Alemanha: Metalúrgicos e estivadores em greve contra a crise

Trabalhadores deixando o Terminal de Contêineres da Eurokai no dia 09 de junho. Foto: Fabian Bimmer/Reuters

Metalúrgicos da região industrial de Renânia do Norte-Vestfália e estivadores de cinco portos declararam greve nas últimas semanas. Os trabalhadores exigiam o reajuste salarial com base na crescente inflação do país. As greves tomaram parte, além da região industrial, nos portos de Hamburgo, Emden, Bremen, Bremerhaven e Wilhelmshaven.

Desde o dia 1° de junho, em torno de 28 mil metalúrgicos da região do Reno-Westphalia Norte, principal região industrial da Alemanha, estão realizando “greves de advertência” nas indústrias para pressionar as empresas a aceitarem suas exigências. Os trabalhadores estão em negociação com as grandes indústrias monopolistas desde o final de maio, exigindo um aumento salarial de 8,2%, para compensar a brutal inflação que tem ocorrido no país.

No dia 15/06, após negociação das grandes indústrias com os burocratas da central sindical IG Metal, foi anunciado um aumento salarial de 6,5% durante 18 meses e um pagamento único de 500 euros (R$ 2.687,95) para os meses de junho e julho. Muitos metalúrgicos denunciam a atitude conciliadora do sindicato e afirmam que a negociação não deveria ter sido concluída, uma vez que permanecem dispostos para lutar e que o aumento de 6,5% não compensa a inflação no país, que atualmente alcança as taxas de 7,9%. Os trabalhadores denunciam, ainda, que estão sem aumento desde 2019, e que desde este ano as empresas buscam enganá-los com “pagamentos únicos” em vez de aumento real no salário.

Apesar dos patrões acusarem as mobilizações de “absurdas”, afirmando que “a crise é para todos” e que os trabalhadores devem “entender a situação atual do mundo”, os metalúrgicos não se deixam enganar, denunciando os altos lucros que as indústrias tiveram nos últimos anos. 

As grandes empresas monopolistas Thyssenkrupp, Salzgitter e ArcelorMittar são as principais atuantes na região de Renânia do Norte-Vestfália. No início de 2022, a Thyssenkrupp divulgou dados que evidenciaram um aumento de 57% em suas vendas, totalizando 10,4 bilhões de euros (R$ 55,8 bilhões). Além disso, a indústria teve um aumento de 13,4% em suas ações e seu Lucro Antes de Juros e Imposto de Renda (Lajir) está previsto para alcançar 2 bilhões de euros (R$ 10,7 bilhões). A Saltzgitter também anunciou aumentos e uma boa previsão anual. A indústria anunciou um aumento anual de 60,2% em sua receita, atingindo o valor de 3,35 bilhões de euros. Já a ArcelorMittar anuncia aumentos crescentes de seus lucros brutos ano-a-ano desde 2019: de 2018 para 2019, a empresa monopolista multinacional anunciou um aumento de 139,12%; de 2019 para 2020, já em meio à pandemia, o aumento foi de 365,49%; no ano seguinte, a empresa teve um aumento de 228,98%, atingindo o valor de 21.072 bilhões de euros (R$ 112,6 bilhões); no primeiro quadrimestre de 2022, o aumento foi de 80,52%, se comparado ao primeiro quadrimestre de 2021.

Portos paralisados

Além dos metalúrgicos, estivadores do porto de Hamburgo, principal porto do país, e dos portos das cidades de Emden, Bremen, Bremerhaven e Wilhelmshaven. As greves estão ocorrendo desde o dia 09/06, quando 12 mil estivadores paralisaram suas atividades no porto durante algumas horas. No dia 12/06, os trabalhadores se reuniram com a Associação Central de Empresas Portuárias Alemãs, representante das grandes empresas monopolistas que atuam nos portos. A reunião terminou sem nenhum consenso, uma vez que a oferta das empresas foi considerada pelos trabalhadores como muito abaixo do necessário. 

O transporte de cargas no norte da Europa ficou congestionado como resultado da justa mobilização dos trabalhadores. Os portos de Roterdão, na Holanda, e Antuérpia, na Bélgica, sofreram grande congestionamento de cargas importadas da Alemanha.

Assim como no caso das monopolistas metalúrgicas, as empresas portuárias têm acumulado lucros exorbitantes como resultado da alta dos preços e exploração dos trabalhadores, mas se negam a aumentar o salário dos estivadores. É o caso de uma das principais empresas do porto de Hamburgo, a Hamburger Hafen und Logistik AG (HHLA), que no primeiro trimestre de 2022 alcançou aumentos de 10,7% em sua receita e 15,9% no Lucro Antes e Juros e Imposto de Renda, totalizando, respectivamente, 382,2 milhões de euros (em torno de R$ 2 bilhões) e 53,7 milhões de euros (aproximadamente R$ 288 milhões).

Grave crise econômica na Alemanha

O imperialismo alemão está passando por uma grave crise econômica de superprodução, que tem se refletido para as massas principalmente através da alta inflação nos itens de alimentação, combustível (refletindo no transporte público) e energia. As taxas de inflação do país, atualmente em 7,9%, são as mais altas desde a reunificação do país na década de 1990. Em desespero para barrar a alta dos preços, o Estado imperialista da Alemanha tem retirado dinheiro dos cofres públicos para diminuir o preço do combustível e transporte público. Apesar disso, o preço da energia e dos itens de alimentação continuam em alta. 

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Os preços de itens cotidianos de mercado subiram 11% de maio de 2021 para maio de 2022, enquanto o preço dos atacados subiu 22,9% no mesmo período. A manteiga subiu 43% desde 2021, seguida do óleo de cozinha, que subiu 38,7%, da farinha e outros produtos cereais, que subiram 33% e do pão, que subiu 10%. A carne sofreu uma alta de 16% no mês de maio, e os laticínios e ovos subiram em 13%. 

Já no setor energético, o óleo para aquecimento sofreu um aumento de quase 100%, o gás subiu 55%, o combustível aumentou 41% e a eletricidade 21,5%. 

A alta da inflação na Alemanha, assim como em outros países imperialistas, é reflexo de dois processos: a guerra de agressão imperialista russa à Ucrânia, que gerou aumento internacional nos preços do combustível (gás, petróleo e diesel) e grãos; e o superaquecimento da economia desses países. Esse superaquecimento econômico, causado pela situação de pleno emprego e alta dos salários de determinados setores, é, em última instância, a nova crise de superprodução relativa de capital em que mergulha o mundo, prenúncio de uma nova época de tensões e rebeliões sociais.

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