África do Sul: Massas incendeiam prédios do velho Estado contra piora nas condições de vida

Massas erguem barricadas em Tembisa contra os altos custos de vida. Foto: Guillem Sartorio/AFP

Centenas de sul-africanos incendiaram prédios do velho Estado e ergueram barricadas em chamas durante um protesto contra os altos custos de vida, apagões e a péssima condição da entrega de serviços (água, gás, limpeza urbana) em Tembisa, na capital Joanesburgo, África do Sul. Dois manifestantes foram assassinados pelas forças de repressão. 

As primeiras barricadas foram erguidas em torno de 4h da madrugada com o uso de pedregulhos e pneus em chamas. O centro cívico (local de concentração de prédios públicos e do governo), o centro de atendimento ao cliente, veículos do governo e uma estação elétrica da empresa monopolista estatal Eskom foram incendiados pelas massas enfurecidas com apagões elétricos constantes e pelas péssimas condições de vida aos quais são submetidas. A polícia reprimiu as massas com armas de fogo e assassinou ao menos dois manifestantes.

Massas sul-africanas se rebelam contra altos custos de vida e péssimos serviços prestados pelo velho Estado. Foto: Guillem Sartorio/AFP

Desde o mês passado, as massas da África do Sul têm sofrido com constantes apagões realizados pela empresa monopolista estatal Eskom. Afundada em uma grave crise, a empresa tem efetuado os apagões e aumentado as taxas de energia para compensar as dívidas bilionárias que acumulou ao longo de anos por meio de empréstimos realizados com as instituições financeiras imperialistas Banco Mundial e Banco para o Desenvolvimento Africano. Por sua vez, as massas e os trabalhadores da Eskom (que realizaram greves no mês de junho) se recusam a pagar o preço de uma dívida que não foram responsáveis por contrair.

Os apagões promovidos pela monopolista estatal afetam milhares de massas sul-africanas, principalmente na capital Joanesburgo. Em 2019, os cortes promovidos na província de Orange Farm, em Joanesburgo, deixaram em torno de 2.700 famílias sem direito à energia elétrica. 

Capitalismo burocrático impõe miséria às massas

Não é de hoje que as massas sul-africanas se levantam contra as péssimas condições de vida no país, resultado da grave crise do capitalismo burocrático que assola a nação sul-africana. Em agosto de 2020, o país presenciou revoltas populares contra o desemprego e o direito à energia elétrica. Um ano depois ocorreu uma das maiores rebeliões do país: as massas bloquearam ruas com barricadas, confiscaram lojas, interromperam as redes de comunicação do país, paralisaram as atividades nos portos e explodiram caixas eletrônicos. 

Problemas idênticos ou muito similares foram denunciados pelas massas em cada uma dessas rebeliões: o desemprego, que atualmente afeta 35% da população sul-africana (e 63,9% quando considerados somente os jovens), a pobreza, relegada à 55,5% da população do país, a falta de energia elétrica, os péssimos serviços prestados pelo velho Estado e os altos custos de vida, principalmente devido à inflação, que atingiu em junho a casa de 7,4%, taxa mais alta em 13 anos.

Enquanto as massas sofrem por essas condições miseráveis que lhes são impostas pelo capitalismo burocrático que vigora no país, os grandes burgueses nativos e os monopólios imperialistas conquistam lucros exorbitantes com as riquezas da nação sul-africana. Em 2020, o país exportou R$ 67 bilhões em ouro, R$ 61 bilhões em platina e R$ 32 bilhões em carvão. Nas relações com os países imperialistas, a semi-colônia África do Sul recebe muito menos pelas suas exportações do que paga pelas exportações. Em 2020, o país exportou 11,7% de seus bens para a China, configurando um valor de R$ 61 bilhões. Enquanto isso, foi responsável por menos de 1% das importações da China, pelas quais pagou R$ 75 bilhões. As informações são do Observatório de Complexidade Econômica (OEC, sigla em inglês).

Contra essa situação, em que o imperialismo, o capitalismo burocrático e a semifeudalidade esmagam as massas sob o peso dos lucros formidáveis dos grandes burgueses e monopólios imperialistas, as massas continuamente se levantam. Essas rebeliões populares revelam o anseio das massas por uma verdadeira revolução agrária, anti-imperialista e democrática que dê fim a todo o regime de exploração e opressão e abra caminho para a verdadeira libertação e desenvolvimento da Nação.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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