RJ: Moradores se rebelam após execução covarde de trabalhador pela PM

Moradores do Morro do Queto, em Sampaio, zona norte do Rio de Janeiro, protestaram por três horas no fim da manhã e também na noite de 6 de junho. Os manifestantes exigiam justiça para Reginaldo Avelar Porto, conhecido como Duin, que foi assassinado com um tiro no peito por um agente da Polícia Militar (PM). 

Reginaldo estava em um ferro velho quando uma briga entre os próprios trabalhadores se iniciou. Deslocando-se da frente do estabelecimento até o ferro velho, um policial se intrometeu na briga e atirou no peito do trabalhador. Reginaldo Avelar Porto tinha 37 anos e trabalhava como cuidador de idosos. Ao saber do covarde assassinato, familiares e conhecidos de Duin iniciaram um protesto denunciando a PM e exigindo justiça. A equipe de AND esteve no local no momento em que se iniciou o protesto, junto às massas, e realizou uma cobertura exclusiva, além de distribuições de exemplares.

Moradores denunciam violência policial

Cerca de 50 moradores se reuniram na entrada da favela, na avenida Marechal Rondon, para protestar contra o assassinato do trabalhador. Os moradores levantaram barricadas e levantaram cartazes exigindo justiça. A PM reprimiu todos que estavam participando do protesto, impedindo o direito à manifestação. As bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e balas de borracha foram lançadas de maneira indiscriminada, atingindo inclusive familiares do trabalhador morto pelo policial. Muitas crianças e idosos estavam circulando na entrada do morro (que fica localizada próximo à uma escola municipal e uma creche) e tiveram que se defender dos ataques covardes da PM.

Após os ataques da polícia assassina, moradores se revoltaram e não permitiram o fim da manifestação. Denunciando a violência policial, os moradores retornaram às ruas. “Só vem na favela pra matar morador. E todo morador sai como traficante. Sai como bandido. A polícia chega para nos matar”, denunciou uma manifestante.

Familiares estavam presentes e denunciaram o covarde assassinato com tiro que atingiu o peito do trabalhador. Os moradores afirmaram que Reginaldo era querido por todos, inclusive pelas crianças do morro. Um trabalhador entrevistado pelo AND denunciou que não havia qualquer motivo para a PM intervir na briga, muito menos com um tiro no peito:

– Não tem nada que se meter em briga de trabalhador. Ele não tem que matar, sair de lá e dar um tiro no moleque! Não foi nada acidental!

– O que a gente vai falar pra criança que ficou órfã por causa da ausência do cara? Mais um preto favelado que vai crescer sem pai. Mais um! – denunciou outra moradora.

Uma prima do Reginaldo denunciou que essa não foi a primeira ação dos moradores contra a violência policial. Há dois anos, os moradores realizaram um protesto contra a PM que durante um ataque à comunidade deixou uma criança atingida com um disparo na mão.

Outra manifestante denunciou que policiais tentaram jogar o corpo de Reginaldo no camburão e levá-lo para longe do local em que foi assassinado, em uma prática ilegal rotineira em que a PM altera a cena do crime para forjar flagrantes.

– Parecia que ele era um bicho! Falou para um colega dele: tira a mão. Não prestou socorro. Foi um homem do carro que pegou e levou meu primo. E ele nem quis saber! – denunciou a moradora.

MASSAS ERGUEM Barricadas E exigem justiça

Por mais de três vezes os policiais atacaram as massas, sem conseguir impedir a justa revolta. Em filmagens feitas pelo AND, é possível ver policiais lançando bombas em direção à manifestação sem qualquer motivo, e em pleno meio-dia, horário em que crianças estavam retornando às suas residências. Mulheres com crianças de colo e crianças que estavam retornando a suas casas foram atingidas pela fumaça da bomba de gás lacrimogêneo.

Mesmo sob ataques, os moradores não se intimidaram e rebelaram-se contra a violência policial. Três barricadas foram levantadas em diferentes pontos de acesso à comunidade, duas na avenida Marechal Rondon e uma na entrada do túnel Noel Rosa, que dá acesso a Vila Isabel. Moradores também se defenderam das bombas lançadas pelos policiais com garrafas e pedras.

Durante a noite, quase 12 horas após o assassinato, as massas novamente tomaram a avenida Marechal Rondon, paralisaram o trânsito e enfrentaram a repressão sanguinária da tropa da Choque da PM.

Cláudio Castro: assassino e terrorista

A manifestação dos familiares de Reginaldo e moradores do Morro do Queto em resposta ao covarde assassinato evidencia uma situação abjeta. Durante o governo de turno de Cláudio Castro, a PM do estado foi responsável por 330 mortes somente em operações policiais. Este número não inclui os assassinatos cometidos por policiais fora do contexto de operação, como foi o caso do brutal assassinato de Reginaldo.

Os moradores das favelas não se limitam mais a somente se lamentar, mas exigem justiça e denunciam todos os crimes feitos pela PM assassina e terrorista de Cláudio Castro. Assim como apontam contra o governo genocida de Bolsonaro e generais que impulsiona todo tipo de massacre contra o povo trabalhador.

Confira o vídeo produzido pelo AND em uma cobertura exclusiva:

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