BA: Camponeses resistem às ameaças de latifundiários

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Acampamento Maria Letícia foi despejado pela Polícia Militar de Rui Costa/PT. Foto do MST

Com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

As famílias da região do Angico dos Dias estão sofrendo constantes ameaças de expulsão de suas terras por parte de latifundiários, grileiros e a mineradora Yara/Galvani em conluio com órgãos do velho Estado.

Os camponeses de oito comunidades, situadas no município de Campo Alegre de Lourdes, na Bahia, vivem, trabalham e produzem em uma área com cerca de 83 mil hectares, que segundo eles está sendo grilada.

As posses camponesas têm sido invadidas para serem realizadas medições das terras ocupadas. Segundo denúncias da Associação de Fundo de Pasto de Angico dos Dias e Açu as pessoas que têm feito estas medições ameaçaram as famílias de despejo, afirmando que as terras não são dos camponeses.

Ainda segundo a Associação, as ameaças de despejo têm sido feitas a mando do latifundiário José Dias Soares e do empresário português Carlos Manuel Subtil Duarte.

“Tão medindo as terras, eles vão de dia e de noite fazer o variante”, afirma Dona Maria de Souza, de 70 anos, nascida e criada em Angico dos Dias. “Eu não tô conseguindo mais ir trabalhar por causa do medo de ir sozinho pra roça”, denuncia outro antigo morador da região, Salvador Mendes.

No dia 25 de fevereiro, às medições dos terrenos foi apoiada por dois policiais que estavam em uma viatura da Polícia Civil de Campo Alegre de Lourdes. Os policiais ameaçaram e intimidaram os camponeses. “A Polícia pediu para as pessoas não se aproximarem. Eles estavam fazendo variantes e pediu para a gente não se aproximar porque iríamos ter problemas”, denunciou um jovem local.

Além de agirem como seguranças de latifundiários e grileiros, os policiais ainda intimaram quatro membros da Associação de Fundo de Pasto de Angico dos Dias e Açu a prestar depoimento na Delegacia de Campo Alegre de Lourdes, na manhã de 28 de fevereiro.

Camponeses se mobilizam contra criminalização da Polícia Civil em Campo Alegre de Lourdes

A injusta intimação levou cerca de 100 pessoas a se reuniram em frente à Delegacia para protestar contra a acusação dos quatro camponeses de terem cometido o “crime de ameaça”. Os manifestantes também expressaram o seu apoio e solidariedade a luta dos camponeses da região do Angico dos Dias.

“A gente vê os problemas e às vezes pensa que estamos desamparados, mas a partir do momento que fomos intimados e as pessoas das comunidades e das entidades nos deu apoio, a gente se sente engrandecido e fortalecido para continuar a nossa luta”, afirmou o presidente da Associação de Fundo de Pasto de Angico dos Dias e Açu, Edinei Soares. “Ninguém vence sem lutar e ninguém colhe sem plantar”, bradou Salvador Mendes.

As famílias da região do Angico dos Dias integram as chamadas comunidades de fundo de pasto, que se caracterizam pela posse e uso comunitário das terras e dos recursos naturais nelas existentes, além da criação de animais sem confinamento.

Acampamento Marisa Letícia despejado

Cerca de 50 famílias do Acampamento Maria Letícia sofreram uma ação de reintegração de posse na manhã de 26 de fevereiro, em Itabela, no Extremo Sul da Bahia.

Os camponeses, vinculados ao MST, ocupavam a fazenda São Francisco, que se encontrava abandonada, onde já plantavam feijão, manivas e milho, além de criarem animais de pequeno porte.

As famílias receberam o apoio dos camponeses do Assentamento Gildásio Barbosa, também em Itabela, onde se encontram acampadas.

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