Editorial semanal - Impulsionar o protesto popular, boicotar a farsa eleitoral

No último dia 10 o general Paulo Sergio Nogueira, ex-comandante do Exército e atual ministro da Defesa, fez novo movimento para colocar em dúvida o sistema de votação da farsa eleitoral. Disse, em ofício enviado ao presidente do TSE, Edson Fachin, que o tribunal deve atender às exigências feitas pelas Forças Armadas, porque “eleições transparentes são questão de segurança nacional”. Na construção lógica se percebe que o golpista considera a atual forma de realizar eleições não-transparentes.

Ora, que as eleições são uma farsa, isto todos os revolucionários denunciam e as massas populares o sabem  em sua própria pele. Mas não pela forma que são realizadas – ou, pelo menos, não principalmente –, mas porque, seja através da via eletrônica, seja pelo voto no papel, as eleições são apenas um mecanismo através do qual os reacionários buscam renovar a legitimidade do velho Estado e municiar o sucessivo governo de respaldo para atacar os direitos do povo e atender aos interesses das classes dominantes. Agora, os questionamentos às eleições reacionárias têm outro motivo. Os temores do Alto Comando militar de que ocorra uma séria divisão e quebra da hierarquia no seio das Forças, decorrentes da agitação subterrânea nos quartéis que vem sendo realizada há anos por certos generais no governo e intensificada neste ano eleitoral, tem levado a uma espécie de apaziguamento com a rebeldia na caserna, dos quais são partes esses pronunciamentos sobre a segurança e transparência das eleições, como a fala do ministro da Defesa. Pensa-se que com isso se pode aplacar golpistas obstinados, o que muito ao contrário, só tem jogado mais água no moinho dos golpistas.

Aí é que se torna gritante a cegueira do oportunismo, crendo que essas eleições são eleições regulares, normais. Luiz Inácio, sentindo-se intimidado, já quase não fala. Desde abril emissários desse oportunista têm intercambiado opiniões com os generais e se iludido com belas palavras legalistas, frequentemente antagonizadas com a prática de inúmeros representantes das Forças no que se refere à farsa eleitoral.

Porém, o que se pode esperar de um escolado oportunista, com mais de 50 anos de serviços prestados, direta ou indiretamente, para o Departamento de Estado ianque e à reação local, como visceral anticomunista e blasonador profissional? Acovardados, os chefetes oportunistas e revisionistas de todos os matizes pregam, tal como o Alto Comando, o apaziguamento com o movimento golpista, cuja ameaça de desfecho toma corpo nas Forças Armadas, cada dia mais. Receando que a agudização da luta de classes conduziria ao arremate do golpe militar já em curso desde 2015, pregam a conciliação, na ilusão de que assim o aplacará, enquanto fazem de tudo para desmobilizar as massas, sabotar suas lutas pelas mais elementares reivindicações e, ainda, ludibriam suas bases com fraseologias, pois que, qualquer ruptura significaria perder seus lugarzinhos rendosos na aristocracia sindical e nos parlamentos país adentro. Desatada a ruptura, não haveria outro caminho que não a luta de classes radical e na sua forma mais alta, caminho esse custoso em demasia para seus espíritos de bon-vivant. Contudo, como os fatos são teimosos, a situação real do país só avança para uma grande desordem sob os céus.

Lenin já disse que “chama-se ilusões constitucionais ao erro político que consiste em que as pessoas aceitem como existente um sistema normal, jurídico, ordenado, legal, numa palavra, ‘constitucional’, embora na realidade ele não exista”. Assim é a visão dos oportunistas eleitoreiros. A sua política, hoje, é tal como a dos mencheviques naquele momento, “que transferiram o centro de gravidade para o ato jurídico: a proclamação, a promessa…”. A do movimento revolucionário deve ser tal qual a dos bolcheviques: “transferimos o centro de gravidade para a luta de classes”. Assim, tal como na Rússia de 1917, a cegueira dos oportunistas e revisionistas “provoca as massas para que se desiludam com os partidos socialista-revolucionário e menchevique e abre o caminho para sua passagem à política de apoio ao proletariado revolucionário”.

A tarefa dos verdadeiros democratas e revolucionários é, pois, mais que nunca, contra o desemprego, a miséria e a fome, contra o genocídio, a imoralidade geral e contra o golpe militar: impulsionar o protesto popular e o boicote ativo à farsa eleitoral!

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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