A febre amarela em São Paulo e a revolta popular

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Em Guaianases, Zona Leste de São Paulo, trabalhadores realizaram protestos e ergueram barricadas em chamas  na madrugada de 18/01 para 19/01 contra a falta de vacina da febre amarela. Os moradores da região esperavam a vacina da febre amarela na UBS quando foram notificados de que não receberiam suas doses.

Nas últimas semanas temos visto a massa, em seu legítimo direito, buscar a vacina nos postos de saúde, principalmente no estado de São Paulo, principal área de risco para contração do vírus, e não se intimidam quando lhes são negados seu direito, como em Guaianases.

Na capital, a demagogia marqueteira do prefeito João Dória não inspira qualquer confiança nas massas de que a cidade seja, como seu gerenciamento alega, livre de risco. Suas mentiras barram no número de macacos mortos com a doença e o fechamento de parques, suficientes evidências de que a cidade de São Paulo está sim inclusa na área de risco.

A nível estadual, a coisa não melhora: Apesar de “garantir” que não faltará vacinas, o gerenciamento de Alckmin/PSDB disponibilizará na próxima campanha (fins de Janeiro) míseros 1 milhão de doses da vacina e ainda fracionadas, cuja proporção é de 5 para 1 da integral, ou seja, uma vacina dividida por 5, para todo o estado. Somadas às vacinas dadas desde 2007 (!) a campanha atual chegará apenas até a metade da população do estado de São Paulo (dados da própria Secretaria).

O gerenciamento de Alckmin-Doria/PSDB faz uma ignominiosa campanha publicitária para afirmar que as filas, as revoltas das massas e a indignação popular são fruto de “histeria coletiva” e de confusão instaurada a partir de “pessoas que não precisam da vacina”. A isso caberia uma simples sugestão para o politiqueiro tucano: Se não quer confusão de entendimento sobre quem deve e quem não deve, forneça a todos. Sim, pois a vacina contra a febre amarela é universal, salvo raros casos. Numa situação de iminência de uma epidemia é criminoso negá-la a mais da metade da população e ainda culpá-la de não se informar.

Mas, a verdade é que o velho Estado semicolonial e semifeudal, atrasado e em decomposição, não pode sequer prover este atendimento que deveria ser universal. Preocupado em não ter a imagem de filas enormes de massas em busca de vacinação explorada na próxima farsa eleitoral, o PSDB faz todo tipo de contorcionismo para negar este fato indefectível.

Fazendo um paralelo histórico, talvez por si irônico, constatamos que há 104 anos, iniciou-se no Rio de Janeiro uma grande revolta popular cujo centro era uma vacina. O médico sanitarista Oswaldo Cruz havia proposto que se implementasse um programa de vacinação universal contra a varíola, como forma de radicá-la. O programa colocado em marcha pelo governo federal, contudo, usou de desinformação, violência e autoritarismo como métodos para impor a vacinação.

Fazendo um paralelo com a Revolta da Vacina, de 1904, apesar de uma se dar num cenário de vacinação forçada de toda a população e a outra pela própria falta da vacina, tanto lá como cá, a motivação fundamental da revolta popular é a mesma: a contradição antagônica dos interesses das amplas massas com os do velho Estado brasileiro. Não pode surgir método justo de tratar tais contradições, por menores que sejam, enquanto que o próprio Estado seja um representante das classes reacionárias inimigas do povo.

Febre amarela: problema semicolonial e semifeudal

Hoje, em 2018, temos o perigo iminente de uma epidemia de uma doença absolutamente erradicável, quer dizer, uma doença cujo transmissor é um mosquito, cujo combate não passa de medidas sanitárias simples, como limpeza de entulhos, evitando acúmulo de água parada, limpeza da água e coleta e tratamento de lixo. Nada que envolva algum tipo de tecnologia que não dominamos.

O fato de uma doença como a febre amarela reaparecer como ameaça, está evidentemente em função de um processo de degradação das condições de vida, como falta de saneamento, ausência de vacinação preventiva e tratamentos básicos de saúde em geral à população etc. Tudo como sintoma de um capitalismo burocrático em crise, capitalismo de tipo atrasado imposto aos países semicoloniais e semifeudais como o nosso através da dominação imperialista, conforme já demonstramos em matéria de AND Ano XIV no. 165 (Zika vírus: fruto da semicolonialidade e semifeudalidade), em que se lê: “O mosquito transmissor não está favorável a sobreviver, procriar e se desenvolver de tal modo como aqui no terceiro mundo em qualquer ambiente, como, por exemplo, em ambientes com alto nível de urbanização hoje somente vistos nos países imperialistas (nos países de terceiro mundo, urbanização é sinônimo de favelização). É a semicolonialidade e semifeudalidade que propicia sua existência (o mosquito e, consequentemente, os mais variados vírus transmitidos por ele) nos países de terceiro mundo [...] Para termos noção do tamanho atraso que nos impõe o imperialismo e para que compreendamos que este problema (epidemias) é condicionado pela semifeudalidade/semicolonialidade, basta lembrarmos que o mosquito transmissor aedes aegypti chegou a ser erradicado no território nacional temporariamente, por várias campanhas lideradas pelo epidemiologista Oswaldo Cruz no início do século XX, durante uma epidemia de febre amarela; mas ressurgiu pouquíssimos anos depois, pior do que antes, transmitindo as mesmas doenças que já conhecemos há décadas — ou até mesmo séculos. Hoje, o mesmo mosquito e as mesmas doenças, inclusive várias que já possuem vacinas, seguem matando as massas pobres.”

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