China: Dez operários mortos em desabamento em mina de carvão

Operários da mineração são sujeitos à exploração, condições ilegais de trabalho e riscos frequentes. Foto: AFP/Jiji

Um desabamento em uma mina de carvão na cidade de Baiyin, noroeste da província de Gansu, China, deixou 10 operários mortos e outros sete feridos. O desmoronamento ocorreu em torno das 11h15 da manhã do horário local, do dia 23 de julho. Os operários que sobreviveram afirmaram que estavam caminhando pelo sítio de mineração quando uma montanha colapsou e enterrou os trabalhadores junto com seus veículos. Não foram divulgadas informações sobre a empresa responsável pela mina.

Mortes de trabalhadores da mineração são relativamente comuns na China, principalmente pela baixa fiscalização, alta exploração dos trabalhadores e frágil legislação de segurança do trabalho. Em janeiro de 2021, 10 operários foram mortos em um acidente na mina de Hushan, em Qixia, província de Shandong. Em setembro do mesmo ano, 19 operários foram mortos em Qinghai, província do noroeste da China. Em março de 2022, 22 operários morreram em uma mina de carvão na província de Ghizou, sudoeste do país.

O carvão é responsável por 60% da eletricidade da China. Em 2022, o Estado fascista da China, ordenou aos produtores domésticos que a capacidade de extração fosse aumentada para 300 milhões de toneladas por ano. No final de 2021, em meio à uma crise energética que afetava o país, o governo ordenou as empresas para “produzirem o máximo que podiam”. Nesse cenário, os operários da mineração são constantemente sujeitos ao máximo de exploração e condições extremamente arriscadas de trabalho.

Social-imperialismo é responsável por morte de operários

Para escapar da responsabilidade sobre as mortes de operários em sítios de mineração, o Estado social-fascista da China afirma que grande parte desses acidentes acontecem em locais onde a mineração ocorre de forma ilegal. Essa afirmação, contudo, ignora que as altas taxas de mortes de operários em sítios legais, como o recente acontecimento na mina de Bayin. Há também farta divulgação de envolvimento do próprio Estado social-fascista chinês nos sítios de mineração ilegal por meio de esquemas de corrupção e suborno.

A China atual esbanja casos de mineração ilegal em que oficiais do governo estão envolvidos, como foi o caso de Wen Guodong, vice-governador de Qinghai, que entre 2009 e 2020 recebeu mais de R$ 16 milhões em suborno de grupos de construção, mineradoras e empresários. Fato semelhante ao do prefeito Zheng Zhongsheng, que recebeu em torno de R$ 786 milhões frutos de esquemas de corrupção no ramo da mineração de carvão.

Esses esquemas de corrupção envolvendo suborno de membros do governo chinês ocorrem para que os sítios ilegais não sejam fiscalizados e até mesmo para beneficiar determinadas empresas. Estas pagam os políticos para terem seus projetos de extração ou transformação de carvão aprovados ou para serem transferidos para campos de mineração melhores.

Muitos dos políticos, inclusive, são beneficiados diretamente pelos lucros das empresas e não são raros os casos de governantes que também são grandes magnatas, seja com cargos em empresas de mineração ou com investimentos neste setor. Além dos esquemas de corrupção para a operação dos sítios, são vastos os casos em que os magnatas da mineração escondem corpos e alteram ou destroem as evidências de acidentes de trabalho. Foi o caso do acidente na mina de carvão Jiajiapu, na província de Shanxi, em 2005, onde 17 corpos, de 39 operários mortos em uma explosão, foram enviados para outra cidade a fim de ocultar os reais números de mortos. Já em 2010, quatro corpos foram escondidos em um galpão pelo gerente da mina em uma explosão de gás metano que assassinou 26 operários.

Longe de se tratarem de casos isolados, como o presidente reacionário Xi Jinping busca afirmar com seus projetos de “anti-corrupção”, esse cenário assombroso de lucros exorbitantes acumulados sobre a exploração e morte dos trabalhadores gera como condição de se perpetuar a corrupção endêmica do Estado social-imperialista chinês. Esta realidade se desenvolve desde 1976, quando a camarilha revisionista de Teng Siaoping golpeou o Partido Comunista da China, prendeu e assassinou os quadros revolucionários e os setores mais avançado das massas populares e deu início à restauração capitalista do país. Com a restauração, o Partido Comunista da China e as empresas estatais, antes à serviço do povo durante o período da China Popular (1949-1976), foram transformados em instrumentos da burguesia monopolista e imperialista chinesa, que usa dos cargos no Estado fascista chinês para beneficiar seus próprios investimentos nas empresas estatais monopolistas.

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