Panamá completa um mês de rebelião popular

Manifestantes respondem a repressão policial em Santiago de Veraguas. 

No início de julho se iniciou, no Panamá, a maior rebelião popular em três décadas. As massas protestam contra o aumento do preço dos combustíveis, alimentos e medicamentos. Durante a rebelião, manifestantes bloquearam todas as estradas que vão em direção à capital e bloquearam a rodovia Pan-Americana, principal via que cruza o país e se liga à Costa Rica. Esses são os maiores protestos no país desde 1989, quando o povo lutava pelo fim do regime militar.

As massas exigem que o governo reduza o preço dos combustíveis para três dólares, assim como da alimentação e dos medicamentos. Diversas categorias de trabalhadores se encontram em greve, como os operários da construção, que exigem aumento salarial, e os professores que, além de aumento salarial, exigem que o governo pague seus salários atrasados.

Professores retiram grades que os separavam do Congresso Nacional. Foto: Reuters

O povo rechaça também a corrupção e roubalheira pelos diferentes governos de turnos do velho Estado panamenho e seus políticos reacionários que gastam rios de dinheiro roubados do povo através de impostos. O atual presidente antipovo e vende-pátria, Laurentino Cortizo, é um latifundiário pecuarista, ex-congressista e ex-presidente da Assembléia Nacional, assim como ex-ministro do desenvolvimento agrícola durante o governo de Martín Torrijos. Ele está sendo denunciado pelas massas como representante dos mais podres burocratas encastelados nas instituições reacionárias do velho Estado. Diversos setores do povo exigem a sua saída imediata da presidência.

O povo panamenho tem demonstrado seu apoio aos protestos. Uma motorista que se encontrava parada em um dos bloqueios afirmou, em 15/07, ao monopólio de imprensa Diário Gestión: “Não me incomoda estar aqui. Como eu iria me irritar se os que estão realizando o bloqueio da via estão fazendo por uma causa tanto deles como minha, de todos os panamenhos a nível nacional?”

Os ricos mais ricos, os pobres mais pobres

Grande marcha é realizada contra o aumento dos preços nos produtos básicos. Foto: Reuters

O canal do Panamá gera bilhões anualmente e em 2021 bateu seu recorde de transporte de toneladas. Toda essa riqueza gerada em território nacional não se reverte em melhoria das condições de vida das massas. Pelo contrário: o país atualmente conta com 12% da população em nível de pobreza (com a pobreza rural sendo cinco vezes maior que a urbana), 10% estão desempregados e o emprego informal tem aumentado cada vez mais, atingindo mais de 48% do total de trabalhadores. Somente em 2020, houve uma queda de 17,9% no PIB.

Nesse contexto, o aumento dos combustíveis e outros produtos de necessidade básica aprofunda ainda mais a crise econômica e social: o preço do combustível aumentou mais de 47% nos últimos seis meses, atingindo um pico de seis dólares (R$ 32) por galão (cerca de três litros). Além disso, a inflação no mês de maio atingiu 4,2%, refletindo no preço da comida e medicamentos. O país é classificado como o terceiro mais caro para se viver na América Latina.

Trabalhadores mantêm bloqueios enquanto polícia reprime com balas

Diversos setores de trabalhadores e das massas têm mantido os bloqueios em todo o país. Os operários e os professores, por exemplo, têm, além dos bloqueios, realizado diversas greves no percurso dos protestos. No dia 14 de julho, 100% dos trabalhadores da construção se encontravam em greve, e os professores já estão há três semanas sem dar aulas.

Em suas vãs tentativas de desmobilizar os bloqueios, a polícia panamenha, particularmente seu esquadrão "anti-distúrbios", tem atacado o povo com bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, espancamentos e detenções arbitrárias. Os sindicatos também denunciam que a polícia tem se utilizado de arma de fogo para tentar dissuadir os manifestantes. As massas têm respondido aos ataques, enfrentando a truculência policial para garantir seu direito à manifestação.

No dia 19 de julho, no distrito de Santiago, província de Veraguas, a polícia reprimiu violentamente a comunidade local, desde crianças à idosos que realizavam o bloqueio da via Pan-americana. Cerca de 56 moradores foram espancados. A comunidade respondeu incendiando duas viaturas da Polícia Nacional e, enfrentando os repressores, feriu sete policiais. Mais de 20 moradores foram detidos.

Governo propõe “diálogo” após protestos combativos

Massas revoltadas contra a miséria e a repressão policial destroem viatura da polícia no Panamá. Foto: AFP

Entre os dias 11 e 13/07, as manifestações na Cidade do Panamá foram massivas e combativas. Nesses dias, em diversos momentos, as massas retiraram as barras de metal que isolavam o Congresso Nacional na tentativa de adentrar o local onde estavam alguns dos parasitas da Nação. Além disso, em toda a capital, barricadas foram formadas para bloquear as vias internas. Atacadas, as massas resistiram à repressão policial. No dia 11/07, dois policiais ficaram feridos após reprimir as massas, sendo que um foi ferido à bala. Ao todo, nesses três dias, quase uma centena de pessoas foram detidas por protestar na capital.

No dia 13/07, após os protestos de maior vulto desde o início das manifestações, o presidente reacionário foi obrigado a ceder. Cinicamente, pediu que todos os setores envolvidos na greve participassem de uma “mesa de diálogo”. Mera enganação para tentar desmobilizar o justo protesto panamenho em um momento que as manifestações ganham mais e mais apoio.

Sindicatos pelegos aceitam acordo e são obrigado a voltar atrás

Operários realizam grande manifestação no Panamá. Foto: AP

Em uma “mesa de diálogo” promovido pelo governo reacionário e vende-pátria panamenho no dia 19/07, centrais sindicais que chamaram para o início das greves firmaram um “acordo” com o governo reacionário para encerrar as manifestações que já eram realizadas espontaneamente por todos os setores das massas.

As medidas do governo, com as quais os sindicatos amarelos concordaram, incluíam tão somente o congelamento dos preços da gasolina em 3,95, o congelamento (e não a diminuição) do preço de apenas 10 produtos da cesta básica, a demissão de 10% dos funcionários públicos do velho Estado (quaisquer um, não os do alto escalão do governo), suspensão da contratação de mais funcionários para o Congresso e um “controle” de apenas 50% nos gastos de combustíveis para entidades governamentais.

As massas, revoltadas com o acordo feito por migalhas, decidiram que continuariam a se manifestar e rechaçaram os sindicatos por ter realizado o acordo sem preocupação com as reivindicações das massas. Diante disso, os sindicatos tiveram que voltar atrás no acordo e afirmar que continuariam nas manifestações, assim como admitir que “não haviam consultado as bases”.

Manifestantes respondem a repressão policial em Santiago de Veraguas. 

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