AM: Garis protestam contra perda de direitos e demissões injustas

Manifestação de trabalhadores da limpeza pública no dia 18/07. Foto: Reprodução/ Radar Amazônico

Os trabalhadores da limpeza urbana de Manaus realizaram, no dia 25 de julho, a sua quarta manifestação neste mês para protestar contra o conluio entre a prefeitura e mais duas empresas terceirizadas que, realizando com contratos leoninos para lucrarem mais, colocam em risco tanto os direitos dos 1,5 mil garis, quanto seus empregos. De acordo com os relatos dos trabalhadores, muitos deles foram, inclusive, ameaçados por funcionários das empresas diante dos protestos combativos exigindo seus direitos.

Desde o dia 15/07, foi dito aos garis pela empresa Mamute que simplesmente largassem o seu serviço e fossem para suas casas até segunda ordem. Contra essa situação, no dia 18/07, os trabalhadores incendiaram uma barricada com pneus em frente à diretoria da Mamute enquanto ocorria uma reunião com a prefeitura. Um trabalhador idoso presente no local explicou o motivo do protesto para o Radar Amazônico: “A gente fechou a rua para chamar a atenção da imprensa e para todo mundo saber o que está acontecendo” sobre a atuação ostensiva da polícia durante o protesto, declarou: “Aqui só tem trabalhador. A polícia tá ali. Daqui a pouco vem a polícia com gás querer bater na gente.”. Mais tarde ocorreu um segundo protesto no dia, na Avenida Brasil, em frente à Prefeitura.

Manifestação de trabalhadores da limpeza pública no dia 18/07. Foto: Reprodução/ Radar Amazônico

Um dia depois, os trabalhadores realizaram mais  uma manifestação, bloqueando os dois lados da Avenida Brasil, e exigiram a presença do prefeito na manifestação para prestar contas sobre a situação dos garis. Os trabalhadores declararam sobre o protesto: "por três dias nós não temos nenhuma resposta. Se a gente não estivesse fazendo isso aqui [bloqueio], aí que a gente não ia ter mesmo. Então a gente tem que fazer questão de correr atrás, porque são nosso direitos". O trabalhador ainda denunciou que a polícia chamou os manifestantes de "vagabundos" e afirmou que a polícia está contra eles. O sentimento de revolta entre os trabalhadores foi geral quando o prefeito não compareceu à manifestação, mas postou uma foto ao mesmo tempo malhando na academia.

Manifestação de trabalhadores da limpeza pública no dia 19/07. Foto: Reprodução/ Radar Amazônico

Manifestação de trabalhadores da limpeza pública no dia 19/07. Foto: Reprodução/ Radar Amazônico

No dia 25/07, os garis realizaram sua quarta manifestação em frente à Igreja Matriz no centro de Manaus. Na manifestação os trabalhadores questionaram se os políticos reacionários, como o prefeito e o governador, só resolveriam seus problemas em dia de eleição e denunciaram que o motivo para a inércia do velho Estado são os contratos milionários com as empresas.

Empresas e prefeitura desprezam trabalho dos garis

Isso acontece pois a prefeitura de Manaus, gerenciada por David Almeida (PDT), encerrou o antigo contrato com a empresa de limpeza Mamute e iniciou novo contrato, sem licitação, com a empresa Murb. No meio dessa confusão, a Mamute afirma que os trabalhadores continuam sendo seus contratados e, se se demitirem para iniciar um novo contrato com a Murb, perderão todos os direitos acumulados em quase uma década de trabalho com a empresa, como horas extras não recebidas, férias e FGTS. Além disso, a Mamute alega que “não tem dinheiro” para pagar indenização aos funcionários, sendo que ao longo de 1 ano e meio de gestão de David Almeida, a empresa recebeu cerca de R$ 147 milhões.

Ao mesmo tempo, a empresa Murb, contratada pela prefeitura sem licitação, sob o caráter “emergencial”, afirma que os trabalhadores não poderão ser contratados pela nova empresa se ainda tiverem seus contratos com a Mamute. Mesmo assim, os que encerram o vínculo com a Mamute e perdem todos os direitos que detinham, estão sendo contratados pela Murb “sem vínculos, para a prestação de serviços emergenciais para a prefeitura”, como também não estão recebendo Equipamentos de Proteção Individual (EPI) da nova empresa. Além disso, várias mulheres funcionárias da limpeza pública da empresa Murb também denunciaram que já foram vítimas de assédio por parte de gerentes da empresa.

Entretanto, nem mesmo esse novo contrato com a Murb foi feito público, não constando no Diário Oficial. E, além disso, os mesmos donos da Murb  – Rossemiro Lopes Teixeira e José Curcino Monteiro Neto – também estavam no quadro societário da empresa Arganorte, e tiveram seus bens bloqueados, juntamente com servidores públicos municipais, apontados como participantes de um esquema de superfaturamento de merenda escolar na Prefeitura de Manaus em 2011.

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