Polícia Civil vê como “exitosa” chacina no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro

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Marcos Vinicius, de 14 anos, foi assassinado por blindado da polícia

No último sábado (7), foi entregue à defensoria pública e ao ministério público estadual um relatório elaborado pela polícia civil referente à operação que aconteceu no Complexo da Maré no dia 20 de junho, que acabou com sete pessoas mortas, entre elas o menino Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos. No documento, policiais civis classificaram como “exitosa” a operação, desconsiderando o terror despejado contra moradores pelas tropas do Estado e, em especial, a letalidade da ação.

“A integração entre os departamentos da Polícia Civil, com o apoio logístico e operacional das forças armadas, possibilitou grande êxito, tendo sido apreendida farta quantidade de material entorpecente”, diz o documento, que menciona somente em um pequeno trecho o fato de uma criança ter sido assassinada por tiros disparados de um dos veículos blindados da polícia.

“Apenas quando as equipes retornaram à Cidade da Polícia é que se tomou conhecimento de que havia uma pessoa baleada e já socorrida no hospital. Porém, sem mais informações sobre o estado de saúde, bem como conhecimento das circunstâncias de como se deu o fato.”, diz o relatório, menosprezando o enorme volume de dados e notícias divulgados pela imprensa sobre as circunstâncias em que Marcos Vinícius foi atingido e até mesmo o nome do garoto.

— Nunca que uma operação que termina com sete mortos, incluindo uma criança a caminho da escola, pode ser considerada exitosa. Inclusive, se for para analisarmos os aspectos técnicos, a operação tinha o objetivo de cumprir 23 mandados de prisão e nenhum deles foi cumprido. Como pode ser considerada exitosa uma ação que desconsidera completamente a vida e a dignidade dos moradores? O que exigimos é que as aeronaves da polícia não sejam usadas como plataforma de tiro e as explicações que exigimos sobre as denúncias de moradores de tiros disparados de dentro do helicóptero também foram omitidas do relatório. Não precisa ser especialista para saber que uma aeronave dando voos rasantes em alta velocidade disparando tiros de grosso calibre contra uma região densamente povoada representa um enorme risco às pessoas que vivem ali — diz o defensor público do núcleo de defesa dos direitos humanos, Daniel Lozoya.

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