SP: Povo rechaça demagogia de Temer após incêndio que desalojou mais de 100 famílias

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por Túlio Azevedo

O 1º de maio de 2018 em São Paulo, com o incêndio e desabamento na madrugada do prédio Wilton Paes de Almeida, que abrigava dezenas de famílias sem teto no Largo do Paissandu, não poderia ter amanhecido somente com o sentimento de tristeza para o povo, como inicialmente tentou fazer parecer o monopólio de imprensa.

Mais do que lágrimas, eclodem das massas mais profundas de nosso país a raiva e o mais puro sentimento de revolta. Não só contra este ou aquele politiqueiro profissional de ocasião, certamente responsável individualmente pelo corpos dos trabalhadores e seus filhos presos aos destroços do edifício, mas, contra todo o estado das coisas, contra toda a dominação e sistema de exploração.

É irracional que, em função da especulação com o solo urbano, em uma cidade na qual a quantidade de domicílios vagos supera com folga o número de pessoas sem moradia, famílias e mais famílias de trabalhadores tenham de se amontoar em edifícios condenados, sem as mínimas condições de habitação. Em São Paulo e Região Metropolitana, segundo a fundação João Pinheiro, a partir dos últimos dados do IBGE, de 2010, havia 651.701 domicílios vagos, enquanto o déficit habitacional era de 592.232 unidades. “Sobrando” milhares de casas habitáveis, portanto.

Evidentemente, nem o monopólio de imprensa burguesa-latifundiária, nem os eleitoreiros de todos os matizes tocaram no cerne da questão. Preferiram apontar seus dedos podres contra as famílias de trabalhadores que lá viviam, como se a responsabilidade pelas mortes fosse destas. O fato é que no capitalismo burocrático agonizante em que vivemos, tudo aquilo que se reveste de tragédia ou casualidade é sempre, na verdade, mais uma expressão dos crimes permanentes cometidos pelas classes dominantes contra o povo. A manutenção decadente das velhas relações de produção, do velho Estado e das velhas classes dominantes, com sua velha cultura correspondente, são a verdadeira tragédia da qual o povo deve se desvincilhar.

Por mais que tentem iludir as massas, essa verdade simples é inescapável ao povo, que mais cedo ou mais tarde se põe de pé como pode. E é isso o que realmente ocorreu no 1º de Maio. O sentimento do povo em São Paulo não foi o da tristeza inerte, de acusações tímidas e impotentes, mas sim do mais puro e verdadeiro o ódio de classe, contra todo o estado atual das coisas.

E aos que duvidam: “as imagens e os fatos valem mais do que mil palavras”, como diz o dito popular.

Desde os arredores dos escombros do edifício Wilton Paes de Almeida, na manhã daquele dia, um pequeno grupo espontâneo de populares cercou e enxotou, com xingamentos, lançando objetos, com ponta pés e murros ao seu veículo, o representante máximo desse velho Estado, o 'Presidente' desta velha e carcomida ordem burguesa-latifundiária. Michel Temer, que como todos os outros de sua estirpe, enganava-se, acreditando poder usar ilimitadamente o sofrimento e o luto da população como palanque para seus fins demagógicos, foi surpreendido, ficando claro até para os mais recalcitrantes que não há agente do velho Estado que mereça qualquer respeito do povo.

Na manhã da terça-feira do 1º de Maio, Michel Temer não conseguiu ficar mais do que 3 minutos em frente às câmeras próximo às cinzas do edifício. De forma patética teve de sair com o rabo entre as pernas, ao ser retirado às pressas pelo seu serviço de segurança e por policiais militares, que menosprezavam a reação das massas.

É verdade que ninguém pode afirmar com certeza o que farão as amplas massas, nas cidades e no campo, quando, pouco a pouco, organizadas e dirigidas devidamente, derrubarem completamente as máscaras da farsa eleitoral e o invólucro de “autoridade” com o qual se revestem artificialmente alguns agentes do velho Estado brasileiro. Isso, só cabe ao tempo revelar.

Mas há uma certeza infalível: as cenas como as de Temer sendo escorraçado do Largo do Paissandu são mais um exemplo a revelar que cada vez mais o povo não permitirá que nem mesmo as “grandes” figuras do Estado continuem tripudiando impunemente sobre seu sofrimento. O recado está dado: para cada patife a serviço das classes dominantes que quiser manobrar com os sentimentos do povo, haverá a devida resposta, pouco à pouco, à altura de suas manobras.

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