SP: Professores combatem repressão em protesto contra ataques à previdência

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Combativa manifestação ocupa na Câmara Municipal de São Paulo.    Foto: Nelson Antoine / Estadão Conteúdo

Milhares de professores grevistas e servidores de outras categorias da rede municipal tomaram as ruas do centro da capital paulista e a Câmara Municipal em uma grande manifestação contra os ataques de Dória/PSDB ao direito previdenciário, que seriam discutidos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira, 14 de março.

Os ataques de Dória/PSDB contra a previdência municipal, se aprovados atingirão cerca de 220 mil servidores e têm por objetivo aumentar a "contribuição previdenciária" que hoje é de 11%, para 19%. Um verdadeiro confisco dos salários dos servidores municipais, conforme afirmou o sindicato da categoria.

O massivo protesto, que se iniciou em frente à sede da Prefeitura, marchou até a Câmara Municipal, local onde alguns professores que protestavam desde a noite de terça-feira (13) passaram a madrugada acampados em barracas. Somaram-se à vigorosa manifestação servidores municipais das áreas da saúde, cultura, assistência social, dentre outras.

Polícia ataca e manifestantes não recuam

Ao chegar à Câmara, o protesto foi brutalmente reprimido pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Polícia Militar que atiraram bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e balas de borracha contra os servidores em luta por seus direitos. Professores ficaram feridos com golpes de cassetetes, fato que só aumentou a indignação dos trabalhadores que tentaram ocupar o prédio da Câmara. Além dos servidores, outras pessoas que passavam pelas ruas do centro de São Paulo também foram atingidas.

Os manifestantes não se intimidaram frente aos ataques do aparato repressivo do velho Estado. Resistiram como puderam. Paus e pedras foram lançados em resposta, bombas de gás lacrimogênio 'devolvidas' aos montes. Pelas ruas em que o protesto passava, barricadas em chamas foram erguidas.

Após os confrontos, aos gritos de Não tem arrego!, os manifestantes se reagruparam na mesma avenida onde haviam enfrentado as forças policiais minutos antes. O ato permaneceu ocupando o Viaduto Jacareí até o fim da tarde.

Servidores denunciam que as agressões das forças de repressão se iniciaram ainda dentro da Câmara, no auditório Freitas Nobre e se conflagraram fora do prédio e pelas ruas do entorno.

Devido aos confrontos, a seção da CCJ chegou a ser suspensa e foi obrigada a mudar de plenário para prosseguir cumprindo seu vil papel de ataque aos direitos dos trabalhadores.

 

Greves e mobilizações contra os ataques à Previdência

A greve dos professores contra os ataques à previdência, iniciada há uma semana, já conta com a adesão de centenas de escolas atingindo 93% das instituições do município.

Além dos professores municipais, servidores de outros setores também estão em greve desde o dia 8 de março, como da saúde, da zoonose, do serviço funerário, engenheiros, arquitetos, assistentes sociais, bibliotecários e guardas.

Foto: Reprodução/RBA

O histórico do ataque

Os ataques contra o direito previdenciário dos servidores municipais de São Paulo não tem autoria exclusiva do prefeito playboy de São Paulo, embora tenham encontrado nele as condições para sua maior ofensiva.

Ainda no ano de 2015, o gerente municipal oportunista Fernando Haddad/PT tentou a aprovação da mudança do regime previdenciário dos servidores através de um projeto de lei  encaminhado à Câmara. Após muitos protestos dos trabalhadores, porém, Haddad retirou o "projeto" em agosto de 2016, mas o reencaminhou no fim daquele mesmo ano, o último do seu mandato. Doria, por sua vez, enviou em dezembro do ano passado um novo texto para incrementar o já draconiano ataque contra a previdência dos servidores municipais de São Paulo, o qual pretende votar na próxima semana.

A contrarreforma da previdência municipal de Dória/PSDB ainda necessita passar por outras comissões para ser pautada em plenário.

Uma nova reunião relativa à contrarreforma está marcada para quinta-feira, 15/03. Os servidores, por sua vez, anunciaram nova manifestação na Câmara Municipal para o mesmo dia, a qual deve reunir, segundo as estimativas da categoria, mais de 70 mil pessoas.

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