México: Treze mineiros soterrados em mina de carvão

Desabamento em mina de carvão no México deixa 11 mineiros soterrados. Foto: Marcos Gonzalez/AFP

Treze mineiros foram soterrados em uma mina de carvão no estado de Coahuila, México, no dia 3 de agosto. O acidente ocorreu após uma inundação das minas por água subterrânea, que levou ao amolecimento das paredes. A mina operava com plena permissão da Secretaria de Trabalho e Segurança Social do velho Estado mexicano. Até o momento de redação da presente matéria, três mineiros haviam sido resgatados, enquanto outros dez ainda se encontravam soterrados e com estado de saúde desconhecido. 

Os trabalhadores foram soterrados em torno das 14h do dia 03/08, enquanto realizavam o trabalho de mineração em um dos túneis da mina, a 60 metros de profundidade. Durante o trabalho, os mineiros encontraram um túnel abandonado, que estava inundado, e que acabou por causar o desabamento da mina sobre os trabalhadores. Um dos operários conseguiu escapar do acidente e correu para pedir ajuda.

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Crimes contra o povo passam impunes por velho Estado mexicano

O crime contra os operários na mina de Coahuila se soma a outros crimes cometidos contra mineiros no México, todos com o aval pelo velho Estado burguês-latifundiário do México. Um dos casos mais emblemáticos deste tipo foi o cometido na mina Pasta de Conchos, também em Coahuila, no ano de 2006 pela empresa Grupo México, pertencente ao grande burguês Germán Larrea.

Naquele crime, 65 operários foram mortos por uma explosão causada pelo acúmulo de gases. A empresa já havia sido alvo de denúncias de segurança desde os anos 2000. Em dezembro de 2005, meses antes do acidente, os trabalhadores haviam relatado um forte odor de gases na unidade oito da mina. Mesmo assim, nada foi feito. Dos 65 operários mortos, somente 3, até hoje, tiveram os corpos resgatados.

Ao lado dos desabamentos de minas estão os rompimentos de barragens de mineradoras no país, crimes que vitimizam operários mexicanos e cujos responsáveis seguem tão impunes quanto os primeiros. Em 2010, uma ruptura da barragem de uma mina de prata em Jalisco contaminou severamente o rio Bolaños com metais pesados, afetando a saúde e subsistência de milhares de pessoas que viviam próximas ao curso fluvial. Em 2014, a mina de Buenavista del Cobre derramou mais de 280 mil toneladas de metais pesados nos rios Sonora, Bacanuchi e Santa Cruz en Nogales, em dois crimes diferentes. Mais de 24.000 pessoas foram afetadas pelo ato criminoso. Todos esses atos de terror contra o povo foram cometidos pelo Grupo México e passaram impunes pelas instâncias de “justiça” do velho Estado mexicano. 

Mineradoras promovem terrorismo contra trabalhadores 

Para conter a justas rebeliões dos mineiros contra os crimes contra o povo e exploração trabalhista, as mineradoras de Coahuila promovem terrorismo e intimidação contra os operários. Uma das empresas envolvidas é a Altos Hornos Mexico (AHMSA), que foi responsável em 2017 por realizar intimidações, ataques a tiros e desaparecimentos de mineiros nos estados de Coahuila e Chihuahua, ontem mantém operações. Em 2017, a empresa promoveu o despejo de 30 famílias na unidade Hércules, em Coahuila. Segundo os trabalhadores, o governo de Coahuila, longe de se esforçar para resolver o problema, estava atuando em conluio com a AHMSA na intimidação dos operários. 

Os casos de crimes contra o povo, bem como a intimidação, perseguição e desaparecimento de operários e camponeses em luta no Mèxico em muito se assemelham com casos similares a estes ocorridos no Brasil, como Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, pela assassina e terrorista empresa monopolista Vale. Tal qual as empresas monopolistas do México, a Vale também conduziu espionagens e intimidações contra os trabalhadores que exigiam a devida punição para a empresa e indenizações para suas famílias.  

Enquanto os operários, camponeses e povos indígenas seguem sendo assassinados, intimidados e perseguidos por empresas monopolistas em conluio com o velho Estado, os grandes burgueses que as controlam acumulam cada vez mais lucros sobre a crescente exploração das massas trabalhadoras. Em 2021, o Grupo México acumulou em torno de 6,96 bilhões de dólares em vendas (R$ 36,5 bilhões). No mesmo ano, a AHMSA acumulou, em receita líquida, 617,6 milhões de dólares (R$ 3,2 bilhões), 145,8% a mais que no ano anterior.

Esses de atos de terrorismo e crimes contra o povo cometidos pelas grandes empresas, bem como a odiosa impunidade pela “justiça” do velho Estado burguês-latifundiário, subserviente ao imperialismo explicitam o verdadeiro caráter do atual sistema de exploração e opressão e das velhas instituições que o sustentam, seja no México, seja no Brasil.

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