MA: Rebelião popular cerca prefeitura contra a detenção injusta de professor e moradores

Cem pessoas protestaram com pneus em chamas em frente à prefeitura de Bacuri, no Maranhão, e ameaçaram tomar o local para exigir a liberação de um professor e outros 12 moradores que foram detidos injustamente. O prefeito Dr. Washington (PSC) prendeu os moradores após um ato de protesto que demoliu uma obra de fachada feita pelo prefeito reacionário para “inaugurar” uma escola. A obra que estava sendo feita pela prefeitura consistia apenas em passar reboco por cima de uma já existente estrutura de mais de 50 anos, totalmente imprópria para abrigar uma escola.

Manifestação em frente à prefeitura de Bacuri. Foto: Reprodução.

Povo de Bacuri corre até a prefeitura com pneus e entulhos para manifestação que exige a liberação dos detidos. Foto: Reprodução

O professor de 37 anos também está sendo perseguido pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) como a pessoa a convocar pela demolição da escola. Duas pessoas já estão com pedido de prisão protocolado. O “crime” cometido foi apenas lutar pela construção de uma escola digna para o povo no município maranhense e não uma obra “para inglês ver” para servir aos propósitos eleitoreiros de um corrupto qualquer.

Manifestação em frente à prefeitura de Bacuri. Foto: Reprodução.

Contra o justo protesto das massas, o prefeito Washington Luis De Oliveira (PSC) mobilizou a Polícia Militar (PM), o Grupo de Operações Especiais (GOE) de Pinheiro e um helicóptero do Centro Tático Aéreo (CTA). A cidade conta com apenas 16 mil habitantes.

A falcatrua da prefeitura

Povo destrói obra de fachada da prefeitura que "inauguraria" escola. Foto: Reprodução

Os moradores de Bacuri denunciaram ao monopólio de imprensa reacionário G1 que a estrutura do que viria a ser a Unidade de Ensino (UE) Miguel Nery estava sendo construída por cima de material inadequado, com as paredes já rachadas. Podendo colocar em risco a vida dos alunos e funcionários da escola, ela foi demolida pela população local. A UE era destinada aos anos iniciais do ensino fundamental e Educação de Jovens Adultos (EJA).

Uma segunda escola, a UE Tancredo Neves, localizada no Povoado Madragoa, também teve uma parede derrubada pela população, pelo péssimo estado de condição da estrutura. A outra parte da escola foi demolida pela prefeitura após pressão dos moradores.

“Acontece que aqui no município de Bacuri estão sendo construídas escolas por cima de materiais velhos, por cima de escolas antigas, que a gente chama de adubo, que é feita de barro. Então estão colocando tijolos por cima disso. O que é um grande perigo. Aí a população se revoltou porque o município recebeu milhões para construir e reconstruir escolas e, pelo visto, não estão construindo, reconstruindo escolas de maneira digna, com segurança”, relata um morador da cidade, Erick Pimenta.

Roubalheira e negligência da prefeitura já provocou morte de oito alunos

Os moradores do município, particularmente do Povoado Madragoa, já enfrentaram a morte de oito secundaristas em 2014, quando uma caminhonete imprópria para o transporte de alunos, mas que era utilizada como tal, colidiu contra um caminhão que carregava pedras. O tipo de transporte era conhecido como “pau de arara” e levava alunos das áreas mais interioranas e rurais para as escolas, pela falta de transporte escolar próprio para as crianças.

“Já houve uma tragédia em 2014, que matou oito estudantes aqui em Bacuri. Para ter mais outra, a população não aguenta. Ainda está sendo revoltante para a população, porque até o momento o secretário de Educação não tem se manifestado”, afirma o morador.

O próprio prefeito, Dr. Washington, foi processado pelo Ministério Público (MP) por fraude entre seu  mandato de 2009 a 2012 relacionado à serviços de locação de veículos para transporte escolar, que movimentou mais de meio milhão de reais. O MP também aponta a ligação do caso com o acidente ocorrido em 2014.

Polícia Militar reprime as massas

Equipes da PM reacionária e GOE reprimiram as massas na sua justa reivindicação de liberação do professor e dos populares. Além disso, para intimidar os moradores, um helicóptero do Centro Tático Aéreo Maranhão (CTA) sobrevoou a área.

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) afirmou que “algumas pessoas já foram identificadas e as investigações seguem sendo realizadas a fim de identificar os demais responsáveis e participantes do ato de dano ao patrimônio” e procedem, assim, a processar e criminalizar populares.

A SSP-MA também informou que a Polícia Militar apresentou no plantão da Delegacia de Cururupu “quatro pessoas suspeitas de participação, sendo que duas delas estão com pedido de prisão protocolado”. A SSP destacou, ainda, que o “policiamento no local foi reforçado para impedir novos atos de dano ao patrimônio”.

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