BA: Moradores protestam em frente à delegacia após polícia alvejar dois adolescentes

Moradores de Itinga fazem barricada em frente à delegacia em protesto à incursão policial que deixou duas crianças baleadas. Foto: Reprodução/TV Bahia

Moradores de Itinga, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, protestaram na noite do dia 20 de julho em frente à delegacia do bairro, a 81°CIPM. A manifestação ocorreu após a polícia alvejar dois adolescentes, uma menina de 13 anos e um menino de 14, durante uma incursão policial. Os moradores protestavam com barricadas de pneus em chamas na Avenida São Cristóvão, cartazes e palavras de ordem em rechaço ao crime contra o povo.

Durante o protesto dos moradores, um jovem foi espancado e detido por supostamente ter gravado o rosto dos policiais que reprimiam o protesto. Os policiais vasculharam o aparelho de telefone do morador, o algemaram e o detiveram por horas, liberando-o na mesma noite. 

Dois adolescentes alvejados 

Moradores de Itinga fazem protesto em frente à delegacia contra incursão policial que deixou duas crianças baleadas. Foto: Reprodução/TV Bahia

A incursão da Polícia Militar (PM) ocorreu no horário de saída da escola, às 16h30, quando os policiais chegaram atirando para cima dos moradores. Railane França foi baleada após chegar da escola, enquanto tentava proteger a sobrinha de três anos, que estava no seu colo, dos disparos. Ela foi transferida no dia seguinte ao Hospital Geral do Estado devido à gravidade dos ferimentos: ela foi atingida no pescoço e pode ter paralisado o movimento do lado esquerdo do corpo.

Segundo Marluce, sua mãe, os policiais negaram socorro à adolescente e, depois que um vizinho colocou a garota no carro para levá-la ao hospital, os militares seguiram o grupo."Quando cheguei lá fora, o vizinho já tinha dado socorro, e eu entrei no carro junto. Eles [policiais] não queriam dar socorro. Quando chegou no meio do caminho, eles vieram atrás da gente e pediu para parar. Aí pegou minha filha e trouxe”, relata. A irmã de Railane acrescenta ainda que os policiais apenas colocaram a jovem na viatura pois o carro do vizinho ficou preso em um engarrafamento e a adolescente não resistiria ao trajeto.

A outra vítima, Janderson Santos, foi atingido na perna. Ele também precisou ser transferido para o HGE, onde passou por cirurgia, e corre o risco de perder o movimento de uma das pernas. Ele ajudava um vizinho no momento em que foi baleado.

Moradores presentes no local na hora do disparo afirmam que a polícia efetuou o disparo contra a perna de Janderson arbitrariamente. O menino estava sentado quando um policial se aproximou dele e disparou.

‘Eles chegaram atirando’

Moradores de Itinga fazem protesto em frente à delegacia contra incursão policial que deixou duas crianças baleadas. Foto: Reprodução/TV Bahia

“Foi a polícia. Foram os policiais que atiraram em minha filha. Não teve tiro nenhum contra, só eles que deram. Só eles que deram. Não teve troca de tiro nenhuma, eles chegaram atirando”, relata Marluce. A garota havia retornado da escola e conversava com amigos por volta de 16h. Ela estava com a sobrinha, quando a polícia chegou ao local e os disparos foram efetuados.

"Railane vinha com Sarah, quando ela viu o tiroteio, ela foi proteger a sobrinha de três anos. Se ela não faz isso a bala ia pegar na sobrinha de três anos", contou a líder comunitária Adriana.

A líder comunitária diz que a polícia chegou ao local atirando e contesta as alegações da polícia de que eles teriam sido recebidos a tiro por traficantes, após uma denúncia de tráfico na comunidade. "Não houve troca de tiros. Aqui temos 313 casas viradas uma para a outra. Não tem rota de fuga. Se houvesse troca de tiros o derramamento de sangue seria muito maior". 

Outras moradoras relatam que foram impedidas por policiais de tirar do local outras crianças que brincavam na rua. Uma delas afirmou em entrevista para a TV Aratu que tentou socorrer sua filha de cinco anos durante os disparos da polícia, mas que um policial a abordou e disse que não era para ela pegar a criança, procedendo a uma série de injúrias e humilhações contra a mulher.

Bahia é estado mais letal do nordeste em assassinatos policiais

O estado da Bahia, governado por Rui Costa (PT) desde 2015, foi declarado em 2020 o estado mais letal do nordeste em assassinatos policiais. O levantamento divulgado aponta que todas as pessoas mortas pelas forças de repressão em Salvador naquele ano eram negras. Foram, ao total, 1.137 assassinatos pela polícia.

Em março de 2022, o governador anunciou que construiria “centenas de novas sedes para a Polícia Militar e a Polícia Civil na Bahia inteira”. Antes disso, o governador expandiu, em 2021, o investimento em tecnologias para reconhecimento facial com discurso de “combate à violência”. Um estudo da Rede de Observatórios da Segurança, em 2019, apontou que 51,7% dos abordados com essa técnica eram pessoas negras, e que eram abordadas unicamente por serem negras.

Assim como de tantos outros milhares de massas pretas e pobres assassinadas pela polícia, o caso de Railane e Janderson é a expressão da guerra reacionária contra o povo. Agentes militares são utilizados pelos diferentes governos do velho Estado para praticar genocídio contra a população. Tal expansão da militarização reacionária não serve de forma alguma ao povo nem mesmo como medida de “segurança pública” uma vez que as expedições nas favelas e comunidades levam terror a milhares de inocentes, punidos simplesmente por serem pobres, pretos e morarem em favelas.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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