Editorial semanal – Mobilizar audazmente as massas populares

A reunião de Bolsonaro com embaixadores de dezenas de países, na qual o mandatário do país, em delírio, denunciou o que enxerga ser um complô do TSE para não permitir “eleições limpas”, foi um movimento mal calculado em seu plano por precipitar uma ruptura institucional. A reação que desencadeou forçou amplos setores do imperialismo e das classes dominantes locais a dar uma resposta contundente contra a pretensão da ruptura. A embaixada e, em seguida, o Departamento de Estado ianques fizeram enfática defesa desse simulacro de democracia que existe em nosso país. A representação diplomática do Reino Unido tomou a mesma posição. No Brasil, os setores mais poderosos da grande burguesia – reunidos na Federação Brasileiras de Bancos (Febraban) e Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) – lançaram também um posicionamento similar.

Bolsonaro e um certo setor das Forças Armadas reacionárias que laboram pela ruptura institucional ficaram mais isolados. Sua margem de manobra, portanto, torna-se mais estreita, mas ainda existe. A direita hegemônica no Alto Comando das Forças Armadas (ACFA) ganha, em consequência, mais força para barganhar com Bolsonaro e impor uma saída negociada.

Ao contrário do frenesi liberal e da falsa esquerda eleitoreira, que vê nisso a própria salvação da “democracia”, a crise institucional não se debelará aqui. Ainda que não tenha, no marco das eleições, condições mínimas de levantar uma sublevação ampla o suficiente para comprometê-las (ainda que não de todo asseguradas), a extrema-direita seguirá provocando e agravando a crise do agonizante sistema político desse velho Estado em decomposição; continuará atuando e atiçando a crescente instabilidade da situação política nacional. Nas condições da crise geral do capitalismo burocrático no país, que já se arrasta a quase década, somadas às ações desestabilizadoras da extrema-direita, por um lado, e ao inevitável levantamento popular, por outro, tudo fará as ameaças golpistas também por parte do ACFA serem mais intensas a pretexto de se manter a “ordem legal”, mas, em realidade, com o objetivo de intimidar a sociedade, na tentativa de impedir a necessidade e demanda histórica pendente da realização revolucionária da democracia.

Não se pode remediar a falência dessa falsa democracia com conchavos de poderosos e notas de repúdio. Se alguém quer realmente defender os direitos e liberdades democráticos, há que se apoiar na mobilização audaz das massas populares, de modo a defender os interesses imediatos dessas, o que as forças liberais das classes dominantes locais e os imperialistas ianques, bem como os oportunistas não podem e não querem fazer – senão promessas e assistencialismos de sempre – pois que se alimentam desse mesmo sistema de exploração burocrático-latifundiário. Por isso, no frigir dos ovos, não se tratam de democratas, mas de charlatões liberais e reformistas conciliadores, respectivamente. Em última instância, terminarão por defender, no futuro, o choque de ordem da contrarrevolução que agora dizem repudiar.

Um exemplo se vê nas operações policiais, em especial no Rio de Janeiro. Em 21/07, nova expedição punitiva no Complexo do Alemão ceifou a vida de 19 moradores. Destes, duas eram senhoras, uma saindo de sua casa e alvejada numa viela, e outra, saindo da favela de carro, com seu namorado, surpreendidos por um disparo da polícia. Os demais chacinados foram imediatamente rotulados com a pecha infame de “suspeitos”, que pelo juízo policial cabe a qualquer um que ali reside.

O oportunismo e os falsos defensores do povo só procuram as liminares, os protocolos e as notas de repúdio para “impedir” as operações e nunca conclamar as massas a se levantarem contra o genocídio descaradamente assumido pelo Estado e seus gerentes de turno. As chacinas só se fazem mais frequentes e mais sanguinolentas, apesar das liminares e das cada vez mais numerosas notas de “repúdios”, apenas. Só há uma forma de impor barreira séria, do ponto de vista imediato, às expedições punitivas nas favelas: promover respostas com mobilização audaz das massas populares, por todo o país, contra o cerco letal, de modo que obrigue a reação a calcular dez vezes antes de desatar suas próximas operações. Isso é o mínimo, para já. Quem é contra tal barbárie, se não tratar assim a questão será conivente e estará mesmo atuando, consciente ou inconscientemente, pelo prosseguimento do genocídio macabro nas favelas.

Enfim, na situação política imediata, há fundamentalmente uma questão posta na mesa: apoiar-se nas massas populares e mobilizá-las audazmente, sem temer a nada e sem consideração alguma por essa velha ordem caduca; sem nenhuma ilusão com essa mórbida velha democracia e sua farsa eleitoral.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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