AL: Wassu Cocal ocupam posto médico em protesto por saúde

Fotos das condições do Pólo Base de Saúde mostram as condições precárias da unidade de saúde em 2017.

com informações do Cimi (Conselho Indigenista Missionário)

Indígenas da etnia Wassu Cocal ocuparam o Pólo Base de Saúde localizado no município de Joaquim Gomes (AL) contra o sucateamento da unidade que é a única a atender o povo na região.

A precariedade no atendimento à saúde indígena levou o povo Wassu Cocal a ocupar a unidade do Pólo Base de Saúde nesta segunda-feira, 19, no município de Joaquim Gomes (AL). “Temos um processo de sucateamento: salas mofadas e com umidade, a odontologia não funciona há nove meses e apenas um carro é usado para atender as aldeias”, destaca Leandro Wassu Cocal, conselheiro regional de saúde. Os indígenas afirmam que se nada for feito, novas ações ocorrerão na capital Maceió.

O protesto tem como denuncia os graves problemas no atendimento à saúde enfrentados pelo povo. “Queremos a garantia de uma saúde de qualidade. Queremos que venham até aqui ver o que está se passando”, diz o conselheiro. O indígena explica que as instalações não permitem o trabalho dos profissionais, deixando os Wassu Cocal sem atendimentos básicos.

Zennus Dinys Feitosa, missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) do Regional Nordeste, afirma que ao se reunir com os indígenas e técnicos constatou “o descaso da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena). Condicionadores de ar quebrados, portas quebradas e banheiros numa situação insalubre. O médico atende em condições insustentáveis. A psicóloga não possui uma sala para atender com privacidade”.

Durante o período do Carnaval, um paciente que necessita de hemodiálise não pôde realizar o procedimento por falta de transporte; o veículo do Pólo Base quebrou e não foi levado para reparos. “Os motoristas avisaram a empresa terceirizada, mas como ela responde processo judicial por suspeita de fraudes no contrato, os carros não são liberados”, explica o cacique Edmílson Wassu Cocal.

A comunidade questiona ainda a forma como o povo é tratado pela coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). “Para outros povos, que têm entre 80, 300 e 900 pessoas, são disponibilizados dois carros ou mais. Wassu que tem mais de 2300 pessoas, apenas um carro para atender toda demanda – e que agora está quebrado”, afirma o cacique.

O consultório odontológico funcionava numa sala com mofo e fungos tomando conta do teto e das paredes. Um risco para a saúde de pacientes e profissionais. Para tentar solucionar o problema, a comunidade conseguiu uma clínica móvel, que se encontrava em Xukuru Kariri, em Palmeira dos Índios. O que inicialmente foi motivo de alegria, tornou-se mais um problema em uma longa lista.

“Devido às constantes quedas de energia, o local não foi projetado para suportar a ligação dos equipamentos, a clínica móvel teve a parte elétrica queimada e os profissionais que vieram para solucionar o problema, não conseguiram solucionar”, diz o missionário do Cimi. Com isso, mais um equipamento que poderia garantir o direito à saúde aos Wassu está largado no pátio do Pólo Base, assim como os próprios indígenas.

 

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