França: Repressão ataca estudantes, mas não para a luta

Estudantes universitários que ocupavam o campus universitário de Tolbiac, em Paris, França, foram expulsos pelas forças de repressão policial no dia 20 de abril. Os estudantes ocupavam a universidade desde o dia 26 de março contra a reforma estudantil que vem sendo imposta pelo governo reacionário de Emmanuel Macron.

Em uma operação militar e de tipo terrorista, os policiais invadiram a universidade às 5 horas da manhã. Mais de 100 agentes policiais expulsaram dezenas de estudantes, não sem enfrentar resistência. Os jovens arremessadas pedras e garrafas de vidro contra os agentes.

 

Rebeliões em mais universidades

O campus universitário de Tolbiac não é o único palco de luta estudantil na França. Mais de seis universidades foram tomadas e mais de 20 foram bloqueadas pelos protestos estudantis. As mobilizações e lutas em geral afetam, ao todo, mais de 30 universidades francesas. 

Os campis universitários tomados ou agitados pelos estudantes são de renomadas universidades francesas. As instituições onde destacam-se a luta estudantil são a Universidade Paris 1, Universidade Paris 10, Universidade Paris 4, Universidade Paris 3, Universidade Paris 8, Universidade de Lille 2, Universidade de Lille 3, Universidade de Amiens e a Universidade de Rouen.

O campus de Saint-Denis (da Paris 3), por exemplo, está ocupado desde o dia 3 de abril, e conta com um alto nível de mobilização dos estudantes. Uma assembleia geral realizada no dia 11/04 reuniu quase 1 mil estudantes, que decidiram prosseguir a ocupação.

O campus de Saint-Charles (Universidade Paris 1), que acolhe estudantes de artes e cinema e outros cursos, está ocupado, e o campus universitário em Nanterre (Paris 10) reuniu ao menos 2 mil estudantes no dia 17 de abril, durante assembleia geral. O campus de Clignancourt (Paris 4), ocupado desde o dia 08/04, realizou também última assembleia geral com aproximadamente 700 estudantes, funcionários e professores.

Ante essa situação, a repressão assanha-se para desbaratar o movimento por meio da intimidação.

O histórico campus da Sorbonne (Universidade Paris 1), por exemplo, foi cercado pelas tropas policiais para evitar uma assembleia geral. A assembleia fora proibida pelo Estado imperialista francês.

 O objetivo da contrarreforma

A contrarreforma planejada e preparada pelo presidente Emmanuel Macron consiste em desmantelar um direito fundamental conquistado desde a revolução democrática francesa: o acesso universal. Com isso, o estudante não poderá mais acessar o ensino universitário. Macron pretende implantar o sistema de vestibular.

O projeto foi aprovado em votação no parlamento em dezembro de 2017 e tinha a previsão de entrar em vigor no início de abril.

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