MS: Tekoha Nhu Verá exige: 'Despejo não, Retomada sim!'

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Indígenas da retomada Nhu Verá e Boqueron levantam barricada na rodovia de acesso ao anel viário de Dourados, 24/11

Nota da Redação: Reproduzimos nota elaborada pelo Comitê de solidariedade aos Povos Indígenas (CSPI), que denuncia a ameaça de despejo contra os tekohas Nhu Verá e Boqueron, fruto de retomadas realizadas pelos guarani e kaiowá.

O tekoha Nhu Vera, situado no município de Dourados, é composto por cerca de 45 famílias que ocupam há anos uma área reivindicada como parte da Reserva Indígena de Dourados, mas que foi invadida por latifundiários da região.


Indígenas Kaiowá e Guarani, junto com moradores da aldeia Bororo, bloquearam com barricadas a rodovia de acesso a Itaporã, em uma parte do anel viário de Dourados, no dia 24 de novembro. O protesto repudiou a nova ordem de despejo sentenciada pela Justiça Federal a ser cumprida em 20 dias. A retomada já completa 8 anos de existência.

Durante a manhã, capangas armados dos fazendeiros foram enviados para fazer seu trabalho sujo de vigilância e terrorismo, rondando o local com caminhonetes e fotografando os lutadores do povo.

O bloqueio evidenciou a força de mobilização das retomadas em conjunto das aldeias locais, ampliando a rede de apoio entre os tekoha. Na ocasião, também foram erguidas faixas contra o criminoso despejo da retomada Guapoy, em Caarapó, recentemente divulgada pelo CSPI. São, portanto, duas ordens de despejo abertas em menos de um mês. A ordem contra Nhu Verá, por sua vez, já tramitava desde 2013.

É a segunda manifestação em dois dias. A primeira, realizada no dia 23 de novembro, foi concomitante ao bloqueio da rodovia Guaicurus, organizado por estudantes, técnico-administrativos em greve e moradores do bairro Cerrito. Este grupo se uniu ao chamado do Dia Nacional de Luta em Defesa do Ensino Público, ato nacional convocado pela Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), abordando também a luta indígena pela terra como um dos principais focos de resistência no Mato Grosso do Sul, mostrando que o movimento estudantil brasileiro deve estar em aliança com os povos em luta.

Os Guarani e Kaiowá das retomadas de Dourados continuarão mobilizados, e se recusam a sair de suas terras tradicionais. Estes atos são labaredas da rebelião popular, e todos estes ataques serão como combustíveis. Milhares se levantarão em caso de cumprimento da ordem de despejo, abrindo palco para novos massacres, mas sobretudo, para um grande levante contra o Estado genocida e o latifúndio.

Abaixo ao criminoso despejo das retomadas Guapoy e Nhu Verá!

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