Indonésia: Milhares de papuas lutam por independência

Manifestantes papuas resistem contra repressão. Foto: AFP

Nas últimas semanas, milhares de papuas têm se mobilizado na Indonésia contra a divisão de Papua em seis diferentes províncias por parte do velho Estado indonésio. Os protestos ocorreram em cidades da Indonésia, como a capital Jakarta, Bali, Bandung e Java Ocidental e em todas as regiões de Papua, como Jayapura, Wamena, Paniai, Sorong, Timika, Yahukimo, Lanny Jaia, Nabire e Merauke. 

Os papuas denunciam que a criação de novas províncias é um plano para dividir o povo e aumentar a dominação colonial e a repressão, uma vez que as leis indonésias prevêem que cada província disponha de sua força policial regional e um comando militar. 

Protestos tomam Indonésia e Papua

No dia 15 de março, a região de Yahukimo foi tomada por milhares de papuas que rechaçaram o projeto indonésio de divisão de seu território em seis províncias. Durante o protesto, as massas em fúria arremessaram pedras na polícia quando agentes de repressão tentaram se infiltrar na manifestação e fotografar ativistas. Com a tentativa de infiltração frustrada, os policiais reprimiram a manifestação com bombas de gás e armas de fogo, deixando dois mortos e vários feridos. Em resposta, as massas incendiaram diversos prédios da região. 

Diversos outros protestos ocorreram durante os meses seguintes. No dia 10/05, um protesto em Jayapura, capital da província de Papua, a polícia reprimiu um cordão de força de manifestantes com o uso de canhões de água. As massas, contudo, levantaram-se imediatamente após todas as vezes em que foram acertadas pelos canhões, formando novamente o cordão. Em Macáçar, Indonésia, também no dia 10/05, estudantes papuas foram atacados por paramilitares enquanto a polícia assistia.

No dia 03/06, novamente protestos ocorreram em todas as regiões de Papua e em sete cidades da Indonésia. Em Wamena, milhares foram às ruas exclamando a palavra de ordem Papua: liberdade!. Os protestos foram duramente reprimidos pelas forças de repressão do velho Estado indonésio. Em Papua, ao menos quatro estudantes foram brutalmente espancados. Em Jayapura, um estudante, ensanguentado após confronto com a polícia, permaneceu na manifestação e exigiu a libertação de Papua em seu discurso.

Protestos também têm ocorrido a nível internacional como forma de solidariedade. No dia 10/05, no Timor-Leste, um protesto ocorreu em apoio à independência de Papua. Ao menos dez pessoas foram detidas no caminho da manifestação até a embaixada da Indonésia na capital do Timor-Leste, Dili.

Papua é uma província da Indonésia desde a década de 1960, quando, no ano de 1962 passou do estado de colônia holandesa para uma província administrada pelo velho Estado indonésio. Em 1969, sete anos após o início da ocupação Indonésia em Papua, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou um referendo no qual os papuas puderam escolher entre continuar como província da Indonésia ou se declarar como independência. 

Contudo, apenas pouco mais de mil pessoas foram selecionadas para participar do referendo, escolhidas a dedo entre líderes tribais e papuas pertencentes às classes dominantes, como os reis locais, favoráveis à permanência de Papua como província indonésia. Mesmo com a seleção dos indivíduos que participariam do referendo, as forças de repressão do velho Estado indonésio desencadearam, entre os anos de 1963 e 1969, uma brutal campanha de intimidação para que os votos fossem favoráveis à integração de Papua à Indonésia, com diversos casos de espancamento e tortura de líderes tribais, como relata o Asia Pacific Report.

As massas papuas, por sua vez, sempre rejeitaram cabalmente a dominação indonésia sobre seu território, fato que têm se expressado nas recentes combativas manifestações em que dezenas de milhares tomam as ruas do país. 

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin