MS: Carta da Terra indígena Dourados Amambai Pegua I e apoio aos Tekohá Pindoroki, Namõe Guavyray e Guapoy Guasu

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Nota da Redação: Reproduzimos a seguir pronunciamento enviado à Redação de AND, diretamente da Terra Indígena Dourados Amambai Pegua I, por meio de apoiadores. A nota será publicada na íntegra para preservar a expressão original dos autores.

 

Nós Povos Indígenas Guarani Kaiowá de todos os tekoha (09 Retomadas) e da Reserva indígena Tey Kuê da T.I Dourados Amambai peguá I, estamos reunidos e mobilizados em favor das comunidades tradicionais Pindoroki, Nhamõe Guavyray e Guapoy Guasu e contra a ação de despejo concedida pelo juiz federal da 1ª instância Moises Anderson Costa Rodrigues a estas três comunidades e todo o povo Guarani e Kaiowá do estado de MS.

Senhor Juiz, povo do Mato grosso do Sul, do Brasil e do Mundo, ouçam a nossa voz, estamos gritando por justiça, há muito tempo estamos esperando que o estado nos reconheça como gente, muitos de nós já morreram esperando a demarcação efetiva de nossas terras tradicionais e o cumprimento de nossos direitos garantidos na Constituição federal, a única resposta que ouvimos até agora da justiça e do governo federal são mais decretos de morte, este despejo com certeza será o segundo Massacre de Caarapó contra o nosso povo.

Diante de tanta violação de direitos Humanos e indígenas deixamos aqui o nosso apelo, a nossa vida e a nossa luta, a nossa resistência é a nossa sobrevivência, morrer por alguma coisa, estamos dispostos a morrer pela nossa terra, pela nossa existência, pelo nosso futuro, por isso lutaremos, o nosso objetivo é reconstruir o nosso jeito de ser e de viver em nossas terras tradicionais. Nossas crianças ainda enfrentaram muitas décadas pela frente e por elas não abriremos mão, não recuaremos, aqui morreremos, assim como o nosso irmão Clodiolde (Assassinado em 14 de junho de 2016 no Massacre de Caarapó) aqui ficaremos.

O sangue de nosso guerreiro Clodiolde banhou a nossa terra, brotando em nós sementes e frutos de luta e resistência em busca da liberdade para o nosso povo Guarani e Kaiowá, não aceitaremos mais viver confinados como bichos a espera do abate, a exemplo de tantos outros líderes indígenas do nosso e de tantos outros povos deste país, nós seguiremos vivos.

O projeto de extermínio do governo é claro, ordens de despejos, bombas de gás, armas de fogo, tropas de choque, só o ajudaram a cumprir mais rápido o seu propósito de nos matar, assim também aconteceu com o nosso parente Oziel Gabriel assassinado em 2013 na T.I Buriti pela polícia federal que cumpria a ordem de “reitegração de posse” para os fazendeiros da região.

As ações dos poderosos deste País contra nós povos indígenas não param por ai, decretos, portarias, leis, teses vem sendo fortemente investidas contra nossos direitos. A portaria 303, a pec 215, o marco temporal são provas vivas deste projeto que visa tirar sempre mais direitos.

Com o marco temporal, por exemplo, o governo vem tentando novamente punir os povos indígenas, negando a nossa história. Ora o mesmo governo que nos expulsou de nossos territórios no passado é agora o que quer nos dizer que só tem direto as nossa terras tradicionais os povos que estavam nas mesmas em 5 de outubro de 1988. Por que será que não estávamos lá? O direito do povo guarani Kaiowá a suas terras tradicionais é imemorial, não começa em 88, começa no dia em que nasceu o primeiro índio nestas terras, hoje brasileiras.

Esse tipo de interpretação não resolverá os conflitos por terra neste estado, pelo contrário só aumentarão, mais mortes aconteceram sempre. Somente a demarcação e devolução destas terras para nós povo guarani e Kaiowá, sanará estes conflitos, não queremos as terras dos fazendeiros, não queremos toda a terra do estado de mato grosso do sul, nós só queremos as nossas terras tradicionais, a terra onde nossos antepassados viveram, o restante pode ficar tudo para os ricos, para a bancada ruralista, para o governo, para o capital internacional, para quem mais quiser.

Chega de terror contra nossas comunidades, chega de opressão, chega de massacres, chega de tentar nos desindianizar, chega de tentar nos desterritorializar, este modelo não serviu pra ninguém até agora, se não aos poderosos deste país, deixem nos viver livres, sendo nós mesmos dentro de nossas terras tradicionais.

Queremos dizer que a terra e nós índios somos um único corpo, que não podemos viver sem a terra e ela sem nós. Se isso acontecer morreremos todos. A terra é o elemento essencial para a nossa sobrevivência, portanto avisamos, se a “justiça” insistir em cumprir mais este decreto de morte, nós povo guarani e Kaiowá da T.I Dourados Amambai Pegua I estaremos prontos e postos pra enfrentar, não temos armas, nem bombas matérias, mais temos a nossa reza e a nossa esperança na justiça. Por nossas crianças não recuaremos. Confiantes, sem medo e sem arrogância estamos preparados. Resistiremos sempre!

Nós povo guarani e Kaiowá não somos proprietários da terra, do contrário, nós pertencemos a ela, somos seus filhos, seus frutos, por isso, lutamos por nossa mãe!

Todos aqueles que lutam em defesa da vida, não permitam mais injustiças, não permitam mais genocídio contra o nosso povo guarani Kaiowá, não permitam mais despejos, a cada índio que morre é um pouco de sua história que morre também, junte-se a nós.

Pela terra, por mais vida, justiça e liberdade, Resistiremos!

Terra indígena Dourados Amambai Pegua I, Aldeia Tey Kuê,

Caarapó/MS, 24 de janeiro de 2018.

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