Congo: Resistência Nacional aniquila três militares da ONU comandados por general brasileiro

Centenas no Congo exigem saída das tropas coloniais do organismo imperialista ianque. Foto: Glody Murhabazi/Agence France-Presse

Em rebelião contra a ocupação do Congo pelas tropas imperialistas da ONU, as massas aniquilaram três soldados reacionários e expulsaram as tropas de um dos bairros rebelados. A ação ocorreu como parte de grandes mobilizações ocorridas no país africano nos dias 25, 26 e 27 de julho, onde centenas de manifestantes se reuniram nas cidades de Goma, Butembo e Uvira, para exigir a saída das tropas da Organização das Nações Unidas (ONU) do país. Os manifestantes entoaram gritos de ordem contra o organismo imperialista, apedrejaram os prédios da organização e invadiram uma sede logística em Goma, onde confiscaram computadores e incendiaram objetos em frente ao prédio. Em Butembo, a rebelião popular forçou a expulsão de tropas.

Até o momento, três soldados da organização imperialista foram aniquilados e 19 manifestantes foram mortos. Dezenas de manifestantes ficaram feridos como resultado da brutal repressão à manifestação. As tropas da ONU que integram a Missão das Nações Unidas para Estabilização na República Democrática do Congo (Monusco, na sigla em francês) são comandadas atualmente pelo general de Brigada Marcos de Sá Affonso da Costa.

Na cidade de Goma, as centenas de congoleses se reuniram em frente a uma sede logística, onde ergueram cartazes com as consignas Monusco fora! e Basta de ONU na RDC! e elevaram suas palavras de ordem contra a presença das tropas no país.

Massas protestam em frente a um armazém logístico da ONU em Goma. Foto: Arlette Bashizi/Reuters

Um grande aparato de repressão foi mobilizado para impedir o avanço da rebelião popular. Os militares do organismo imperialista e as forças de repressão do Congo atiraram com armas de fogo, dispararam bombas de gás lacrimogêneo e sobrevoaram a área com helicópteros, na tentativa de intimidar as massas. Cinco manifestantes foram assassinados pelos disparos efetuados pelo aparelho repressivo.

Manifestantes não se intimidam ante repressão desencadeada por forças de repressão da ONU e locais. Foto: Reuters

As massas responderam à repressão com rebelião: ruas foram bloqueadas, a base logística da ONU foi invadida, equipamentos foram confiscados, objetos foram queimados em frente ao prédio, veículos e tropas da organização foram alvejados por pedras e coquetéis molotovs também foram arremessados. As bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia foram arremessadas de volta para dentro da sede da ONU.

As massas congolesas expulsaram tropas da ONU, que foram obrigadas a fugir desesperadamente com seus carros blindados (semelhantes aos “caveirões” utilizados pela polícia no Brasil). Os manifestantes, mesmo sofrendo a repressão das tropas invasoras da ONU, conseguiram assassinar três soldados reacionários. Sete manifestantes ficaram mortos. O fato ocorreu dia 26/07 na cidade de Butembo e alguns momentos da rebelião foram registrados em vídeos.

Centenas de manifestantes congoleses exigiram a saída das tropas da ONU do país. Foto: Moses Sawasawa/AP

Na quarta-feira, 27/07, os protestos se expandiram para Uvira, também no leste do Congo. Os manifestantes arremessaram pedras em um complexo da Monusco. As tropas do organismo imperialista, em desespero ante à rebelião popular, assassinaram quatro pessoas ao disparar, com arma de fogo, em um fio elétrico que caiu por cima dos manifestantes.

ONU na África: colonização e barbárie

Tropas da ONU aprofundam a situação colonial e semi-colonial na África. Foto: AP.

A ONU, organismo do imperialismo ianque para reforçar suas políticas coloniais nos países oprimidos, atua como força de ocupação colonial no Congo há 23 anos, quando as tropas militares da organização imperialista chegaram ao país pela primeira vez.

O Congo possui um território rico em pedras preciosas, como diamante, minérios, cobre e cobalto, é um país secularmente oprimido pelo imperialismo. Durante o final do século XIX e início do século XX, o Congo foi território particular do rei da Bélgica, que, com auxílio do capital financeiro ianque, saqueou o país durante décadas, principalmente seus minérios, borracha, madeira e marfim. Após sua independência formal, o Congo passou a ser dominado principalmente pelo imperialismo francês, que estabeleceu a moeda Communauté financiere africaine (CFA franc) no Congo e em outros países africanos para aprofundar sua dominação. Desde 1994, contudo, com a desvalorização crescente do CFA Franc, o imperialismo francês passou a perder influência na região. O imperialismo ianque, por sua vez, aproveitou o enfraquecimento do imperialismo francês para expandir sua influência no continente africano.

Além das formas menos veladas de ocupação, principalmente por meio do Comando dos Estados Unidos para a África (Africom), o USA busca também camuflar parte de sua ocupação militar dos países coloniais por meio da ONU. Essas tropas, uma vez estabelecidas no país, conduzem verdadeiros genocídios ao atuar no genocídio de opressão do povo pobre e na repressão de qualquer forma de resistência nacional contra a presença imperialista no país, seja com as operações contra as forças armadas de libertação nacional (tachadas de maneira infame como terroristas), como as realizadas no Congo em 2021, ano em que novas tropas ianques chegaram no país, seja com o assassinato de manifestantes, como ocorreu nos últimos dias.

As genocidas Forças Armadas brasileiras

General Santos Cruz, ex-Secretário-Geral de Bolsonaro, coordenou operações militares da ONU no Haiti e Congo e defende postura agressiva dos “capacetes-azuis” da organização imperialista. Foto: Sylvain Liechti/Monusco/Creative Commons 

Um dos comandantes estrangeiros responsáveis por comandar as operações imperialistas da ONU no Congo foi um general do Exército reacionário brasileiro: Carlos Alberto Santos Cruz, ex-Secretário-Geral da Presidência do governo do ultrarreacionário Jair Bolsonaro. Escolhido após o ex-presidente reacionário Luiz Inácio se submeter a participar das táticas imperialistas de praticar crimes e levar políticas genocidas mundo afora e os ianques escolherem precisamente um militar brasileiro para comandar as tropas da ONU, Santos Cruz conduziu pela primeira vez as operações da ONU no Congo em 2013. Neste período, ficou conhecido por realizar, principalmente no ano de 2015, diversas operações irregulares, tendo recebido o “apelido” de “Tropa de Elite” (em referência ao Bope).

A atuação no Congo como comandante das missões coloniais da ONU não foi uma novidade para Santos Cruz. O general já havia liderado, anteriormente, operações no Haiti, país em que a missão da organização imperialista, além de atuar no aprofundamento da situação colonial do país, perpetrou um genocídio de 30 mil pessoas e contou com um saldo de 2.000 casos de abusos sexuais. O exército reacionário brasiliero, no Haiti, atuou principalmente nas favelas do país, onde ensaiou para, posteriormente, intervir nas favelas do Rio de Janeiro. Em uma das ações no Haiti, os militares brasileiros deixaram em torno de 27 civis mortos, 20 deles mulheres menores de idade.

Em 2018, o general, após visitas ao Mali, República Centro-Africana, Sudão do Sul e Congo, coordenou a elaboração de um relatório no qual defendia que as forças militares da ONU deveriam abandonar a postura defensiva e tomar posição mais ostensiva. “Esperar em postura defensiva apenas dá liberdade a forças hostis para decidir quando, onde e como atacar as Nações Unidas [...] Infelizmente, grupos hostis não entendem outra língua que não seja a da força”, afirma o documento.

Um ano depois, em 2019, após sair do governo de Jair Bolsonaro se auto-intitulando como um “defensor das liberdades”, o reacionário Santos Cruz voltou ao Congo para retomar suas atividades coloniais no país. Em ambos os períodos, o foco de atuação de Santos Cruz foi a região de Beni. No mesmo ano, furiosas com a atuação colonial da ONU no país, as massas congolesas de Beni invadiram, saquearam e incendiaram uma base do organismo imperialista.

Além de Santos Cruz, outros três generais brasileiros comandaram – um deles ainda comanda –, a missão da organização. Um deles é Elias Rodrigues Martins Filho, que comandou a missão colonial entre maio de 2018 e outubro de 2019. O outro é Ricardo Augusto Ferreira Costa Neves. Ricardo é também comandante da Academia das Agulhas Negras (Aman). No Congo, ele foi responsável pelas tropas desde outubro de 2019. Sob seu comando, ocorreu uma brutal repressão aos protestos em Beni, onde dois manifestantes foram assassinados. O terceiro e atual comandante da ação é Marcos de Sá Affonso da Costa, comandante pela missão desde abril de 2021 e responsável pelo assassinato dos 19 manifestantes nos recentes protestos em Goma, Uvira e Butembo. Marcos de Sá já foi, também, soldado da ONU em 1996 e 1997, durante o período da “Terceira Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola” (Unavem-III), missão imperialista da ONU que interviu no país durante a Guerra Civil Angolana.

A participação desses comandantes brasileiros nas repressões das massas populares no Congo é ensaio e treinamento para as maiores repressões a serem desencadeadas no Brasil, principalmente com o avanço do golpe militar contrarrevolucionário em curso. A depender das similaridades, as massas populares brasileiras vão igualmente resistir e defender cada direito seu pisoteado pelas tropas reacionárias, sejam elas “boinas azuis” (como são conhecidos os militares reacionários da ONU), “homens de preto” (Bope) ou qualquer outra força militar reacionária que ocupa militarmente favelas levando terror à populações inteiras.

Massas invadem a sede da ONU em Beni, em 2019. Foto: Ushindi Mwendapeke Eliezaire/AFP

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