MS: Em novo ataque, Guarani Kaiowá é assassinado em emboscada

No dia 14 de julho, cerca de 20 pistoleiros e policiais promoveram um ataque com emboscada contra cinco indígenas Guarani Kaiowá. O bando criminoso de militares e paramilitares torturou e efetuou disparos contra o grupo de indígenas. O covarde ataque ocorreu na mesma retomada Tekoha Gwapo’y Mi Tujury em Amambai, no Mato Grosso do Sul, onde há menos de 1 mês uma chacina covarde vitimou 5 indígenas

No atual ataque, o líder indígena Márcio Pereira foi assassinado e Wilis Fernandes Kaiowá (filho de Vito Fernandes Kaiowá, assassinado na Chacina de Amabai) foi preso pela Polícia Militar (PM) sob acusações infundadas. Outros dois indígenas seguem desaparecidos. Há denúncias de que eles ainda estejam sob tortura dos pistoleiros. O único indígena sobrevivente da emboscada que conseguiu escapar, foi atingido por tiros de raspão.

A sórdida emboscada

O grupo de cinco indígenas se deslocou ao local após receberem uma proposta de trabalho que consistia na construção de um muro na rodovia MS-386, Km 1, região onde se localiza a Coamo Agroindustrial Cooperativa – latifúndio de nova roupagem, “agronegócio”. Ao chegarem, os indígenas se depararam com uma emboscada preparada pelo bando composto por cerca de 20 pistoleiros e policiais.

De acordo com nota emitida pela Aty Guasu, o líder da tekoha Márcio Pereira, foi torturado e em seguida assassinado. O jovem Wilis, ferido em meio ao ataque, foi levado para delegacia e está sendo acusado pela PM pelos crimes que ocorreram. A comunidade teme pela vida dos indígenas que ainda desaparecidos e afirmam que há suspeitas de que estes estejam sob tortura nas mãos de pistoleiros.

O único indígena que conseguiu escapar correndo da emboscada, apresenta lesões pelo corpo e marcas de tiros de raspão na cabeça. O trabalhador reconheceu um dos criminosos que participou do ataque: Rafael Cabrera Figueiredo, taxista na cidade com várias passagens pela polícia.

Líder indígena Márcio Pereira assassinado em emboscada. Foto: Reprodução

O segundo ataque em menos de um mês

Essa covarde emboscada é o segundo ataque promovido por pistoleiros e policiais a serviço do latifúndio contra o povo Guarani Kaiowá do Gwapo’y Mi Tujury em menos de um mês. O território foi palco da Chacina de Amambai ocorrida em 24 de junho, quando a tropa de choque da PM através de uma ação ilegal, mobilizando um helicóptero e cerca de 100 agentes junto a pistoleiros atacaram a recente retomada, assassinando Vito Fernandes e ferindo mais de dez indígenas.

No mesmo período ocorreram outros ataques contra ao menos três retomadas além da Gwapo’y, a Jopara e Kurupy, ambas em MS. Essas ações reacionárias contaram com a participação direta de pistoleiros, policiais e latifundiários além de inspirarem outros ataques como promovido pelo latifúndio na Bahia dois dias após a chacina. 

Os três territórios alvo dos ataques são parte de uma série de retomadas desencadeadas no estado de MS pelos indígenas após o assassinato do jovem Alex Ricarte Vasques Lopes, que vivia na Tekoha Kurusu Amba região de Coronel Sapucaia. A comunidade que no dia seguinte ao assassinato realizou uma vitoriosa retomada de Jopara, denuncia que o crime que ceifou a vida do jovem em 21 de maio foi cometido por um latifundiário.

Resistência e solidariedade

Além das retomadas desencadeadas após o assasinato do jovem indígena Alex Ricarte, outras ações massivas de resistência e defesa do território se somara, despertando ódio dos reacionários:

Após o enterro do indígena Vito, onde estiveram presentes cerca de 2 mil pessoas, os Guarani Kaiowá reergueram a retomada Gwapo’y e seguem resistindo bravamente às investidas reacionárias.

Assista o vídeo:

No vídeo, o líder indígena Márcio Pereira anuncia a retomada do território após o enterro de Vito Fernandes, vítima da Chacina de Amambai ocorrida em 24/06 no mesmo local.

Uma onda de solidariedade aos povos indígenas de MS se propagou pelo país, exigindo justiça pelos assassinatos. Diversas organizações populares prestaram apoio aos povos originários, entre elas estão a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), o povo Akroá Gamella do Maranhão, a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), a Associação de Juízes pela Democracia (AJD), o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB).

Uma pichação clamando vingança pelo sangue indígena derramado foi encontrada no muro do Ministério Público Federal, na cidade de Dourados (MS) com a consigna Todo sangue indígena será vingado! Morte ao latifúndio!.

Nota de denúncia da Aty Guasu sobre a emboscada. Foto: Aty Guasu

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