PE: Camponeses da Zona da Mata protestam contra leilões de terras


Camponeses protestam contra leilão de terras. Foto: Reprodução

No dia 25 de julho, cerca de 200 camponeses da Zona da Mata Sul de Pernambuco realizaram um protesto no município de Ribeirão exigindo o fim de leilões de terra que ameaçam despejar aproximadamente 1,2 mil famílias. Durante o protesto também foi exigido justiça pela morte de Jonatas Oliveira, criança de 9 anos assassinada por pistoleiros a mando do latifúndio em fevereiro deste ano. Participaram da manifestação camponeses das comunidades Engenho Roncadorzinho (de Barreiros), Canoinha (de Tamandaré), Barra do Dia, Couceiro e Tambor (de Palmares),  Barro Branco, Caixa D'Água e Laranjeira, e Batateira (de Maraial).

Leia também: PE: Criança de 9 anos, filho de liderança camponesa, é assassinada por pistoleiros

Com a consigna Queremos justiça para quem mora e trabalha na terra. Basta de leilões!, os camponeses denunciaram os leilões promovidos pelo velho Estado de terras ocupadas há mais de 50 anos. O leilão de terras, conhecido esquema para favorecer senhores de terra do velho Estado burocrático-latifundiário, tem como objetivo livrar os imóveis (na Zona da Mata são geralmente usinas falidas) das dívidas fiscais e trabalhistas a que estão vinculados, repassando a terra para o latifúndio a preço de banana. A demanda dos camponeses é de que esses leilões sejam anulados. 

LEILÃO DE TERRAS: DÍVIDAS MILIONÁRIAS E ESQUEMAS FRAUDULENTOS

A tática criminosa dos leilões de terra na Zona da Mata Sul de Pernambuco é grave no Engenho Roncadorzinho. As terras onde vivem os camponeses pertenceram à Companhia Açucareira Santo André do Rio Una, conhecida como Usina Santo André, dos latifundiários da família Bezerra de Mello. Em 1966, a empresa faliu e as famílias dos camponeses que moravam e trabalhavam no engenho havia quatro décadas não receberam indenizações trabalhistas. Incluídos entre os credores da massa falida, os camponeses não esperaram por auxílio do velho Estado: ocuparam o terreno e começaram a produzir de imediato. 

O imóvel, cobiçado por latifúndios canavieiros, foi arrendado há dez anos pela empresa latifundiária Agropecuária Javari Ltda. Mais recentemente, com o objetivo de expandir a monocultura de cana-de-açúcar, latifundiários iniciaram os fustigamentos aos camponeses. Queima e destruição de lavouras, assassinatos, contaminação de fontes de água e de cacimbas e também aplicação de veneno sobre casas e plantações viraram cenas cotidianas na região.

Há três anos os latifundiários por meio de processo judicial iniciaram uma tentativa de despejo das famílias. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) propôs uma “conciliação amigável”. Posteriormente, em meados de 2021, o TJPE aprovou o arremate das dívidas da falida Usina Santo André pela Agropecuária Javari Ltda. em um “leilão online”, sem o conhecimento dos camponeses. Por esta razão, o latifundiário Ricardo Pessoa de Queiroz Filho (vulgo “Ricardinho”), dono da empresa, teria direito legal de expulsar os posseiros das terras do Engenho Roncadorzinho.

Já em Jaqueira, também na Zona da Mata Sul, há cinco anos camponeses sofrem com ameaças de morte, perseguições, tiroteios, prisões e destruição de suas plantações, depois que as terras do latifúndio, massa falida da antiga usina Frei Caneca, que soma dívidas que chegam aproximadamente a R$ 350 milhões, superior ao valor especulado da própria propriedade, passaram a ser administradas pela empresa latifundiária Negócio Imobiliária S/A. Após alteração do nome, hoje ela é chamada de Agropecuária Mata Sul Ltda. A terra arrendada pela empresa corresponde a 60% do município de Jaqueira.

Os conflitos que estão ocorrendo na região de Barreiros têm o mesmo caráter do que está ocorrendo em toda Zona da Mata pernambucana, paraibana e alagoana, já que o modelo é o mesmo e os usineiros/latifundiários são das mesmas famílias. De acordo com o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Lenildo Lima, os compradores dos terrenos são os antigos usineiros que faliram. "Quando não são eles mesmos [os devedores], são pessoas patrocinadas por eles, sócios aliados. Pessoas das mesmas estirpes, tanto econômica quanto política", diz o advogado.

Leia também: AL: O velho Estado e o latifúndio canavieiro cultivam “desastres naturais” contra o povo pobre na Zona da Mata

As famílias camponesas, porém, não se deixam intimidar e demonstram que mesmo diante dos sinistros planos e covardes ataques do velho Estado burocrático-latifundiário seguem exigindo o sagrado direito à terra. Elas afirmam que vão resistir em defesa dos mais de 40 anos de história, trabalho e suor plantados nestas terras.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin