Número de assassinatos no campo é o maior desde 2003, denuncia CPT

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Com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

 

No ano passado, 70 trabalhadores foram assassinados em conflitos agrários no país, de acordo com dados divulgados esta semana pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Este é o maior número de assassinatos no campo desde 2003, primeiro ano do gerenciamento oportunista de Luiz Inácio da Silva/PT, quando ocorreram 73 assassinatos.

Segundo a entidade democrática, ocorreu um aumento de 15% em relação ao número de assassinatos em relação a 2016. Camponeses, indígenas e quilombolas foram os principais alvos dos ataques criminosos do latifúndio e dos monopólios (nativos e estrangeiros) em conluio com o gerenciamento de Michel Temer/PMDB. A quadrilha de Temer seguiu aprofundando a violência contra as massas do campo, que também foi levada a cabo pelos gerenciamentos de turno de Luiz Inácio e Dilma Rousseff/PT.

O aumento no número de assassinatos ao longo de 2017, ainda que subestimados por não contabilizarem vários assassinatos que não são informados a CPT ou não são categorizados como “conflitos agrários”, expressa o aprofundamento da guerra civil reacionária no campo desatada pelo genocida Estado brasileiro e pelas classes dominantes.

 

Um ano marcado por chacinas

Novamente a região amazônica concentrou grande parte desses assassinatos e foi o cenário para duas chacinas: Pau D’Arco, no Pará, e Colniza, no Mato Grosso. Apesar disso, as massas do campo seguem resistindo e avançam em suas lutas pela terra e pelo território.

 

O estado do Pará foi o que apresentou o maior número de assassinatos (21), tendo em vista a Chacina de Pau D’Arco ocorrida no dia 24 de maio do ano passado, quando dez camponeses foram barbaramente assassinados por policiais civis e militares do gerenciamento estadual de Simão Jatene/PSDB. Rondônia, com 17 assassinatos, e a Bahia, com 10, completam o macabro pódio de assassinatos no campo.

O Mato Grosso aparece em 4º lugar com 9 assassinatos. Estas mortes ocorreram na Chacina de Colniza, no norte do estado, crime hediondo denunciado por AND na edição 188, que hoje completa um ano de impunidade e de abandono dos camponeses pelos órgãos do velho Estado burguês-latifundiário.

 

Lideranças na mira do latifúndio e os assassinatos seletivos

Parte dos trabalhadores assassinados no campo no ano passado eram lideranças, por exemplo, camponesas, indígenas e quilombolas, evidenciando que o latifúndio por meio de seus bandos paramilitares persegue, ataca e assassina principalmente as direções de acampamentos, assentamentos e movimentos populares. De acordo com a CPT, dos 70 trabalhadores assassinados ao menos 22 eram lideranças.

 

Executores e mandantes saem impunes dos assassinatos

De acordo com a CPT, entre 1985 e 2017, ocorreram 1.904 assassinatos no campo em todo o país. Deste total de casos, em apenas 8% (113 em número absoluto) os executores e/ou mandantes foram julgados, nos quais apenas 31 mandantes e 94 executores foram condenados.

A região Norte concentrou a maior parte das mortes nesse período (970 assassinatos), nos quais apenas 20 mandantes e 29 executores foram condenados pelo Judiciário, que demonstra o seu caráter latifundiário.

A maior parte desses assassinatos ocorreram no Pará (702 assassinatos), sendo seguido de Rondônia (147), Tocantins (44), Amazonas (34), Acre (20), Roraima (17) e Amapá (6).

Já no Nordeste ocorreram 480 assassinatos entre 1985 e 2017, nos quais apenas um mandante e 16 executores foram condenados.

Nessa região, entre 1985 e 2017, os assassinatos se concentraram no Maranhão (168), Bahia (128) e Pernambuco (81). O número de assassinatos nos demais estados da região neste período ficou distribuído da seguinte maneira: Paraíba (28 assassinatos), Alagoas (24), Ceará (20), Piauí (17), Rio Grande do Norte (9) e Sergipe (5).

No Centro-Oeste, no mesmo período, ocorreram 206 assassinatos, nos quais apenas um mandante e 14 executores foram condenados.

O Mato Grosso concentrou grande parte das mortes da região Centro-Oeste (139 assassinatos), sendo seguido por Mato Grosso do Sul (42) e Goiás (25).

No Sudeste, entre 1985 e 2017, foram 163 assassinatos no campo, no qual grande parte dos executores e mandantes saíram impunes pelo Judiciário do velho Estado de grandes burgueses e latifundiários. Neste período, apenas sete mandantes e 30 executores foram condenados.

Nessa região, Minas Gerais concentrou um pouco mais da metade dos mortos no campo (92 assassinatos), seguido por Rio de Janeiro (38), São Paulo (17) e Espírito Santo (16).

A região Sul apresentou 85 assassinatos em conflitos agrários nesse mesmo período, nos quais apenas dois mandantes e três executores foram condenados.

O Paraná concentrou mais da metade do número de mortos no campo (52 assassinatos), sendo seguido por Rio Grande do Sul (20) e Santa Catarina (13).

 

Ataques hackers atrasam divulgação de relatório da CPT

A CPT denunciou que os sites ligados a entidade sofreram ataques hackers, que afetaram, por exemplo, o Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, responsável pela catalogação e compilação dos dados divulgados no relatório “Conflitos no Campo Brasil”, lançado anualmente na semana do dia 17 de abril, data em que 21 camponeses foram assassinados por policiais militares em 1996 no que ficou conhecido como Massacre de Eldorado dos Carajás.

 

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