rodoviárias da capital, marchando até o Ministério da Economia e depois até a Praça de Maio, em frente à Casa do Governo. Diversos piquetes foram montados nas principais vias da cidade.

Cartazes e palavras de ordem exclamavam na marcha: A verdadeira dívida está com o povo!, em rechaço ao acordo com o FMI, e exigiam Trabalhar com dignidade! e Trabalhar com todos os direitos!, assim como a geração de milhares de novos empregos genuínos.

Em entrevista ao monopólio de imprensa AP, uma manifestante, Magali Cornide, afirmou: “Somos contra a fome e a pobreza em que estamos submersos neste país e acreditamos que isso se deve ao acordo político que foi assinado muito recentemente com o FMI. O que este acordo faz é gerar políticas de ajuste que têm uma conexão direta com os bolsos dos trabalhadores, porque eles fazem os ajustes e depois nós, as classes trabalhadoras, pagamos as consequências”. 

Além disso, muitos manifestantes denunciaram os subsídios governamentais, que são muito poucos e não substituem a necessidade por empregos. Um manifestante que estava desempregado desde a pandemia, entrevistado pelo jornal Clarín, declarou: "Eu não peço por nenhum benefício. Essa é a luta que estamos aqui para lutar", acrescentando que os subsídios deveriam “ser algo temporário".

"Meus filhos estão na mesma situação que eu", disse. “Como pode ser que um quilo de carne valha 1.500 pesos [R$ 60] e um salário valha 20.000 [R$ 792]?", concluiu.

Empregos informais, inflação e miséria

De acordo com os dados mais recentes sobre o desemprego na Argentina, no último trimestre de 2021, o desemprego caiu para 7%, chegando a ter atingido 13% da força de trabalho no trimestre anterior. O emprego assalariado registrado, por sua vez, caiu 1,7 pontos, enquanto o emprego informal aumentou 1,4 pontos. 

Entre janeiro de 2017 e janeiro de 2022, os salários caíram 18,5% em termos reais (incluindo o efeito da inflação). Os assalariados de empresas privadas perderam 15,3% em renda e os trabalhadores informais viram sua renda cair em 26,2%.

Todos esses percentuais, incluindo o de desemprego, diante do atual aumento da inflação e da taxa de juros que vêm falindo diversas pequenas e médias empresas, tendem a ter aumentado drasticamente a partir de janeiro de 2022.

Em março a inflação foi de 6,7%, a maior em 20 anos, e aumentou 55,1% em comparação com o mesmo mês em 2021. Durante todo o primeiro trimestre do ano, acumulou 16,1%.

A pobreza, em 2021, afetava 37,3% dos argentinos, o que disparou com a inflação. De acordo com sindicatos presentes na marcha, hoje em dia ela afeta pelo menos metade da população.

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