Poema: “A Noite de São Bartolomeu” (1986), de Ángela Ramos

Ángela Ramos Relayze (1896-1988) foi uma escritora comunista peruana, uma das fundadoras do Partido Comunista do Peru ao lado de Mariátegui. Escreveu o seguinte poema após o genocídio nas Luminosas Trincheiras de Combate de El Frontón, Lurigancho e Callao. Publicado em homenagem ao Dia da Heroicidade. 

 

Noite da noite negra

Luz lilás suave da alvorada

quebrando o toque de recolher

já clareia a manhã

e despencam do céu

como um rebanho trágico

os corvos da vendeta

sobre a ilha desolada.

 

O trovejar da metralhadora

põe os presos em guarda 

Chegou a hora da morte!

Ai, da morte anunciada!

a pedra voa feito areia

os peixes sob a água escapam

vêm as lanchas anfíbias

e cercam as águas verdes

de palmas agarradas

os presos juram e clamam:

Fazer a morte custar-lhes caro!

Que ninguém de joelhos caia!

as bacias exorbitantes

a espuma na boca sangra

e mesmo a pedra, feito humana

geme dentro em suas entranhas

Rasantes sobre a pedra

arautos da vingança

pássaros da morte

vomitam sua negra lava.

 

Voam cabeças humanas

Ai, do tronco serradas

as pedras se desmoronam

sobre o mar ensanguentadas

os arremessam as dinamites

os ardem com lança-chamas,

os acossam como feras

Todos morrem! Ninguém escapa!

Onde estão? Choram as mães

perguntando aos ares

Os corvos os levaram!

respondem os chacais.

 

E no pavilhão Azul -

pedacinho de terra isolada -

permanecem sonhos de Poetas

que em revolução sonhavam.

 

E com hinos voltarão!

as bandeiras desfraldadas -

novos sonhos, novas ânsias -

dos que, ao morrer, avançam.

 

Ángela Ramos junto a Mariátegui em 1929. Foto: Reprodução.

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