MA: Coordenador da Funai manda atear fogo em galpão dos Awá-Guajá


Galpão onde indígenas faziam reuniões foi devastado pelo fogo. Foto: Reprodução

Os indígenas do povo Awá-Guajá denunciaram que o novo coordenador da Frente Etno Ambiental, Elton Henrique Sá de Magalhães, mandou servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) atearem fogo em um galpão onde os indígenas faziam reuniões, no Maranhão. O ataque teria sido uma retaliação por seu nome ter sido reprovado para o cargo de coordenador pelos indígenas, que o expulsaram com arco e flechas durante uma reunião no dia 13 de julho. Na ocasião, após ouvirem Magalhães, cerca de 50 indígenas o cercaram e deixaram claro que não o reconhecem como coordenador. 

Awá Guajá cercam coordenador da Funai no Maranhão. Foto: Reprodução

Segundo os indígenas, no dia 28/07, ele teria entrado na Terra Indígena (TI) Awá sem autorização dos indígenas e teria mandado servidores que trabalham na Base de Proteção Sul derrubarem e atearem fogo no local de reunião. 

Funai distribui cargos ao latifúndio em território indígena isolado

Povos indígenas de baixo contato, os Awá-Guajá vivem quase “isolados”. Atualmente, o grupo conta com cerca de 450 indígenas, sendo que aproximadamente 100 deles vivem isolados. Sob a direção de Marcelo Augusto Xavier da Silva, delegado da Polícia Federal, indicado por parlamentares ligados ao latifúndio, a Funai vem se recusando ou atrasando a renovação de portarias de restrição que garantem a proteção do território de povos isolados, facilitando a expansão do latifúndio e o desmatamento.

Desmatamento em territórios que protegem povos indígenas isolados na Amazônia Legal. Foto: Instituto Socioambiental

Para se defender dos sucessivos ataques do velho Estado burocrático-latifundiário e realizar a proteção dos TI da floresta amazônica maranhense, os povos Awá-Guajá, Guajajara e Kaapor conformaram o grupo Guardiões da Floresta. Em carta intitulada “Se a nossa terra, a nossa floresta sumir, o que vai ser do meu povo?”, publicada em 2021, afirmaram: “Nós vamos continuar lutando mesmo sem apoio do Governo. Nós vamos lutar até o fim. Até o fim. Enquanto existir uma criancinha que nós podemos defender, nós estaremos lá.”.

Outro caso de ataque aos povos isolados da Amazônia Legal ocorreu em 2019, na TI Uru-Eu-Wau-Wau em Rondônia. O indígena Ari Uru-Eu-Wau-Wau, que fazia parte do grupo de vigilância que faz a segurança da aldeia contra invasões de grileiros e madeireiros, foi covardemente assassinado. Esse crime evidenciou a situação de guerra contra os povos indígenas na região Norte do Brasil. Desde então a terra em que vivem os Uru-Eu-Wau-Wau foi alvo de diversas ações ilegais de grupos de latifundiários com a conivência da Funai e dos demais órgãos que deveriam proteger os povos indígenas.

No mesmo estado atua com proeminência a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), movimento de massas camponesas que luta pela Revolução Agrária, único caminho capaz de dar a terra necessária aos povos indígenas, quilombolas e camponeses para que saiam de sua secular situação de exploração e miséria e para viverem conforme sua cultura e tradição. Por isso a luta dos camponeses pobres, que se inicia com a luta pela conquista da terra, pela Revolução Agrária e destruição do latifúndio, e a luta dos povos indígenas têm o mesmo inimigo comum e imediato: o latifúndio.

Leia também: LCP: "Viva os Levantes dos Povos Indígenas do Brasil!"


Placa de demarcação crivada de balas na TI Uru-Eu-Wau-Wau em Rondônia. Foto: Greenpeace

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