Grécia: Estudantes protestam contra criação de força policial para universidades

Estudantes bloqueiam avenida com cordão de autodefesa. Foto: Ekathimerini

Milhares de estudantes de Atenas, capital da Grécia, e Thessaloniki, cidade no Norte do país, têm se rebelado contra a criação de uma força policial específica para os campi das universidades. Apesar de ter sido proposto no ano passado, somente recentemente o Estado reacionário grego tem avançado nos planos de colocá-lo em prática. 

Em absoluto repúdio às propostas, que, segundo os estudantes, servem para aumentar a repressão sobre o movimento estudantil, protestos ocorreram nas cidades de Atenas e Thessalonik. As mobilizações começaram a tomar forma ainda em 2019, mas tem assumido um caráter cada vez mais combativo nas últimas semanas. 

Em Thessaloniki, no dia 10 de maio, estudantes protestaram em diversas partes da Universidade Aristóteles de Thessaloniki. A polícia reprimiu o protesto com o uso de gás de pimenta. Já no dia 26/05, em torno de 5.000 estudantes o centro da cidade em sua justa rebelião. O protesto foi, novamente, duramente reprimido pelos agentes de repressão. 

No protesto do dia 26/05, um estudante foi covardemente alvejado no rosto por uma bomba de gás lacrimogêneo, em uma clara demonstração de qual será o verdadeiro papel da polícia nas universidades. Em resposta, os manifestantes bloquearam as ruas com barricadas em chamas e revidaram aos ataques da polícia com o uso de coquetéis molotovs, pedras e morteiros. Oito estudantes foram detidos em meio ao confronto.

Estudantes entram em confronto com a polícia em Thessaloniki. Foto: AP Photo/Gianni Papanikos.

Foto: AP Photo/Gianni Papanikos

No dia 28 de maio, milhares de estudantes tomaram as ruas de Atenas, organizados em cordões de força e com faixas que exclamavam A polícia universitária não vai entrar em nossas Universidades!. Os manifestantes denunciaram a brutalidade na repressão aos protestos em Thessaloniki e os gastos excessivos resultantes da criação da força policial: dos 91,6 milhões de euros aprovados para educação superior para o ano de 2022, 20 milhões serão destinados à manutenção do efetivo policial. 

Estudantes protestam em Atenas, Grécia. Foto: Savvas Karmaniolas/Twitter

Histórico de repressão ao movimento estudantil

As universidades da Grécia, até 2019, tinham a garantia da “lei do asilo”, aprovada em 1982 e que proibia a entrada de forças policiais nas universidades. Esse direito é veementemente defendido pelos estudantes, principalmente frente ao histórico de repressão do velho Estado grego e seus aparatos militares contra o movimento estudantil. 

No ano de 1973, quando ainda vigorava no país um regime militar (1967-1974), estudantes que protestavam contra o regime na Universidade Politécnica de Atenas foram brutalmente reprimidos pelo Estado reacionário. A Universidade foi invadida por tanques de guerra e ao menos 26 estudantes foram assassinados no massacre. No ano de 2019, o governo reacionário de Prokópis Pavlopoulous deu fim à lei do asilo, o que abriu portas para a proposta feita, no orçamento de 2021, pelos ministros Niki Kerameus, Ministro da Educação, e Michalis Chrysochoidis, Ministro da Proteção Civil. Segundo a proposta, a força policial responderia diretamente à Força Policial Grega e teria permissão para prender alunos suspeitos de participar de “atividades criminosas”. 

Este ataque se soma a outros que buscam impedir a organização estudantil, como a medida que busca transformar o sistema de eleições para representações estudantis, acabando com o sistema de chapas políticas e criando um sistema de eleição de indivíduos a partir de uma lista única. Os estudantes denunciam que, em última instância, essa proposta busca acabar com as organizações políticas no movimento estudantil. 

Ainda segundo os estudantes, tais ofensivas do velho Estado grego fazem parte de uma ofensiva geral contra as mobilizações populares, uma vez que as universidades, como trincheiras de luta, sempre foram decisivas nas lutas populares do país. “As universidades sempre cumpriram um grande papel nos movimentos políticos na Grécia. Os movimentos estudantis foram ponto-chave na organização de manifestações em 2008 e durante a crise econômica”, afirmou Meliana Makari, uma estudante da Universidade Técnica Nacional de Atenas, à revista Jacobin.

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